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Arqueologia

Egitânia: a cidade romana e visigótica de Idanha-a-Velha

A Egitânia, antiga Civitas Igaeditanorum: arqueologia da cidade romana e da sede episcopal visigótica de Idanha-a-Velha, com muralha, baptistério e epigrafia.

Perguntas frequentes Fontes
Ruínas da Egitânia em Idanha-a-Velha
Maragato1976, CC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons
Localização
Idanha-a-Velha, Castelo Branco
Construção
Século I a.C. – período medieval
Estilo
Romano, paleocristão e visigótico

Sob as casas, hortas e ruas de granito de Idanha-a-Velha, na Beira Baixa, esconde-se um dos mais densos palimpsestos arqueológicos de Portugal. No mesmo recinto, junto à margem direita do rio Pônsul, sobrepõem-se a cidade romana de Civitas Igaeditanorum, a Egitânia suevo-visigótica e a povoação medieval e moderna, num continuum de ocupação de mais de dois mil anos. Esta página trata da cidade antiga e dos seus vestígios; a aldeia de hoje e a visita contam-se na página de Idanha-a-Velha.

Da Civitas Igaeditanorum à Egitânia

A fundação romana remonta ao final do século I a.C., no tempo de Augusto e no contexto da reorganização da província da Lusitânia. A cidade foi a capital do povo dos Igeditanos. O testemunho mais antigo da existência do núcleo urbano é uma inscrição de cerca de 16 a.C. que regista a oferta de um relógio de sol aos Igeditanos por um cidadão de Emerita Augusta (Mérida). A cidade ocupava posição estratégica na rede de vias romanas que ligava Mérida ao interior e ao norte da Lusitânia, o que favoreceu o seu crescimento: recebeu muralha, edifícios públicos, um templo e uma ponte sobre o Pônsul.

Com a desagregação do mundo romano, o povoado manteve relevância. No período suevo-visigótico tornou-se sede de uma diocese, a Egitania — um bispo da cidade participou no Concílio de Lugo, em 569 —, o que lhe conferiu um peso administrativo e religioso entre os maiores da Beira interior. Em 713 a cidade foi tomada pelos exércitos muçulmanos e o bispado extinguiu-se; a diocese só seria restaurada em 1199, já transferida para a Guarda, cujo bispo ainda conserva no título a memória da antiga Egitânia.

A força da Egitânia não está num monumento isolado, mas na densidade da estratigrafia: a torre medieval ergue-se sobre o pódio de um templo romano, e a antiga catedral assenta sobre estruturas paleocristãs — cada época reutilizou e reescreveu a anterior.

Muralha, catedral e baptistério

O perímetro fortificado, com cerca de 750 metros e torreões semicilíndricos, combina alicerces romanos com refeitura medieval e constitui um dos elementos mais legíveis do conjunto. No interior conserva-se a antiga catedral (ou basílica), edifício de três naves, de origem paleocristã e profundamente remodelado em época visigótica, com fustes reaproveitados de construções romanas, que se conta entre os testemunhos mais importantes da arte visigótica em Portugal e tem página própria na Sé de Idanha-a-Velha. Junto dela subsiste um baptistério com tanque batismal, vestígio da cristianização da cidade entre os períodos suevo e visigótico.

A torre quadrangular que domina o recinto — conhecida como Torre dos Templários ou torre de menagem — assenta sobre os restos de um templo romano, ilustração eloquente da reutilização de estruturas que caracteriza todo o sítio. Fora das muralhas situam-se ainda a ponte romana sobre o Pônsul, com cinco arcos, e troços de vias e portas da cidade antiga.

A maior coleção epigráfica do território

A Egitânia distingue-se sobretudo pelo seu acervo de inscrições. O sítio reúne um dos mais vastos conjuntos de epigrafia romana da Península Ibérica — aras votivas, estelas funerárias, marcos e dedicatórias. Durante décadas a coleção esteve exposta no interior da antiga catedral; hoje uma seleção mostra-se no Arquivo Epigráfico, instalado no antigo lagar de varas da aldeia. Estas peças documentam a vida religiosa, social e administrativa da Civitas Igaeditanorum e fazem do sítio um laboratório privilegiado para o estudo do mundo romano provincial.

As escavações sistemáticas iniciaram-se em 1955, sob direção de Fernando de Almeida, e prosseguiram com campanhas que revelaram a basílica, o baptistério e estruturas termais. O conjunto está classificado como Monumento Nacional desde 1997 e dialoga com outros centros da arqueologia do Portugal romano: uma cidade provincial cuja memória sobreviveu, pedra a pedra, dentro de uma aldeia.

Perguntas frequentes

O que era a Egitânia?
Egitânia foi o nome da cidade que sucedeu à romana Civitas Igaeditanorum, capital dos Igeditanos, na atual Idanha-a-Velha. No período suevo-visigótico tornou-se sede de uma diocese, antes da conquista muçulmana de 713.
Qual é o testemunho mais antigo da cidade romana?
É uma inscrição de cerca de 16 a.C. que regista a oferta de um relógio de sol aos Igeditanos por um cidadão de Emerita Augusta (Mérida).
Porque é importante a coleção epigráfica de Idanha-a-Velha?
O sítio conserva um dos maiores conjuntos de inscrições romanas da Península Ibérica — aras votivas, estelas funerárias e dedicatórias. Uma seleção está hoje exposta no Arquivo Epigráfico, instalado no antigo lagar de varas da aldeia; antes, a coleção era mostrada na antiga catedral.
Quando começaram as escavações?
As escavações sistemáticas iniciaram-se em 1955, dirigidas por Fernando de Almeida, e revelaram a basílica, o baptistério e estruturas termais.

Fontes

  1. Egitânia — Wikipédia
  2. Idanha-a-Velha — Wikipédia
  3. Arquivo Epigráfico — Aldeias Históricas de Portugal
  4. Aldeia Histórica de Idanha-a-Velha — Turismo do Centro de Portugal

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