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Sé de Leiria

A Sé de Leiria, catedral maneirista de planta-salão erguida no século XVI, é um dos mais relevantes exemplos do estilo chão em Portugal.

Sé de Leiria
Júlio Reis, CC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons

A Sé de Leiria, formalmente Igreja de Nossa Senhora da Assunção, ergue-se no coração histórico da cidade, a curta distância do morro coroado pelo castelo medieval de Leiria. Catedral da diocese desde meados de Quinhentos, é um dos mais coerentes e influentes exemplares da arquitetura religiosa maneirista portuguesa, sóbria por fora e luminosa por dentro.

Da criação da diocese à sagração

A 22 de maio de 1545, a pedido de D. João III, o papa Paulo III instituiu a diocese de Leiria pela bula Pro Excellenti. As igrejas então existentes na vila revelaram-se acanhadas para as novas funções episcopais, impondo-se a construção de um templo à altura. A primeira pedra terá sido lançada em 1550, mas a obra só avançou de facto a partir de 1559, segundo traça do arquiteto régio Afonso Álvares — figura central da arquitetura do tempo de D. João III, a quem se devem outras empreitadas militares e religiosas no reino. A catedral foi sagrada em 1574, ainda sem sacristia nem várias dependências, que se completariam ao longo das décadas seguintes.

Uma catedral-salão de estilo chão

Do ponto de vista arquitetónico, a Sé de Leiria é um manifesto do chamado estilo chão (a plain style da historiografia anglo-saxónica), corrente que privilegiava a clareza geométrica, a economia decorativa e a robustez estrutural. O exterior, severo e quase austero, contrasta deliberadamente com a amplitude do interior, concebido como uma igreja-salão (Hallenkirche): três naves da mesma altura, separadas por pilares e cobertas por abóbadas que conferem ao espaço uma rara sensação de unidade e luz.

O exterior sóbrio não é pobreza de meios, mas opção estética: o estilo chão fazia da contenção uma linguagem própria, em que a proporção e a estrutura substituem o ornato.

A capela-mor, maneirista e já do século XVII, é atribuída a Baltasar Álvares e ao Frei João Turriano, e introduz no conjunto um registo mais erudito. Esta gramática de naves equipotentes e linhas depuradas distingue a Sé das catedrais românicas anteriores, como a Sé Velha de Coimbra, e aproxima-a do espírito reformado da arquitetura pós-tridentina.

Sismos, invasões e renascimento

A história do edifício foi marcada por adversidades. O terramoto de 1755 danificou seriamente a fachada principal, cuja reconstrução se iniciou no ano seguinte; em 1770 ordenou-se a edificação de uma nova torre sineira sobre um antigo baluarte das Portas do Sol, fisicamente separada do templo — particularidade que gerou o conhecido dito de que «Leiria tem uma torre sem sé e uma sé sem torre». As invasões francesas, no início do século XIX, voltaram a provocar destruições. A própria diocese chegou a ser suprimida entre 1882 e 1918, sendo depois restabelecida e, em 1984, reconfigurada como diocese de Leiria-Fátima.

Hoje a Sé continua a ser o principal templo da cidade e um marco identitário do centro histórico de Leiria, integrando o conjunto das grandes sés e catedrais portuguesas. A sua classificação como Monumento Nacional, aprovada em 2014, veio consagrar o valor de uma obra que, mais do que monumento isolado, resume um momento decisivo da arquitetura e da vida religiosa portuguesas do século XVI.

Perguntas frequentes

Quando foi construída a Sé de Leiria?
A primeira pedra foi lançada em 1550, mas a obra efetiva arrancou em 1559, segundo projeto do arquiteto régio Afonso Álvares. O templo foi sagrado em 1574.
Porque é que a torre sineira está separada da catedral?
A torre sineira foi erguida em 1770 sobre um antigo baluarte das Portas do Sol, afastada do corpo da igreja. Daí o dito popular de que Leiria tem uma torre sem sé e uma sé sem torre.
A Sé de Leiria é Monumento Nacional?
Sim. Foi classificada como Monumento Nacional por resolução do Conselho de Ministros aprovada em 2014.

Fontes

  1. Sé de Leiria — Wikipédia
  2. Catedral de Leiria / Sé de Leiria — SIPA (DGPC)
  3. Sé Catedral de Leiria — VisitPortugal