Períodos & Estilos

Estilo Pombalino

O estilo pombalino: a arquitetura racional e antissísmica que reconstruiu a Baixa de Lisboa após o terramoto de 1755, da gaiola pombalina ao traçado da cidade.

Estilo Pombalino
xiquinhosilva from Cacau, CC BY 2.0 — Wikimedia Commons

O estilo pombalino designa a linguagem arquitetónica e urbanística desenvolvida em Portugal a partir de 1755, na sequência do violento terramoto que destruiu grande parte de Lisboa. O nome homenageia Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal, ministro de D. José I que dirigiu o esforço de reconstrução. Mais do que um vocabulário decorativo, o pombalino foi um sistema integral de planeamento, construção e regulação urbana, considerado um dos primeiros exemplos europeus de cidade pensada de raiz segundo princípios racionais e antissísmicos.

Do terramoto à cidade nova

No dia 1 de novembro de 1755, um sismo de enorme magnitude, seguido de maremoto e de um incêndio que ardeu durante dias, arrasou o centro de Lisboa. Pouco mais de um mês depois, a 4 de dezembro, o engenheiro-mor do reino Manuel da Maia apresentou um conjunto de hipóteses para a reconstrução. A opção escolhida foi a mais radical: arrasar o que restava da Baixa medieval e abrir uma cidade inteiramente nova, com ruas largas e regulares.

O plano definitivo coube ao arquiteto Eugénio dos Santos, do Senado da Câmara, secundado pelo húngaro Carlos Mardel, que assumiu a direção das obras após a morte de Santos, em 1760. Sobre a malha labiríntica anterior impôs-se um traçado ortogonal de quarteirões geométricos, articulado entre duas grandes praças: o Terreiro do Paço, reconvertido na monumental Praça do Comércio aberta ao rio Tejo, e o Rossio. A Rua Augusta tornou-se o eixo principal deste sistema.

A gaiola pombalina e a engenharia antissísmica

A inovação mais célebre do período é a gaiola pombalina, uma estrutura tridimensional de madeira — pilares, vigas e cruzes de Santo André — embebida nas paredes de alvenaria. Inspirada em técnicas de carpintaria naval, esta armação flexível permitia que o edifício absorvesse as deformações de um sismo, deformando-se sem ruir. Daí a fórmula que ficou célebre: o prédio “treme, mas não cai”.

A reconstrução pombalina é apontada como um dos primeiros sistemas construtivos europeus deliberadamente concebido para resistir a sismos, antecipando em quase dois séculos a engenharia antissísmica moderna.

A racionalização não se limitou à estrutura. Os edifícios obedeciam a tipologias normalizadas, com altura, número de pisos e desenho de fachada padronizados, recorrendo a elementos pré-fabricados — cantarias, caixilhos e gradeamentos — produzidos em série. Esta lógica de economia e repetição reflete-se na sobriedade das fachadas, de inspiração classicizante, que aproxima o pombalino do espírito do neoclassicismo então emergente em Portugal.

Linguagem, ornamento e legado

Embora marcado pela contenção, o pombalino desenvolveu uma estética própria. As superfícies azulejadas, com padrões de fabrico industrializado conhecidos como azulejo pombalino, revestem interiores e pátios com soluções económicas mas de grande efeito decorativo. A calçada portuguesa, com os seus mosaicos de calcário em preto e branco, e o desenho cuidado do mobiliário urbano completam um conjunto de notável coerência.

O resultado — a chamada Baixa Pombalina — constitui o coração histórico de Lisboa e um marco do urbanismo iluminista. O seu valor patrimonial está reconhecido na candidatura da Lisboa Pombalina à Lista do Património Mundial da UNESCO. Para além da capital, o vocabulário pombalino influenciou a reconstrução de localidades como Vila Real de Santo António, no Algarve, irradiando para todo o país uma matriz de racionalidade que se inscreve de forma singular nos períodos e estilos da arquitetura portuguesa.

Perguntas frequentes

O que é o estilo pombalino?
É o estilo arquitetónico e urbanístico desenvolvido em Portugal na reconstrução de Lisboa após o terramoto de 1755, marcado por traçados ortogonais, fachadas sóbrias e padronizadas e estruturas antissísmicas em madeira.
O que é a gaiola pombalina?
É a estrutura tridimensional de madeira embebida nas paredes dos edifícios pombalinos, concebida para absorver os abalos sísmicos. Daí a expressão de que o edifício 'treme, mas não cai'.
Quem concebeu a reconstrução pombalina?
Foi dirigida pelo engenheiro-mor Manuel da Maia, sob impulso do Marquês de Pombal, com projeto dos arquitetos Eugénio dos Santos e, após 1760, Carlos Mardel.

Fontes

  1. Estilo pombalino — Wikipédia
  2. Terramoto de 1755 e Reconstrução Pombalina — Infopédia