Patrimónios Estudos sobre o património cultural português

Monumentos

Convento e Igreja do Carmo (Lisboa)

O Convento do Carmo, em Lisboa: a grande igreja gótica que o terramoto de 1755 deixou a céu aberto, hoje ruína-memorial e sede do Museu Arqueológico do Carmo.

Perguntas frequentes Fontes
Ruínas da Igreja do Convento do Carmo, Lisboa
Mogadir, CC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons
Localização
Lisboa, Lisboa
Construção
1389–1423
Estilo
Gótico mendicante

No alto da colina que separa a Baixa do Bairro Alto, junto ao Chiado, as arcadas quebradas do Convento do Carmo erguem-se contra o céu de Lisboa. A grande nave gótica da sua igreja, despojada da abóbada e aberta diretamente para o céu, é provavelmente a ruína mais célebre da cidade: ao mesmo tempo uma das mais belas obras da arquitetura medieval portuguesa, memorial do terramoto de 1755 e sede de um dos mais antigos museus do país. Convento e igreja designam o mesmo conjunto — a igreja era o núcleo monumental da casa carmelita, e é ela que hoje se visita.

Fundação e apogeu

O convento foi fundado em 1389 por D. Nuno Álvares Pereira, o Condestável que comandara as tropas portuguesas na batalha de Aljubarrota e que financiou a obra com os proventos das suas vitórias militares. A construção da igreja decorreu sobretudo entre o final do século XIV e a década de 1420. Em 1423, o próprio fundador renunciou aos seus bens e professou na ordem, recolhendo-se como frade carmelita ao convento que mandara edificar.

O templo seguia uma planta em cruz latina, com três naves e uma cabeceira de capela-mor flanqueada por absidíolas, num gótico mendicante de grande sobriedade, próximo da linguagem que então se erguia no Mosteiro da Batalha, também ele monumento votivo da dinastia de Avis. Com as suas amplas naves e arcos apontados, a igreja do Carmo afirmou-se como o mais imponente templo gótico de Lisboa, rivalizando em escala com a própria Sé de Lisboa. À sua volta cresceu uma vasta cerca conventual que abrangia boa parte da colina.

O terramoto e a ruína que ficou

Na manhã de 1 de novembro de 1755, dia de Todos os Santos, com a igreja repleta de fiéis reunidos para a missa, o grande sismo abateu-se sobre Lisboa. A abóbada e a cobertura da nave ruíram, e o incêndio que se seguiu consumiu o que restava do interior. Ao contrário de tantos outros edifícios reconstruídos no esforço que reergueu a Baixa segundo os princípios da Lisboa pombalina, a igreja do Carmo nunca foi reedificada.

No reinado de D. Maria I iniciou-se uma reconstrução em estilo neogótico, mas os trabalhos foram interrompidos com a extinção das ordens religiosas, em 1834. Ao longo do século XIX, num tempo já marcado pelo gosto romântico pelas ruínas medievais, as naves ficaram a descoberto, e a ruína consolidou-se como parte da identidade de Lisboa.

Deixar o Carmo a céu aberto foi, mais do que uma resignação, uma escolha: poucos lugares na Europa conservam, à escala de um templo inteiro, a marca física de um cataclismo que mudou a forma de pensar a cidade e a natureza.

Museu Arqueológico do Carmo

Em 1864, a antiga igreja foi entregue à Associação dos Arqueólogos Portugueses, que ali instalou, sob a direção de Joaquim Possidónio Narciso da Silva, o Museu Arqueológico do Carmo. Sob as arcadas e nas capelas da cabeceira reúne-se uma coleção heterogénea: túmulos góticos, epigrafia romana e medieval, fragmentos arquitetónicos, vestígios romanos e árabes, azulejaria e curiosidades como múmias pré-colombianas — uma espécie de gabinete da própria história da arqueologia portuguesa.

Um lugar da história de Lisboa

O Largo do Carmo, à porta do antigo convento, ficou também inscrito na história contemporânea: foi no Quartel do Carmo que, a 25 de abril de 1974, se refugiou e rendeu Marcelo Caetano, o último presidente do Conselho do Estado Novo, encerrando a Revolução dos Cravos diante das ruínas medievais. A expressão popular «cair o Carmo e a Trindade» guarda ainda hoje a memória deste lugar.

Classificado como Monumento Nacional desde 1907, o Carmo integra o circuito do património religioso da capital, ao lado de obras como a Igreja de São Roque e dos demais conventos e igrejas que marcam a história da cidade, entre a colina do Castelo de São Jorge e o rio. Entre a contemplação da nave aberta e a visita ao museu, permanece um dos lugares mais expressivos para compreender simultaneamente o gótico português e o impacto do maior terramoto da história nacional.

Perguntas frequentes

Convento do Carmo e Igreja do Carmo são o mesmo monumento?
Sim. A igreja era o núcleo monumental do convento carmelita fundado em 1389 no alto do Chiado. As ruínas que hoje se visitam são as da igreja conventual, e os dois nomes designam o mesmo conjunto classificado.
Porque é que a igreja do Carmo está sem telhado?
O terramoto de 1 de novembro de 1755 fez ruir a abóbada e a cobertura da nave, e o incêndio que se seguiu consumiu o interior. A reconstrução neogótica iniciada no reinado de D. Maria I foi interrompida em 1834, e as naves ficaram a céu aberto como testemunho da catástrofe.
Quem fundou o Convento do Carmo?
D. Nuno Álvares Pereira, o Condestável que comandara as armas portuguesas em Aljubarrota. Fundou o convento em 1389 com os proventos das suas campanhas e nele professou como frade carmelita em 1423.
O que se pode visitar hoje no Carmo?
As naves góticas a descoberto e o Museu Arqueológico do Carmo, instalado em 1864 pela Associação dos Arqueólogos Portugueses, com túmulos medievais, epigrafia romana e medieval, fragmentos arquitetónicos, azulejaria e múmias pré-colombianas.

Fontes

  1. Convento do Carmo (Lisboa) — Wikipédia
  2. Museu Arqueológico do Carmo
  3. Convento do Carmo — SIPA (Sistema de Informação para o Património Arquitetónico)
  4. Wikidata — Convento do Carmo (Q1470414)

Continue a explorar

Património por perto

Outros lugares para descobrir a partir daqui. Distâncias aproximadas em linha reta, até 50 km.

Explorar o atlas