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Sé de Aveiro (São Domingos)

A Sé de Aveiro, antiga igreja do convento de São Domingos elevada a catedral em 1938, com portal barroco de 1719, junto à ria, no distrito de Aveiro.

Sé de Aveiro (São Domingos)
Duca696, CC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons

A Sé de Aveiro, também conhecida como Igreja de São Domingos, é a catedral da Diocese de Aveiro e um dos monumentos mais emblemáticos da cidade lagunar. Implantada junto ao antigo coração urbano, a poucos passos dos canais que ligam a cidade à ria, resulta de uma longa estratificação de campanhas construtivas que partiram de um convento medieval e culminaram na fachada barroca que hoje a identifica.

Do convento dominicano à catedral

As origens do templo remontam a 1423, ano em que foi fundado o convento de São Domingos, o primeiro a erguer-se dentro do perímetro muralhado da então vila de Aveiro. Ao longo dos séculos XVI e XVII a igreja conventual foi sucessivamente ampliada e remodelada, refletindo a importância crescente da comunidade dominicana na região.

Com a extinção das ordens religiosas em 1834, o convento perdeu a sua função monástica e a igreja passou a servir como matriz, sob a invocação de Nossa Senhora da Glória. O ponto alto da sua história ocorreu em 1938, quando, com a restauração da Diocese de Aveiro por bula do papa Pio XI, o antigo templo dominicano foi elevado à dignidade de catedral. Está classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1996.

A trajetória do edifício — de convento a matriz e, por fim, a sé — espelha a própria história institucional da cidade de Aveiro, cuja afirmação como centro religioso só se consolidou no século XX.

A fachada barroca de 1719

O elemento mais notável do exterior é o portal, datado de 1719 e comummente atribuído ao escultor francês Claude Laprade. A intervenção desta época conferiu à frontaria, originalmente maneirista, a sua fisionomia barroca. O corpo central organiza-se em torno de um portal emoldurado por pares de colunas torsas e rematado por nicho e frontão curvo, animado por farta ornamentação.

No conjunto sobressaem as imagens das três virtudes teologais — Fé, Esperança e Caridade — bem como o brasão associado ao Infante D. Pedro, envolto em folhagem e enquadrado por simbologia dominicana. Diante da igreja ergue-se ainda o Cruzeiro de São Domingos, padrão pétreo seiscentista que pontua o adro e prolonga a leitura barroca do espaço. Este vocabulário insere a Sé no panorama mais vasto da arquitetura barroca em Portugal, de que a região centro guarda exemplares de grande qualidade.

Interior e significado

No interior, marcado por sucessivos restauros após os incêndios oitocentistas — o mais grave em 1843 —, destacam-se a talha dourada dos altares e os revestimentos azulejares que decoram a nave e a capela-mor. O coro alto e a abertura de janelas resultaram de campanhas setecentistas que reorganizaram o espaço litúrgico.

Enquanto sede episcopal, a Sé de Aveiro ocupa um lugar próprio entre as sés e catedrais portuguesas, distinguindo-se por ser uma das poucas catedrais nacionais nascida de uma igreja conventual. A sua localização, junto à ria e aos canais por onde deslizam os tradicionais barcos moliceiros, integra o monumento num dos conjuntos paisagísticos e patrimoniais mais singulares do litoral português.

Perguntas frequentes

Quando se tornou catedral a Sé de Aveiro?
A antiga igreja do convento de São Domingos foi elevada a catedral em 1938, com a criação (restauração) da Diocese de Aveiro, por bula do papa Pio XI datada de 24 de agosto desse ano.
Porque se chama também Igreja de São Domingos?
Porque teve origem num convento dominicano fundado em 1423. Mesmo depois de elevada a catedral, conserva o nome do antigo convento de São Domingos.
Quem é responsável pelo portal barroco da Sé de Aveiro?
O portal, datado de 1719, é habitualmente atribuído ao escultor francês Claude Laprade e conferiu à fachada, antes maneirista, o seu aspeto barroco atual.

Fontes

  1. Sé de Aveiro — Wikipédia
  2. Sé Catedral de Aveiro — VisitPortugal
  3. Catedral de Aveiro — Diocese de Aveiro