Monumentos
Casa de Mateus
A Casa de Mateus, em Vila Real, é o solar barroco atribuído a Nicolau Nasoni, ícone da arquitetura senhorial transmontana e do Douro.
- Localização
- Vila Real, Vila Real
- Construção
- c. 1739–1745
- Estilo
- Barroco
A Casa de Mateus, também designada por Palácio de Mateus, ergue-se na freguesia de Mateus, nos arredores de Vila Real, em pleno coração transmontano à entrada da região do Alto Douro Vinhateiro. É um dos exemplares mais celebrados da arquitetura senhorial barroca em Portugal e, graças à sua reprodução no rótulo de um conhecido vinho, talvez a fachada nobre mais reconhecida do país. Foi classificada como Monumento Nacional em 1910.
Uma encenação barroca
A casa foi mandada construir na primeira metade do século XVIII por António José Botelho Mourão, 3.º morgado de Mateus, substituindo uma residência familiar anterior já documentada no local desde o século XVI. A traça atual, organizada em planta em U em torno de um pátio de honra fronteiro, é tradicionalmente atribuída a Nicolau Nasoni, o artista italiano que marcou indelevelmente o barroco do Norte — o mesmo responsável pela Torre dos Clérigos no Porto. Segundo o historiador Robert Smith, Nasoni ter-se-á dedicado à fachada e à decoração entre cerca de 1739 e 1743.
O alçado principal é uma autêntica encenação cenográfica: janelas de sacada, cornijas recortadas, balaústres, fogaréus, estatuária e as características chaminés conferem ao conjunto um dinamismo e uma verticalidade que diluem a fronteira entre arquitetura e escultura. Uma escadaria nobre de duplo lanço conduz ao corpo central, encimado pelo brasão da família, num jogo de claro-escuro tipicamente nasoniano.
Mais do que uma casa, Mateus é um cenário: cada chaminé, cada pináculo e cada reflexo no espelho de água foi pensado para ser contemplado de longe, como uma fachada de igreja transposta para o domínio do privado.
A capela e os jardins
Adossada ao corpo da casa, a capela foi concluída em 1750 e repete, em escala menor, o mesmo vocabulário ornamental da fachada, com volutas e remates movimentados. Frente ao solar estende-se um amplo espelho de água que duplica a imagem do edifício, recurso barroco que multiplica o efeito monumental do conjunto.
Os jardins, embora reformulados ao longo do tempo, são hoje uma das maiores atrações: destacam-se os buxos recortados em formas geométricas e, sobretudo, o célebre túnel de cedros — uma galeria vegetal viva com várias dezenas de metros, plantada no século XIX. O parque integra ainda pomares, alamedas e esculturas contemporâneas, dialogando o rigor formal francês com a paisagem agrícola do planalto.
Da família à fundação
A propriedade permaneceu na posse da família Sousa Botelho ao longo dos séculos, atravessando episódios marcantes da história nacional — foi aqui que, no século XVIII, se imprimiu uma luxuosa edição d’Os Lusíadas ilustrada. Em 1961, por iniciativa do 6.º conde de Vila Real, a casa abriu pela primeira vez ao público, e em 1970 foi instituída a Fundação da Casa de Mateus, que hoje administra o conjunto como centro cultural, museu, arquivo e residência artística, promovendo concertos, encontros científicos e cursos.
Pela qualidade da sua arquitetura e pela coerência entre edifício, capela, água e jardim, a Casa de Mateus inscreve-se na primeira linha do património senhorial português, ao lado de conjuntos régios como o Palácio Nacional de Sintra e os grandes paços e residências nobres que estruturam a identidade arquitetónica do país. Quem desce daqui ao Porto reencontra, na obra de Nasoni, o mesmo génio que deu forma a esta joia de Trás-os-Montes.
Perguntas frequentes
- Quem projetou a Casa de Mateus?
- A autoria da fachada e da decoração é tradicionalmente atribuída ao arquiteto italiano Nicolau Nasoni, ativa no Porto e no Norte de Portugal na primeira metade do século XVIII, embora não exista documento que a confirme em definitivo.
- A Casa de Mateus está relacionada com o vinho Mateus Rosé?
- Sim. A fachada do solar figura no rótulo do vinho Mateus Rosé desde meados do século XX, mediante acordo com a família, o que tornou a imagem da casa mundialmente conhecida. A produção do vinho, porém, é independente da propriedade.
- É possível visitar a Casa de Mateus?
- Sim. A Fundação da Casa de Mateus mantém a casa, a capela e os jardins abertos ao público desde 1961, com visitas guiadas, exposições e atividades culturais ao longo do ano.
Fontes
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