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Santa Cruz da Graciosa

Santa Cruz da Graciosa, vila e sede de concelho da ilha Graciosa, nos Açores, com a sua igreja matriz, ermidas, moinhos flamengos e a Furna do Enxofre.

Santa Cruz da Graciosa
José Luís Ávila Silveira/Pedro Noronha e Costa, Public domain — Wikimedia Commons

Santa Cruz da Graciosa é a única vila e sede de concelho da ilha Graciosa, situada na sua costa norte, no grupo central do arquipélago dos Açores. Cresceu em torno de um largo central onde se conjugam duas lagoas, a igreja matriz e um casario branco que conserva a fisionomia das povoações açorianas dos séculos XVI a XVIII. A sua malha urbana preserva o traçado histórico e está classificada como conjunto de interesse, integrando-se hoje na Reserva da Biosfera da ilha Graciosa, reconhecida pela UNESCO.

História e povoamento

O povoamento da Graciosa iniciou-se na primeira metade do século XV, atraindo colonos sobretudo do norte de Portugal e da Flandres. A organização administrativa firmou-se com a chegada de Pedro Correia da Cunha, cunhado de Cristóvão Colombo, que assumiu funções de capitão do donatário. Em 1486 a povoação de Santa Cruz foi elevada a vila e sede de concelho, dotando a ilha de autoridade municipal própria, com juízes e foros, e elevando a igreja local à dignidade de matriz.

Nos séculos seguintes, a vila prosperou com a agricultura, a vinha e a exportação de cereais, vinho e urzela. A sua história militar reflete-se em fortes costeiros erguidos para defesa contra corsários, como o Forte do Corpo Santo. A partir de meados do século XX, uma intensa emigração para o Brasil e os Estados Unidos reduziu significativamente a população do concelho.

Património edificado e natural

O monumento mais notável da vila é a Igreja Matriz de Santa Cruz, cuja construção atual resultou de uma reconstrução concluída em 1701. De feição barroca, conserva elementos manuelinos no interior, designadamente na abóbada do batistério, e guarda um valioso políptico quinhentista atribuído ao Mestre de Arruda dos Vinhos. Dispersas pela vila e pelos arredores encontram-se diversas ermidas e capelas que documentam a devoção popular insular e que se integram na tradição das capelas e ermidas açorianas. Os impérios do Espírito Santo, espalhados pelas freguesias da ilha, são palco das Festas do Espírito Santo dos Açores, das mais vivas manifestações da identidade local.

A paisagem da vila é ainda marcada por moinhos de vento de tradição flamenga, com cúpulas giratórias vermelhas, e por casario que ilustra bem a arquitetura tradicional açoriana, assente no contraste entre paredes caiadas e cantarias de pedra vulcânica escura.

A Furna do Enxofre

A poucos quilómetros da vila, no interior da Caldeira da Graciosa, abre-se a Furna do Enxofre, ex-líbris da ilha e uma das cavidades vulcânicas mais singulares do arquipélago. Acede-se ao seu interior por uma torre-túnel que desce dezenas de metros até uma vasta gruta abobadada, no fundo da qual existe um lago subterrâneo de águas sulfurosas frias. Classificada como Monumento Natural Regional, a furna atrai visitantes e investigadores, sublinhando o valor geológico que distingue a Graciosa no conjunto das ilhas açorianas.

Perguntas frequentes

Onde fica Santa Cruz da Graciosa?
Situa-se na costa norte da ilha Graciosa, no grupo central do arquipélago dos Açores, sendo a única vila e sede de concelho da ilha.
O que é a Furna do Enxofre?
É uma cavidade vulcânica situada no interior da Caldeira da Graciosa, com uma vasta gruta abobadada e um lago subterrâneo de águas sulfurosas frias, classificada como Monumento Natural Regional.
Quando foi fundada a vila?
A povoação foi elevada a vila e sede de concelho em 1486, no âmbito do povoamento conduzido pelo capitão do donatário Pedro Correia da Cunha.

Fontes

  1. Santa Cruz da Graciosa — Wikipédia
  2. Igreja Matriz de Santa Cruz — Wikipédia
  3. Reservas da Biosfera — Ilha Graciosa