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Monumentos
Igreja da Conceição Velha (Lisboa)
Igreja da Conceição Velha, na Baixa de Lisboa: o notável portal manuelino sobrevivente do terramoto de 1755 e a antiga sede da Misericórdia régia.
- Localização
- Lisboa, Lisboa
- Construção
- 1534
- Estilo
- Manuelino e pombalino
A Igreja da Conceição Velha ergue-se na Rua da Alfândega, em pleno coração mercantil da Baixa de Lisboa, a poucos passos da Praça do Comércio e da Casa dos Bicos. A sua fachada, dominada por um portal manuelino de excecional riqueza, é uma das mais surpreendentes sobrevivências da Lisboa anterior ao terramoto de 1755 — um fragmento intacto de um esplendor que o sismo, em larga medida, apagou.
Da Misericórdia ao terramoto
O templo que aqui existia antes da catástrofe era a Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia, sede da primeira Santa Casa do reino, fundada em 1498 sob o patrocínio da rainha D. Leonor de Viseu. Mandada construir por D. Manuel I e concluída já no reinado de D. João III, em 1534, com traça atribuída ao mestre João de Castilho — o mesmo que dirigiu as obras do Mosteiro dos Jerónimos —, era considerada o segundo maior templo manuelino de Lisboa, logo a seguir ao conjunto de Belém.
O sismo de 1 de novembro de 1755 e o incêndio que se lhe seguiu reduziram a igreja a ruínas. Como tantos outros edifícios da cidade, foi vítima da mesma força que arruinou o Convento do Carmo, cuja nave em ruínas permanece até hoje como memorial do desastre.
O portal sobrevivente
Do antigo edifício resistiu, quase milagrosamente, o portal lateral sul, juntamente com duas janelas quinhentistas e alguns elementos esculpidos. Estes foram cuidadosamente reaproveitados na reconstrução, passando a constituir a fachada principal da nova igreja. O portal desenvolve-se em arcos sucessivos densamente povoados de motivos da gramática manuelina, encimados por um tímpano onde se figura Nossa Senhora da Misericórdia: o seu manto, sustido por dois anjos, abriga sob a sua proteção o rei D. Manuel I, a rainha D. Leonor e diversas figuras da corte e da Igreja.
A Conceição Velha é menos um edifício do que uma memória colada a outro: a pele manuelina de um templo desaparecido, enxertada num corpo pombalino reconstruído de raiz.
A obra de reedificação foi promovida por D. José I e ficou a cargo do arquiteto Francisco António Ferreira, dito Cangalhas. O resultado é um templo de identidade dupla, em que a fachada quinhentista contrasta deliberadamente com o interior sóbrio de feição pombalina, erguido segundo os critérios racionais que orientaram a reconstrução da Baixa.
Significado e classificação
A designação “Velha” distingue esta igreja da Conceição Nova, e sublinha a antiguidade do culto que aqui se manteve. Mais do que um monumento isolado, a Conceição Velha integra o pequeno e precioso conjunto de testemunhos manuelinos que escaparam ao terramoto, ao lado dos Jerónimos e da Torre de Belém — referências incontornáveis para compreender a arte do reinado de D. Manuel I, distinta da linguagem das grandes catedrais medievais da cidade.
A igreja foi classificada como Monumento Nacional em 1910, no primeiro grande arrolamento do património português, e permanece em funções de culto. Intervenções de conservação recentes devolveram legibilidade à escultura do portal, garantindo a continuidade de um dos episódios mais expressivos do manuelino civil e religioso da capital.
Perguntas frequentes
- Porque é que a Igreja da Conceição Velha é importante?
- Conserva um dos mais notáveis portais manuelinos de Lisboa, raro sobrevivente do terramoto de 1755, e ocupa o lugar da antiga igreja da Misericórdia, em tempos o segundo maior templo manuelino da cidade depois dos Jerónimos.
- O portal manuelino é original?
- Sim. O portal lateral e alguns elementos quinhentistas resistiram ao sismo de 1755 e foram reintegrados na reconstrução pombalina, mantendo a escultura original do tímpano.
- Onde fica a Igreja da Conceição Velha?
- Na Rua da Alfândega, na Baixa de Lisboa, entre a Praça do Comércio e a Casa dos Bicos, na freguesia de Santa Maria Maior.
Fontes
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