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Braga
Património de Braga, a romana Bracara Augusta e cidade dos arcebispos, com a Sé Catedral e o santuário do Bom Jesus do Monte, no norte de Portugal.
Syrio, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Poucas cidades portuguesas carregam um passado tão denso como Braga. Capital de distrito no coração do Minho, foi fundada pelos romanos por volta de 16 a.C. com o nome de Bracara Augusta e nunca deixou de ser, ao longo de dois milénios, um centro de poder — primeiro civil, depois sobretudo religioso. É uma das mais antigas cidades cristãs do Ocidente e a sede do mais influente arcebispado da Península.
Da Bracara romana à cidade dos arcebispos
Bracara Augusta nasceu como capital de um vasto território do noroeste peninsular e tornou-se sede administrativa da província da Galécia. Com a queda de Roma, foi escolhida pelos suevos para capital do seu reino, no século V — um dos primeiros reinos germânicos a converter-se ao cristianismo. Dessa continuidade vem a antiguidade da diocese bracarense, documentada já no século III.
Foi, porém, a Idade Média que fixou a identidade de Braga. Em 1112, a condessa D. Teresa doou a cidade ao seu arcebispo, D. Maurício Burdino, entregando o governo temporal à mitra. Os arcebispos de Braga reivindicaram o título de Primaz das Espanhas, numa longa disputa de precedência com Toledo, e moldaram a cidade à sua imagem — o que explica a densidade de igrejas, paços e seminários que ainda hoje a caracteriza.
Uma capital do barroco português
O rosto monumental de Braga é, em larga medida, barroco. No século XVIII, sob o impulso de arcebispos esclarecidos e do génio do arquiteto André Soares, a cidade renovou-se com fachadas onduladas, fontes e jardins que lhe valeram o epíteto de «Roma portuguesa». No seu centro ergue-se a Sé de Braga, a mais antiga catedral do país, iniciada no século XI sobre vestígios anteriores e marcada por sucessivas campanhas românicas, manuelinas e barrocas — um verdadeiro compêndio da história da arquitetura portuguesa num só edifício.
Dizer Braga é dizer pedra trabalhada: do românico austero da Sé ao virtuosismo do escadório do Bom Jesus, a cidade conta a história da arte sacra portuguesa quase sem interrupções.
Nos arredores, no monte Espinho, o santuário do Bom Jesus do Monte constitui o ex-líbris da cidade e o seu único bem inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO, em 2019. O seu monumental escadório de granito caiado, ascendendo entre capelas da Via Sacra, fontes e esculturas alegóricas, é um dos mais perfeitos exemplos europeus de Sacro Monte — uma encenação devocional que convida à subida penitencial até à igreja no cimo.
Devoção, mosteiros e tradição viva
A religiosidade de Braga não vive só em pedra. As procissões da Semana Santa de Braga estão entre as mais solenes do país, mobilizando a cidade inteira num ritual de séculos que combina liturgia, teatro e fervor popular. A poucos quilómetros, o Mosteiro de Tibães foi a casa-mãe da Congregação Beneditina de Portugal e do Brasil, e o seu conjunto monástico, claustros e mata constituem hoje um dos mais belos exemplos do barroco rural minhoto.
Inserida na região Norte, Braga é assim muito mais do que uma escala: é uma das chaves para compreender as raízes romanas, cristãs e barrocas de Portugal — uma cidade jovem e universitária que continua a habitar, sem cerimónia, o seu extraordinário legado.
Perguntas frequentes
- Porque se chama Braga «cidade dos arcebispos»?
- Porque a sua diocese, atestada desde o século III, foi elevada a arcebispado e os arcebispos de Braga ostentam o título de Primaz das Espanhas. A partir de 1112, a cidade foi mesmo doada à mitra, ficando o seu governo nas mãos dos prelados durante séculos.
- Que monumento de Braga é Património Mundial da UNESCO?
- O Santuário do Bom Jesus do Monte, nos arredores da cidade, foi inscrito na Lista do Património Mundial em 2019 como exemplo notável de Sacro Monte barroco, com o seu célebre escadório de granito e granito caiado.
- Qual era o nome romano de Braga?
- Bracara Augusta, fundada por volta de 16 a.C. em honra do imperador Augusto. Chegou a ser capital da província da Galécia e, mais tarde, capital do reino suevo.