Publicações

A profissão de conservador-restaurador

A profissão de conservador-restaurador em Portugal: percurso formativo de cinco anos, ética e deontologia e enquadramento profissional definido pela ARP.

O conservador-restaurador é o profissional responsável pela preservação da integridade física e do significado cultural dos bens patrimoniais — pinturas, esculturas, têxteis, suportes documentais, azulejos, materiais arqueológicos ou conjuntos arquitetónicos. Em Portugal, trata-se de uma profissão que se autonomizou ao longo do século XX, afastando-se progressivamente da figura do restaurador empírico de oficina para se afirmar como disciplina apoiada na ciência, na história da arte e num corpo próprio de princípios éticos.

Definição e competências

A definição internacional de referência é a aprovada pelo ICOM-CC (Comité de Conservação do Conselho Internacional de Museus) em Copenhaga, em 1984, no documento «O conservador-restaurador: uma definição da profissão». Segundo este entendimento, a missão fundamental do conservador-restaurador é salvaguardar o património cultural em benefício das gerações presentes e futuras, sem o falsear nem ocultar a sua história material.

O exercício da profissão abrange um conjunto articulado de tarefas: o exame e diagnóstico do estado de conservação; a definição de um plano estratégico de intervenção; a conservação preventiva, destinada a controlar as condições de acondicionamento e exposição; os tratamentos de conservação e restauro propriamente ditos; e a documentação rigorosa de todas as observações e operações realizadas. Orientam esta prática princípios como a mínima intervenção, a reversibilidade dos materiais aplicados e a distinguibilidade do que é original face ao que é acrescento. Este enquadramento metodológico aprofunda-se na página dedicada à conservação e restauro em Portugal.

Percurso formativo

O acesso à profissão assenta hoje em formação académica superior. Seguindo as diretrizes da ENCoRE (Rede Europeia para a Educação em Conservação-Restauro) e da E.C.C.O. (Confederação Europeia das Organizações de Conservadores-Restauradores), considera-se que o título de conservador-restaurador corresponde a um percurso de cinco anos, organizado no quadro do Processo de Bolonha em dois ciclos — licenciatura de três anos e mestrado de dois —, equivalente ao nível 7 do Quadro Europeu de Qualificações.

Em Portugal, a formação é ministrada por instituições de ensino superior como a Universidade NOVA de Lisboa, o Instituto Politécnico de Tomar e a Universidade Católica Portuguesa, entre outras. Historicamente, a estruturação técnica e científica da disciplina deve muito ao trabalho desenvolvido a partir de 1965 no Laboratório José de Figueiredo, instituição de referência no estudo material das obras de arte e na formação de várias gerações de técnicos.

Ética, deontologia e organização profissional

A dimensão deontológica é central à identidade da profissão. A representação dos profissionais em Portugal cabe à ARP — Associação Profissional de Conservadores-Restauradores de Portugal, registada em abril de 1995 e membro da E.C.C.O. desde 2001. A ARP promove o Código de Ética e Deontologia da profissão, define perfis de competências e defende a qualidade das intervenções no património cultural, exigindo dos seus membros efetivos formação superior conforme os princípios do documento E.C.C.O.–ENCoRE sobre educação e acesso à profissão.

O trabalho do conservador-restaurador articula-se com a tutela pública do património, hoje coordenada pela Direção-Geral do Património Cultural, e com o aconselhamento técnico de órgãos consultivos como a Academia Nacional de Belas-Artes. Esta cadeia institucional — entre formação, prática, ética e tutela — sustenta a credibilidade de uma profissão que se tornou indispensável à salvaguarda do património português.

Perguntas frequentes

Que formação é exigida para ser conservador-restaurador em Portugal?
Segundo os padrões europeus (ENCoRE e E.C.C.O.), exige-se formação superior em Conservação e Restauro de cinco anos, organizada em dois ciclos no quadro do Processo de Bolonha — licenciatura de três anos seguida de mestrado de dois —, correspondente ao nível 7 do Quadro Europeu de Qualificações.
O que distingue um conservador-restaurador de um restaurador empírico?
O conservador-restaurador atua com base em diagnóstico científico, documentação rigorosa, princípios de mínima intervenção e reversibilidade, e um código de ética e deontologia. Distingue-se da prática empírica de oficina por integrar saberes histórico-artísticos, técnicos e das ciências exatas.
Que entidade representa a profissão em Portugal?
A ARP — Associação Profissional de Conservadores-Restauradores de Portugal, fundada em 1995 e membro da E.C.C.O. desde 2001, promove a profissão, o seu código de ética e a qualidade das intervenções no património cultural.

Fontes

  1. Profissão — ARP, Associação Profissional de Conservadores-Restauradores de Portugal
  2. Conservador-restaurador: perfil e competências — ARP (PDF)
  3. Apontamentos para a História da Conservação e Restauro em Portugal — DGPC
  4. Conservador-restaurador — Wikipédia