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Academia Nacional de Belas-Artes
A Academia Nacional de Belas-Artes, fundada em 1836 em Lisboa, é a academia consultiva do Estado na classificação e salvaguarda do património artístico português.
A Academia Nacional de Belas-Artes é a mais antiga instituição académica portuguesa dedicada às artes e funciona, até hoje, como órgão consultivo do Estado em matéria de inventariação, classificação e salvaguarda do património artístico e monumental. Sediada em Lisboa, no Chiado, ocupa parte do antigo Convento de São Francisco da Cidade, edifício que partilha com a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e com o Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado.
Fundação e percurso institucional
A instituição foi criada por decreto de 25 de outubro de 1836, assinado em nome da rainha D. Maria II, no âmbito das reformas culturais promovidas por Passos Manuel. Desde a origem ficou instalada no edifício do extinto Convento de São Francisco da Cidade, onde se criou também uma biblioteca de belas-artes que viria a reunir dezenas de milhares de volumes. Durante o reinado de D. Luís passou a designar-se Academia Real de Belas-Artes.
Em 1881, uma reforma separou a missão pedagógica — a escola que daria origem à atual Faculdade de Belas-Artes — das funções culturais e honoríficas da Academia, divisão que ainda hoje persiste. Implantada a República, a Academia foi extinta em 1911. Seria restabelecida em 1932, pelo Decreto n.º 20 977, com a designação que mantém: Academia Nacional de Belas-Artes.
Funções consultivas e salvaguarda do património
Os estatutos da Academia atribuem-lhe um papel claramente patrimonial. Para além de promover o estudo e a divulgação das artes, compete-lhe emitir pareceres sempre que oficialmente consultada sobre matérias do seu âmbito estatutário e colaborar com os organismos competentes na elaboração do inventário descritivo e crítico dos monumentos e obras de arte, nacionais e estrangeiros. Cabe-lhe ainda cooperar na classificação, conservação e recuperação do património arqueológico, monumental e artístico do país.
Este papel consultivo insere-se na longa cadeia de organismos de tutela patrimonial em Portugal, hoje encabeçada pela Direção-Geral do Património Cultural — uma trajetória descrita na página sobre a história das instituições do património. Ao longo do século XX, os pareceres das academias e conselhos de belas-artes foram peças centrais nos processos de patrimonialização que conduziram à classificação de muitos dos monumentos nacionais.
Sede e acervo
O complexo conventual franciscano, de planta retangular organizada em torno de claustros, alberga desde 1836 um notável conjunto de instituições culturais. A Academia conserva nele uma valiosa biblioteca especializada, com obras que vão do final do século XV à atualidade, e um acervo de pintura, escultura e desenho associado à história do ensino artístico português. A presença de São Francisco na vida cultural e patrimonial nacional reflete-se também noutros conjuntos, como a Igreja de São Francisco de Évora, testemunho da difusão da ordem franciscana em Portugal.
Atualmente, a Academia Nacional de Belas-Artes é uma instituição científica de utilidade pública, dotada de personalidade jurídica e de autonomia administrativa, sob tutela da área governativa da Cultura. Mantém uma atividade regular de publicações, sessões académicas e pareceres, afirmando-se como uma das vozes históricas na defesa do património artístico português.
Perguntas frequentes
- Quando foi fundada a Academia Nacional de Belas-Artes?
- A Academia foi criada em Lisboa a 25 de outubro de 1836, por decreto da rainha D. Maria II, no quadro das reformas de Passos Manuel. Extinta em 1911 com a República, foi restabelecida em 1932 pelo Decreto n.º 20 977 com a atual designação.
- Qual é o papel da Academia na salvaguarda do património?
- Cabe-lhe emitir pareceres quando oficialmente consultada e colaborar com os organismos competentes na inventariação, classificação, conservação e recuperação do património arqueológico, monumental e artístico do país.
- Onde tem a Academia a sua sede?
- Ocupa parte do antigo Convento de São Francisco da Cidade, no Chiado, em Lisboa, edifício que partilha com a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e o Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado.