Monumentos
Paço dos Duques de Bragança (Guimarães)
Paço dos Duques de Bragança, em Guimarães: paço senhorial quatrocentista de inspiração borgonhesa, Monumento Nacional e museu no coração da cidade-berço.
No alto da colina Sagrada, junto ao Castelo de Guimarães e à capela de São Miguel, ergue-se o Paço dos Duques de Bragança, o mais singular paço senhorial tardo-medieval que sobreviveu em Portugal. A sua silhueta densa de telhados íngremes e dezenas de chaminés cilíndricas distingue-o de imediato de qualquer outra residência nobre da Península Ibérica, marcando a paisagem da cidade-berço da nacionalidade.
Um paço de inspiração borgonhesa
O paço foi mandado construir por D. Afonso, filho ilegítimo de D. João I e primeiro Duque de Bragança, entre 1420 e 1433, por ocasião do seu segundo casamento com D. Constança de Noronha. O programa do edifício reflete o gosto adquirido pelo duque nas suas viagens pela Europa: as coberturas de fortes vertentes, as quatro torres angulares e as numerosas chaminés tubulares evocam a arquitetura senhorial da Europa setentrional, em particular o ambiente borgonhês então em voga nas cortes europeias.
Trata-se de uma casa fortificada de vastas dimensões, organizada em torno de um pátio central, com galerias e amplas salas de aparato. O resultado é um exemplar praticamente único no contexto ibérico, onde a tradição residencial nobre seguiu caminhos arquitetónicos bem distintos.
Mais do que uma fortaleza, o paço foi pensado como cenário de prestígio: uma corte senhorial que ostentava, na pedra e nas chaminés, a ligação da Casa de Bragança aos círculos da nobreza europeia.
Abandono e reconstrução
Habitado sobretudo no século XV, o paço entrou em declínio quando a Casa de Bragança transferiu a sua residência principal para o Paço Ducal de Vila Viçosa, no Alentejo. Ao longo dos séculos seguintes degradou-se progressivamente, chegando ao século XX em ruína avançada e servindo mesmo, durante algum tempo, de aquartelamento militar.
A sua recuperação foi uma das obras mais ambiciosas e controversas do restauro patrimonial em Portugal. Entre 1937 e 1959 decorreu uma ampla intervenção de reconstrução, a partir de projeto do arquiteto Rogério de Azevedo, integrada na política de monumentos do Estado Novo. A obra reedificou grande parte das estruturas perdidas e dotou o paço de uma função representativa, transformando-o em residência oficial do chefe de Estado na zona norte do país — papel que parcialmente ainda mantém.
Museu e Monumento Nacional
Classificado como Monumento Nacional desde 1910, o paço alberga hoje um museu cujas coleções incluem tapeçarias flamengas e francesas, tapetes orientais, mobiliário, porcelana chinesa, armaria e pintura, com destaque para obras associadas à Casa de Bragança. As salas restauradas recriam o ambiente de uma residência aristocrática, enquanto o piso nobre conserva a sua vocação de espaço de receção oficial.
A poucos passos do castelo e do centro histórico, o paço integra o conjunto monumental que valeu a Guimarães a inscrição na lista do Património Mundial da UNESCO. Visitá-lo é percorrer, num só lugar, a memória da fundação da monarquia portuguesa e o gosto cosmopolita de uma das mais poderosas casas senhoriais do reino. Para enquadrar este monumento na tipologia dos paços e residências reais, vale a pena cruzá-lo com os palácios que prolongaram, em épocas posteriores, esta tradição de morada nobre.
Perguntas frequentes
- Quem mandou construir o Paço dos Duques de Bragança?
- Foi mandado erguer por D. Afonso, primeiro Duque de Bragança e filho ilegítimo de D. João I, por volta do seu segundo casamento, com D. Constança de Noronha, entre 1420 e 1433.
- O Paço dos Duques pode ser visitado?
- Sim. O paço funciona como museu, com coleções de tapeçarias, mobiliário, faiança e pintura. Parte do edifício serve ainda de residência oficial da Presidência da República na zona norte.
- Porque tem o paço chaminés cilíndricas tão características?
- As coberturas inclinadas e as numerosas chaminés cilíndricas refletem a influência da arquitetura senhorial do norte da Europa, um modelo raro na Península Ibérica.