Monumentos
Castelo de Monsanto
Castelo de Monsanto, fortaleza templária encravada nos penedos graníticos da aldeia mais portuguesa de Portugal, em Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco.
No remate de um cerro granítico que domina a planície da Beira Baixa, o Castelo de Monsanto confunde-se com os penedos colossais entre os quais foi edificado. Mais do que uma fortificação assente sobre rocha, parece talhado na própria montanha: muralhas e blocos de granito imbricam-se de tal modo que, à distância, é difícil distinguir a obra do homem da obra da natureza. Esta simbiose entre arquitetura militar e paisagem fez do conjunto uma das imagens mais reconhecíveis das aldeias e castelos da fronteira beirã.
Fundação templária e função fronteiriça
A história do castelo começa no contexto da Reconquista e da consolidação da fronteira oriental do jovem reino. Em 1165, D. Afonso Henriques outorgou foral a Monsanto e doou o domínio à Ordem do Templo, com o encargo de repovoar e defender o território. Coube ao mestre Gualdim Pais — o mesmo que dirigiu a edificação de Tomar e de Almourol — orientar a construção da fortaleza, concluída por volta de 1171.
A escolha do sítio não foi acidental: a mais de 750 metros de altitude, Monsanto vigiava os caminhos que ligavam a Beira à raia castelhana e à antiga cidade episcopal vizinha, hoje testemunhada pelo notável conjunto da Egitânia em Idanha-a-Velha. Integrava assim a linha de defesa que, ao longo dos séculos, povoou esta região de poderosas estruturas militares de fronteira.
Em Monsanto, o granito é simultaneamente a matéria-prima do castelo e o seu maior aliado defensivo: os penedos que envolvem a cerca são tão intransponíveis quanto qualquer muralha.
A fortaleza e os seus vestígios
A cerca seguia uma planta poligonal irregular, adaptada aos afloramentos rochosos, reforçada por torres quadrangulares e percorrida por adarves ameados. Do conjunto medieval restam sobretudo dois marcos: a Torre de Lucano, antiga torre sineira que se ergue à entrada da aldeia, e a Torre do Pião, no ponto culminante. As remodelações dos séculos XV e XVI, e ainda intervenções oitocentistas, alteraram a feição primitiva, mas o caráter inexpugnável manteve-se até à decadência da posição como praça de guerra.
Dentro da cerca subsistem ainda ruínas de capelas, sepulturas escavadas na rocha e cisternas, vestígios de um povoamento que se prolongou desde a ocupação castreja e romana até à época moderna.
Lenda, festa e identidade
Monsanto é indissociável da chamada Festa das Cruzes, ou Festa do Castelo, celebrada a 3 de maio. A tradição evoca um lendário cerco em que os sitiados, esgotados os mantimentos, terão lançado por cima das muralhas o último bezerro empanturrado de trigo — convencendo os atacantes de que dispunham de provisões inesgotáveis e levando-os a desistir. Em memória do episódio, as raparigas atiram do alto das muralhas cântaros floridos, num gesto que reencena a astúcia que salvou a povoação.
A esta carga simbólica juntou-se, em 1938, a vitória de Monsanto no concurso da Aldeia Mais Portuguesa de Portugal, distinção materializada no célebre Galo de Prata, cuja réplica coroa a Torre de Lucano. Hoje uma das doze Aldeias Históricas de Portugal, Monsanto vive da sua arquitetura granítica e do castelo que lhe deu nome e proteção.
Classificado como Monumento Nacional desde 1948, o Castelo de Monsanto continua a ser um dos exemplos mais expressivos de como a fortificação medieval portuguesa dialogou com o relevo, tema central na leitura dos grandes castelos do interior centro do país.
Perguntas frequentes
- Onde fica o Castelo de Monsanto?
- Ergue-se no cimo do monte sobranceiro à aldeia de Monsanto, freguesia de Monsanto e Idanha-a-Velha, concelho de Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco, na Beira Baixa.
- Quem mandou construir o Castelo de Monsanto?
- Após a doação de D. Afonso Henriques aos Templários, em 1165, a fortaleza foi erguida sob a orientação do mestre Gualdim Pais, estando concluída por volta de 1171.
- Porque é Monsanto a aldeia mais portuguesa de Portugal?
- Em 1938, Monsanto venceu o concurso da Aldeia Mais Portuguesa de Portugal, recebendo o Galo de Prata, cuja réplica permanece no topo da Torre de Lucano.