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Castelo de Marialva

Castelo e cidadela medieval de Marialva, aldeia histórica do concelho de Mêda (Guarda): cidadela amuralhada e abandonada do planalto beirão.

Castelo de Marialva
Autor desconhecido, CC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons

No alto de um afloramento granítico do planalto beirão, dominando a planície da Devesa, ergue-se um dos mais singulares conjuntos amuralhados do interior português. O Castelo de Marialva não é apenas uma fortaleza, mas uma cidadela inteira: dentro da muralha conservam-se as ruínas de casas, igrejas, pelourinho e edifícios públicos de uma povoação que, ao longo dos séculos, se foi esvaziando. Hoje quase desabitada, a cidadela mantém a fisionomia de uma vila medieval congelada no tempo, no concelho de Mêda, distrito da Guarda.

Das origens castrejas à reconquista

A ocupação do sítio é muito anterior à nacionalidade. A tradição liga-o a um castro dos Aravos, povo lusitano que controlava estas terras, transformado pelos romanos na Civitas Aravorum, importante nó de vias na rota entre a Guarda e Numão. Da presença muçulmana ficou o nome Malva, que a reconquista cristã viria a latinizar em Marialva.

Despovoada pelas lutas da Reconquista, a povoação foi mandada repovoar por D. Afonso Henriques, que lhe concedeu o primeiro foral por volta de 1179. Já no século XIII, D. Sancho I ampliou o perímetro defensivo, e, na sequência do Tratado de Alcanizes que fixou a fronteira com Castela, D. Dinis reconstruiu o castelo em 1296–1297, dando-lhe a feição que ainda hoje em grande parte reconhecemos. Esta condição de terra de raia aproxima Marialva de outras praças fronteiriças beirãs, como o vizinho Castelo de Trancoso.

A cidadela e o núcleo civil

O conjunto organiza-se em dois núcleos amuralhados. A cidadela, o pólo militar, ocupa a cota mais elevada e integra a torre de menagem — de planta sensivelmente trapezoidal, remontando ao século XIII e coroada por ameias — bem como outras torres defensivas; comunica com a vila por duas portas. O núcleo civil ou urbano distingue dois pólos: o administrativo, com o pelourinho, a antiga Casa da Câmara, o tribunal e a cadeia; e o religioso, com duas igrejas e o cemitério.

A muralha, em alvenaria de granito local, desenha uma planta ovalada irregular que se adapta organicamente à conformação do terreno. O recinto cinge o antigo burgo medieval, num exemplo notável do papel das muralhas urbanas e vilas fortificadas na organização do território raiano. A obra cruza soluções do românico tardio com a linguagem gótica que se afirmou sob os monarcas da segunda dinastia.

Aldeia histórica e monumento abandonado

Marialva conheceu intervenções ao longo da Idade Moderna — há inscrições quinhentistas nos muros e obras associadas a D. Manuel I e a D. Sebastião —, mas a sua vitalidade foi-se transferindo, ao longo do tempo, da cidadela intramuros para o arrabalde e para a Devesa, na planície. Desse processo resultou um dos traços mais marcantes do lugar: uma cidadela monumental quase desabitada, em que as ruínas de pedra falam de uma comunidade extinta.

O Castelo de Marialva está classificado como Monumento Nacional desde 1978, por decreto de 12 de setembro. A aldeia integra a rede das Aldeias Históricas de Portugal, que valoriza núcleos do interior beirão de forte carga patrimonial. Percorrer as ruas silenciosas da cidadela, subir à torre de menagem e contemplar a planície a partir do adarve é ler em pedra a longa memória de uma fronteira do reino. O conjunto inscreve-se no panorama mais vasto dos castelos medievais de Portugal, de que é um dos testemunhos mais evocativos do planalto beirão.

Perguntas frequentes

Onde fica o Castelo de Marialva?
Ergue-se na aldeia de Marialva, freguesia do mesmo nome, no concelho de Mêda, distrito da Guarda, sobre um afloramento granítico do planalto beirão, na Beira Alta.
Porque está a cidadela de Marialva quase abandonada?
O núcleo intramuros foi sendo despovoado à medida que a vida se transferiu para o arrabalde e para a Devesa, na planície. Hoje a cidadela é um conjunto monumental quase desabitado, com ruínas de casas, igrejas e edifícios públicos dentro da muralha.
Que origens tem o sítio de Marialva?
O lugar terá começado como castro dos Aravos, transformado pelos romanos na Civitas Aravorum. O nome Marialva deriva do topónimo árabe Malva, latinizado após a reconquista cristã.
Desde quando é Monumento Nacional?
O Castelo de Marialva está classificado como Monumento Nacional desde 1978, por decreto de 12 de setembro desse ano.

Fontes

  1. Castelo de Marialva — Wikipédia
  2. Castelo e cerca urbana de Marialva — SIPA / Património Cultural
  3. Aldeia Histórica de Marialva — Município de Mêda