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Linhares da Beira
Linhares da Beira, aldeia histórica do concelho de Celorico da Beira, na encosta da Serra da Estrela, com castelo medieval, pelourinho e fórum.
Encavalitada numa encosta granítica que domina o vale do Mondego e a fronteira noroeste da Serra da Estrela, Linhares da Beira é uma das aldeias históricas mais bem conservadas das Beiras. As suas casas de pedra, ruas estreitas em xadrez irregular e a silhueta de duas torres ameadas compõem um conjunto urbano de feição medieval que pouco se alterou ao longo dos séculos. Pertence ao concelho de Celorico da Beira, no distrito da Guarda, e situa-se a cerca de 810 metros de altitude, posição que lhe valeu o estatuto de povoado-sentinela sobre as terras em redor.
Origens e foral
A ocupação do sítio é muito anterior à nacionalidade. O esporão rochoso terá albergado um castro pré-romano, depois aproveitado pelos romanos numa região de passagem entre a Lusitânia interior e o litoral. Com a formação do reino, Linhares recebeu de D. Afonso Henriques o seu primeiro foral, em 1169, que a constituiu em vila e cabeça de concelho — condição que manteve até às reformas administrativas de meados do século XIX. Em 1510, D. Manuel I concedeu-lhe novo foral, inscrevendo-a na grande reforma forale do reinado.
O topónimo “Linhares” remete para os campos de linho que durante séculos sustentaram a economia local, num tempo em que o cultivo e a fiação desta fibra marcavam o quotidiano das aldeias serranas.
O castelo e o casario
O elemento que mais define o perfil da aldeia é o seu castelo medieval, erguido no século XIII e classificado como Monumento Nacional desde 1922. Implantado sobre os penedos mais altos, conserva o pano de muralha, a torre de menagem e a chamada torre do relógio, além de cisternas talhadas na rocha que asseguravam água em tempo de cerco. Do adarve descortina-se uma vista ampla sobre a planície beirã, onde a tradição faz de Linhares um ponto de partida apreciado pelos praticantes de voo livre.
Aos pés da fortaleza estende-se o casario de granito, pontuado por janelas e portais que revelam várias épocas. A igreja matriz, dedicada a Nossa Senhora da Assunção, conserva no corpo elementos manuelinos e barrocos, sinal das sucessivas campanhas que renovaram um templo de raízes medievais.
Pelourinho e fórum medieval
No coração da aldeia ergue-se o pelourinho quinhentista, símbolo da autonomia municipal reafirmada pelo foral manuelino. Junto dele subsiste um conjunto raro em Portugal: uma pequena tribuna de pedra em torno de uma mesa, identificada como fórum medieval, o lugar onde se proclamavam as decisões da comunidade e se cobravam tributos. É um testemunho excecional da organização concelhia tardo-medieval, que sobreviveu à perda do estatuto de vila.
Linhares integra desde 1991 a rede das Aldeias Históricas de Portugal, programa que recuperou um conjunto de povoações graníticas do interior beirão. A sua leitura ganha sentido em diálogo com aldeias vizinhas de idêntica matriz fronteiriça, como Marialva e Trancoso, todas elas marcas de uma raia que durante séculos articulou defesa, comércio e povoamento.
Perguntas frequentes
- Onde fica Linhares da Beira?
- Linhares da Beira é uma freguesia do concelho de Celorico da Beira, distrito da Guarda, situada a cerca de 810 metros de altitude numa encosta noroeste da Serra da Estrela.
- Porque é considerada uma Aldeia Histórica de Portugal?
- Foi integrada em 1991 na rede das Aldeias Históricas de Portugal pelo valor do seu conjunto medieval: o castelo, o casario granítico, o pelourinho e o raro fórum de pedra ao ar livre.
- Quando recebeu Linhares o seu foral?
- O primeiro foral foi concedido por D. Afonso Henriques em 1169; D. Manuel I outorgou-lhe novo foral em 1510, no âmbito da reforma forale.