Monumentos
Igreja de São Roque (Lisboa)
Igreja de São Roque, em Lisboa: templo jesuíta maneirista no Largo Trindade Coelho, célebre pela opulenta Capela de São João Baptista feita em Roma.
A Igreja de São Roque, no Largo Trindade Coelho, em Lisboa, é um dos templos mais singulares da cidade: por fora, uma fachada sóbria e quase austera; por dentro, um dos interiores mais ricos do barroco português. Foi a primeira igreja da Companhia de Jesus construída em território português e uma das primeiras igrejas jesuítas do mundo, marco fundador de um modelo de espaço de culto pensado para a pregação.
Da ermida de peste à casa professa jesuíta
A devoção a São Roque, invocado contra a peste, fixou-se neste alto da cidade no início do século XVI, quando ali existia uma pequena ermida junto a um cemitério de empestados. Em meados de Quinhentos, o local foi cedido aos jesuítas, que aqui ergueram a sua casa professa. A igreja atual começou a ser edificada em 1553 e prolongou-se até cerca de 1619, com traça atribuída a Afonso Álvares e a Filippo Terzi.
O resultado é uma das obras mais representativas do maneirismo religioso em Portugal. A planta de nave única, larga e desafogada, sem grandes obstáculos visuais, corresponde ao chamado modelo de “igreja-salão” ou igreja de pregação, concebido para que a assembleia pudesse ver e ouvir o pregador. O teto plano, pintado em perspetiva ilusionista, é uma das suas peças mais notáveis e dialoga com a tradição decorativa que percorre vários períodos e estilos da arquitetura nacional.
A Capela de São João Baptista, feita em Roma
O ponto alto de São Roque é a Capela de São João Baptista, encomendada por D. João V e materialização do gosto magnificente do seu reinado. Projetada por Luigi Vanvitelli e Nicola Salvi, foi integralmente construída e montada em Roma, com mármores raros, lápis-lazúli, ágata, alabastro, bronzes dourados e mosaicos que imitam pintura. Abençoada pelo Papa Bento XIV em 1744, foi depois desmontada, transportada por mar e remontada em Lisboa em 1747.
Poucas obras revelam com tanta clareza a escala da ambição joanina: uma capela inteira, encomendada à distância e financiada com o ouro do Brasil, transportada peça a peça de Roma para um recanto de Lisboa.
A capela tornou São Roque um caso quase único na Europa — um interior de aparato italiano dentro de uma igreja portuguesa — e o seu tesouro de paramentos e alfaias litúrgicas, hoje em parte exposto no museu anexo, conta-se entre os mais valiosos do país.
Sobrevivência, Misericórdia e património
A robustez da igreja revelou-se decisiva em 1755: ao contrário de tantos templos lisboetas arruinados pelo terramoto, São Roque resistiu praticamente intacta. Por isso foi entregue à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que ali transferiu a sua sede depois de perder a igreja primitiva, próxima da Sé de Lisboa. Essa ligação institucional mantém-se até hoje, e a Misericórdia gere o conjunto da igreja e do Museu de São Roque.
Classificada como Monumento Nacional em 1910, a igreja integra o circuito do património religioso da capital, ao lado de obras como a Igreja de Santa Engrácia (Panteão Nacional) e o conjunto monumental que a futura candidatura da Lisboa pombalina procura valorizar. Entre as nove capelas, os tetos pintados e o seu acervo de arte sacra, São Roque permanece um dos lugares essenciais para compreender o barroco e o maneirismo portugueses, e uma das paragens incontornáveis entre os monumentos de Portugal.
Perguntas frequentes
- Porque é famosa a Capela de São João Baptista?
- Foi encomendada por D. João V, projetada e executada em Roma com mármores raros, lápis-lazúli, ágata e mosaicos, abençoada pelo Papa Bento XIV em 1744 e depois desmontada e remontada em Lisboa. É considerada uma das capelas mais dispendiosas da Europa do seu tempo.
- A Igreja de São Roque sobreviveu ao terramoto de 1755?
- Sim. O templo resistiu ao sismo de 1755 quase sem danos. Foi então entregue à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que ali instalou a sua sede após a destruição da igreja original.
- Pode visitar-se o interior e o museu?
- Sim. A igreja mantém culto e está aberta a visitantes, e ao lado funciona o Museu de São Roque, com arte sacra e o tesouro da capela, sob gestão da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.