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Património Cultural Imaterial de Portugal
Nem todo o património cabe numa pedra. Em 2003 a UNESCO adotou a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, alargando a noção de herança às práticas, expressões, saberes e técnicas que as comunidades reconhecem como sua — a música, as festas, o artesanato, a gastronomia, os rituais. Portugal ratificou essa convenção em 2008 e tem hoje uma das presenças mais consistentes da Europa do Sul nas suas listas.
Esta página reúne e organiza esse universo: as inscrições internacionais da UNESCO, o Inventário Nacional que as enquadra, e o conjunto de bens — do Fado de Lisboa ao Cante Alentejano das planícies — que dão corpo a um património que só sobrevive enquanto for praticado.
Da convenção ao Inventário Nacional
O reconhecimento internacional assenta numa base interna. Pelo Decreto-Lei n.º 139/2009, Portugal instituiu o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, gerido pela Direção-Geral do Património Cultural através da plataforma MatrizPCI. É aí que se inscrevem, documentam e acompanham as manifestações imateriais — condição prévia, em regra, para qualquer candidatura às listas da UNESCO.
A nível internacional, os bens distribuem-se por três instrumentos: a Lista Representativa, que celebra a diversidade do património vivo; a Lista de Salvaguarda Urgente, para práticas em risco de desaparecer; e o registo de boas práticas de salvaguarda, que premeia modelos exemplares de transmissão.
O património imaterial obriga a uma inversão de perspetiva: o objeto a proteger não é uma coisa, mas uma relação — entre quem transmite e quem aprende.
Os bens inscritos pela UNESCO
A lista completa-se com a falcoaria, reconhecida como herança partilhada por dezenas de países; o barco moliceiro e a carpintaria naval de Aveiro, inscrito na Lista de Salvaguarda Urgente; a arte equestre em Portugal, o mais recente bem na Lista Representativa; e a Ponte nas Ondas!, modelo luso-galaico distinguido como boa prática de salvaguarda.
Um património que se conserva usando-se
A grande ameaça ao património imaterial não é a ruína, mas o desuso. Ao contrário de uma sé ou de um castelo, uma prática viva não se restaura: extingue-se quando deixa de haver quem a faça. Por isso a salvaguarda passa menos por congelar e mais por garantir condições de continuidade — ensino, contextos de prática, transmissão entre gerações.
É também aqui que o imaterial dialoga com o restante património português. Muitas destas práticas estão ancoradas em lugares e edifícios concretos, e completam a leitura que este sítio faz do património imaterial enquanto tema e do conjunto dos bens portugueses inscritos no Património Mundial. Compreender Portugal exige ler as duas heranças em conjunto: a que se ergue em pedra e a que vive em gestos.
Nesta secção — 76
Adufe e Música da Beira Baixa
Arte Equestre Portuguesa
Arte Xávega Azeite e Olivicultura Tradicional
Azulejo Tradicional Português
Barco Moliceiro
Barco Rabelo
Barro Preto e Olaria Negra do Norte
Bombos e Zés Pereiras
Bonecos de Estremoz
Bordado da Madeira
Bordado de Castelo Branco Bordados e Rendas dos Açores Bordados Tradicionais Portugueses Burel da Serra da Estrela Cães de Gado e Pastorícia Tradicional
Calçada Portuguesa Cante ao Desafio
Capa de Honras de Miranda
Caretos de Podence
Cavaquinho Cestaria Tradicional Portuguesa Chita de Alcobaça Compasso Pascal Concertina e Música Popular Portuguesa Construção de Cordofones Tradicionais
Doçaria Conventual Embarcações Tradicionais Portuguesas Enchidos e Fumeiro Fabrico de Chocalhos (Arte Chocalheira)
Fado de Coimbra Ferraria e Ferro Forjado
Festa do Povo de Campo Maior Festa dos Rapazes e Mascaradas de Inverno de Trás-os-Montes
Festa dos Tabuleiros de Tomar Festa dos Touros de Barrancos
Festas de Santo António de Lisboa
Festas de São João do Porto
Festas do Espírito Santo dos Açores
Filigrana de Gondomar
Gaita de Foles Mirandesa
Galo de Barcelos
Guitarra Portuguesa
Latoaria Lenços de Namorados do Minho
Língua Mirandesa
Louça de Coimbra Máscaras e Mascarados Ibéricos
Matança do Porco Olaria de Nisa Olaria de Redondo Olaria e Louça de Barcelos Olaria Negra de Bisalhães Olaria Tradicional Portuguesa
Pão Tradicional Português
Pauliteiros de Miranda Procissões da Semana Santa de Braga Queijos Tradicionais Portugueses
Renda de Bilros
Renda de Bilros de Peniche Romanceiro Tradicional Português
Romaria de Nossa Senhora da Agonia Saber-fazer da Construção Naval Tradicional
Santos Populares
Semana Santa em Portugal Tecelagem e Mantas Tradicionais Toque Manual de Sinos Trabalho da Cortiça e o Montado
Tradições Orais e Literatura Popular
Transumância e Pastorícia Vimes e Cestaria da Camacha
Vinho da Madeira
Vinho do Porto
Vinho Verde Viola Campaniça, o cordofone do Baixo Alentejo
Viola de Fado Perguntas frequentes
- Quantos bens portugueses estão inscritos pela UNESCO no património imaterial?
- Portugal tem doze elementos nas listas da UNESCO: oito na Lista Representativa, três na Lista de Salvaguarda Urgente e uma boa prática de salvaguarda reconhecida ao abrigo do artigo 18.º da Convenção.
- O que distingue o património imaterial do património construído?
- O património imaterial são práticas, expressões e saberes vivos — música, festas, artesanato, gastronomia. Conserva-se transmitindo-se entre gerações, não restaurando-se como um monumento.
- O que é o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial?
- É o instrumento criado pelo Decreto-Lei n.º 139/2009 e gerido pela DGPC através da plataforma MatrizPCI, onde se registam as manifestações imateriais reconhecidas em Portugal.