Períodos & Estilos

Neoclassicismo em Portugal

O Neoclassicismo em Portugal: o regresso à ordem clássica entre finais do século XVIII e meados do XIX, da escola do Porto a Lisboa.

Neoclassicismo em Portugal
Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL, CC BY-SA 2.0 — Wikimedia Commons

O Neoclassicismo foi o movimento artístico que, em reação ao exuberante Barroco e ao mais delicado Rococó, propôs o regresso à clareza, à simetria e à ordem da Antiguidade greco-romana. Em Portugal afirmou-se com particular atraso e fisionomia própria: surgiu apenas no último quartel do século XVIII — cerca de 1770 — e prolongou-se até meados do século XIX, sobrepondo-se a outras correntes e, em alguns casos, sobrevivendo até ao início do século XX.

Um arranque condicionado pelo terramoto

A cronologia portuguesa explica-se por um acontecimento decisivo: o terramoto de 1755. Enquanto a Europa descobria o gosto neoclássico, Lisboa empenhava-se na reconstrução pombalina, um sistema construtivo pré-fabricado e antissísmico que, ao despojar a arquitetura de ornamento, já anunciava uma sobriedade de raiz clássica. Esse pragmatismo da reedificação condicionou o desenvolvimento normal do Neoclassicismo, impondo-lhe uma periodização distinta da do resto do continente e adiando a chegada de um vocabulário erudito de inspiração antiga.

Em Portugal, a austeridade não veio primeiro da teoria estética, mas da necessidade de reconstruir uma capital arrasada — e foi essa contenção forçada que preparou o terreno para o ideal clássico.

A primazia do Porto

Ao contrário do que seria de esperar, o impulso inicial partiu do Norte e não da capital. No Porto, a importante comunidade britânica ligada ao comércio do vinho favoreceu a entrada de modelos ingleses, por vezes de feição quase neopaladiana. O Hospital de Santo António, projetado pelo arquiteto inglês John Carr, e a Feitoria Inglesa, de John Whitehead, fixaram um repertório de fachadas regulares, frontões e ordens sóbrias que marcaria a cidade. Esta vitalidade ajuda a compreender a génese da chamada escola do Porto e prolongou-se em obras posteriores como o monumental Palácio da Bolsa.

A figura maior do Neoclassicismo nortenho foi Carlos Amarante (1748–1815), engenheiro e arquiteto que transitou do final do Barroco para a nova linguagem. A ele se deve a célebre escadaria do Santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga, cujo traçado geometrizado e ascensão cenográfica condensam a passagem de um estilo para o outro.

Lisboa, a influência italiana e a pintura

Em Lisboa, o gosto clássico chegou sobretudo por via italiana. O Teatro Nacional de São Carlos, erguido em 1792–1793 segundo projeto de José da Costa e Silva (1747–1819), inspirou-se nos grandes teatros de ópera de Milão e de Nápoles e tornou-se um dos símbolos do estilo na capital. O Palácio Nacional da Ajuda, iniciado em 1795 por Costa e Silva e Francisco Xavier Fabri, constituiu a mais ambiciosa empresa régia do período, ainda que nunca plenamente concluída segundo o plano original.

Na pintura, o Neoclassicismo encontrou expressão em Vieira Portuense (1765–1805), formado em Roma e introdutor da pintura de história, e sobretudo em Domingos António de Sequeira (1768–1837), pintor de corte que dominou a luz e a composição e cuja obra faz já a ponte para a sensibilidade seguinte. O esgotamento deste classicismo abriria caminho ao Romantismo e aos revivalismos que dominariam a segunda metade do século XIX.

Mais do que uma simples importação de modelos, o Neoclassicismo português foi um diálogo: entre a herança barroca, a engenharia pombalina e os ideais clássicos vindos de Inglaterra e de Itália. Esse cruzamento conferiu-lhe um equilíbrio sóbrio e uma identidade reconhecível dentro do panorama dos períodos e estilos da arte portuguesa.

Perguntas frequentes

Quando surgiu o Neoclassicismo em Portugal?
Afirmou-se no último quartel do século XVIII, por volta de 1770, e prolongou-se até meados do século XIX, mais tarde do que na restante Europa.
Onde nasceu o gosto neoclássico português?
Teve a sua primeira grande expressão no Porto, favorecida pela influência da colónia britânica ligada ao comércio do vinho, antes de se estender a Lisboa.
Quem foi Carlos Amarante?
Carlos Amarante (1748–1815) foi um dos principais arquitetos do Neoclassicismo no Norte, autor da escadaria do Bom Jesus do Monte, em Braga, e de obras no Porto.

Fontes

  1. Neoclassicismo em Portugal — Wikipédia
  2. Arquitetura neoclássica em Portugal — Wikipédia
  3. Teatro Nacional de São Carlos — Wikipédia