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Laboratório José de Figueiredo
Laboratório José de Figueiredo, em Lisboa: o laboratório nacional de referência para a conservação e restauro de bens culturais, com origem no MNAA.
O Laboratório José de Figueiredo é o laboratório nacional de referência para a conservação e o restauro de bens culturais móveis em Portugal. Sediado em Lisboa, na Rua das Janelas Verdes, num edifício próprio contíguo ao Museu Nacional de Arte Antiga, reúne ateliês de intervenção e laboratórios científicos onde, há mais de um século, se estudam e tratam pinturas, esculturas, têxteis, mobiliário e outros testemunhos do património artístico nacional.
Das oficinas do museu ao instituto autónomo
A história desta instituição confunde-se com a do próprio estudo material da arte em Portugal. Em 1911, José de Figueiredo (1872–1937), historiador de arte e primeiro diretor do Museu Nacional de Arte Antiga, instalou uma oficina de restauro no museu e convidou o pintor Luciano Freire a ocupar-se da beneficiação das obras da coleção. Foi um gesto pioneiro: pela primeira vez, o restauro deixava de ser tarefa avulsa para se tornar atividade permanente e ligada à própria instituição museológica.
Nas décadas seguintes, sob a gestão do físico Manuel Valadares, a oficina dotou-se de equipamento laboratorial — incluindo uma ampola de raios X — e passou a ser conhecida como “Laboratório para o Exame das Obras de Arte”. A introdução de métodos científicos de análise marcou um salto qualitativo: a radiografia, a fotografia e os exames físico-químicos permitiam ler camadas invisíveis a olho nu, distinguir intervenções antigas e fundamentar as decisões de tratamento.
O restauro deixava de ser um ofício de mãos para passar a ser também uma disciplina de laboratório, em que o diagnóstico precede e justifica a intervenção.
Um edifício para o restauro
Coube ao diretor João Couto compreender que o crescimento da atividade exigia espaços próprios. As obras do edifício, projetado pelo arquiteto Guilherme Rebelo de Andrade a partir de conceitos de Figueiredo, Valadares, Couto e Fernando Mardel, decorreram entre 1938 e 1940. Tratou-se, segundo Couto, de um “Instituto de Restauro em casa própria, num edifício especialmente para esse fim, caso único no mundo” — uma afirmação que reflete a ambição de fazer da conservação uma área autónoma, com oficinas, laboratórios e capacidade formativa.
A autonomia institucional concretizou-se em 1965, quando, por impulso do conservador e pintor Abel de Moura, as oficinas e os laboratórios fotográfico, de física e de química se emanciparam da tutela do museu e deram origem ao Instituto de José de Figueiredo (Decreto-Lei n.º 46 758, de 18 de dezembro de 1965). Durante décadas, o instituto foi referência internacional no tratamento de obras delicadas, da pintura sobre madeira às tapeçarias seculares.
Continuidade e património
Em 2000, o Instituto José de Figueiredo foi extinto e as suas funções transitaram para o recém-criado Instituto Português de Conservação e Restauro. Sucessivas reorganizações da administração do património integraram depois esta valência nas estruturas centrais do Estado, culminando na atual tutela da Direção-Geral do Património Cultural e do Património Cultural, I.P. O laboratório manteve a designação que honra José de Figueiredo, perpetuando a ligação entre o estudo histórico-artístico e a prática técnica.
Mais do que uma estrutura administrativa, o Laboratório José de Figueiredo é um marco da conservação e restauro em Portugal: nele se formaram gerações de técnicos e se consolidou a profissão de conservador-restaurador, assente no princípio de que cada intervenção deve ser reversível, documentada e sustentada por exame científico. As suas oficinas continuam a acolher campanhas de estudo e tratamento de obras maiores do património nacional, garantindo que peças centrais da arte portuguesa chegam às gerações futuras em condições de serem compreendidas e admiradas.
Perguntas frequentes
- O que é o Laboratório José de Figueiredo?
- É o laboratório nacional de referência para a conservação e restauro de bens culturais móveis, sediado em Lisboa, junto ao Museu Nacional de Arte Antiga. Tem origem nas oficinas de restauro criadas no museu em 1911 e integra hoje a estrutura do Património Cultural, I.P.
- Porque tem este nome?
- Homenageia José de Figueiredo (1872–1937), historiador de arte e primeiro diretor do Museu Nacional de Arte Antiga, que instalou em 1911 a oficina de restauro de onde a instituição descende.
- Onde fica o laboratório?
- Na Rua das Janelas Verdes, em Lisboa, num edifício próprio construído entre 1938 e 1940, contíguo ao Museu Nacional de Arte Antiga.