Património Imaterial

Procissões da Semana Santa de Braga

As procissões da Semana Santa de Braga, das maiores e mais antigas de Portugal: os farricocos, a Procissão da Burrinha e o Enterro do Senhor.

As procissões da Semana Santa de Braga constituem o ciclo de celebrações pascais mais imponente e divulgado de Portugal. Decorrendo na cidade que cedo se afirmou como sede arquiepiscopal e capital religiosa do país — a chamada “Roma portuguesa” —, atraem milhares de visitantes às ruas do centro histórico, sobretudo para as grandes procissões noturnas, marcadas por centenas de figurantes, andores barrocos e uma atmosfera de profunda religiosidade popular. Em 2022, a Quaresma e as Solenidades da Semana Santa de Braga foram inscritas no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, consagrando uma tradição com raízes em finais da Idade Média.

Origens e história

A celebração da Páscoa em Braga remonta a tempos muito antigos, mas as procissões na forma que hoje conhecemos firmaram-se nos séculos XVI e XVII, no contexto da reforma tridentina e do impulso dado às confrarias e irmandades. A Procissão do Senhor Ecce Homo, organizada pela Irmandade da Misericórdia, terá origem em 1513, e a Procissão dos Passos, em 1597 — provavelmente a segunda procissão mais antiga do país. A partir de 1933, com a criação de uma comissão própria para coordenar as solenidades, o ciclo ganhou novo fôlego, integrando a Procissão do Enterro do Senhor; mais tarde, em 1998, recuperou-se a Procissão da Burrinha.

Poucas tradições portuguesas conservam, praticamente intactas, encenações litúrgicas com séculos de existência: em Braga, ritos, andores e figuras chegaram aos nossos dias quase como eram no Antigo Regime.

As grandes procissões

Cada procissão tem o seu carácter próprio. A Procissão do Senhor Ecce Homo, na noite da Quinta-feira Santa (ou Quinta-feira de Endoenças), é a mais célebre, evocando o julgamento de Cristo. Nela percorrem as ruas os farricocos, penitentes descalços e encapuzados em túnicas negras de estopa, coroados com uma corda de sisal: uns fazem soar matracas e o estridente “ruge-ruge”, outros transportam fogaréus — taças com pinhas a arder — que iluminam o cortejo numa cenografia de fogo e sombra.

A Procissão da Burrinha desenrola, em cerca de duas dezenas de quadros, episódios do Antigo Testamento por ordem cronológica, da aliança de Noé aos patriarcas, do cativeiro do Egito à libertação, culminando na infância de Jesus e na fuga da Sagrada Família — montada num pequeno burro que dá nome à procissão. Já a Procissão do Enterro do Senhor, na Sexta-feira Santa, é a mais solene e silenciosa: os farricocos abrem o cortejo, arrastando pelo chão as matracas e os fogaréus apagados, anunciando o luto pela morte de Cristo.

Significado e identidade

Mais do que espetáculo, a Semana Santa de Braga é expressão viva de uma fé secular e de uma identidade urbana. Nela se conjugam a liturgia oficial e a religiosidade popular, a tradição herdada e a inovação contínua. As confrarias, as bandas, as fardas e os ornamentos mobilizam toda a cidade, num envolvimento comunitário que ultrapassa o estritamente devocional. O conjunto dialoga com o vasto património religioso bracarense — desde a milenar Sé de Braga, coração espiritual da arquidiocese — e inscreve-se na rica tradição da Semana Santa em Portugal, de que Braga é, sem dúvida, o exemplo mais grandioso.

Perguntas frequentes

Quem são os farricocos da Semana Santa de Braga?
São penitentes encapuzados, cobertos por longas túnicas negras com apenas duas aberturas para os olhos, que percorrem as ruas descalços, em sinal de penitência e anonimato. Uns arrastam matracas de madeira, outros transportam fogaréus com pinhas em brasa.
Quais são as principais procissões da Semana Santa de Braga?
Destacam-se a Procissão dos Passos, a do Senhor Ecce Homo (com os farricocos), a Procissão da Burrinha e a Procissão do Enterro do Senhor, na Sexta-feira Santa.
A Semana Santa de Braga é Património Cultural Imaterial?
Sim. A Quaresma e as Solenidades da Semana Santa de Braga foram inscritas no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial em 2022.

Fontes

  1. Semana Santa de Braga — Wikipédia
  2. Semana Santa de Braga — Sítio Oficial
  3. Quaresma e Solenidades da Semana Santa de Braga — Património Cultural Imaterial Nacional