Monumentos
Sé Velha de Coimbra
A Sé Velha de Coimbra, na Almedina, é a catedral românica mais íntegra de Portugal, erguida no século XII e Monumento Nacional desde 1910.
A Sé Velha de Coimbra, ou Catedral de Santa Maria, ergue-se no coração da Almedina, a antiga cidade alta de Coimbra, e é geralmente apontada como a catedral românica mais íntegra de Portugal. Levantada durante o século XII, conservou de modo notável a sua traça medieval, escapando às transformações profundas que descaracterizaram quase todas as catedrais portuguesas da mesma época. Está classificada como Monumento Nacional desde 1910 e integra o sítio Universidade de Coimbra — Alta e Sofia, inscrito na Lista do Património Mundial.
Uma catedral da Reconquista
A construção iniciou-se por volta de 1146, sob o patrocínio de D. Afonso Henriques, então empenhado em afirmar a nova monarquia e a sua capital. A obra prolongou-se ao longo da segunda metade do século XII, sendo a igreja sagrada em 1184; no ano seguinte, terá tido lugar em Coimbra a aclamação de D. Sancho I, segundo rei de Portugal. O edifício é fruto de um estaleiro internacional: a tradição atribui a direção da obra ao mestre Roberto, que trabalhava também na vizinha Sé do Porto, e a um mestre Bernardo, traços de uma circulação de canteiros que percorria o Ocidente românico.
O resultado é uma igreja de planta em cruz latina, com três naves escalonadas, transepto saliente e cabeceira de três absides. As paredes, espessas e parcamente rasgadas, conferem ao conjunto um carácter quase militar, reforçado pelas ameias que coroam a fachada e pela torre lanterna sobre o cruzeiro. Esta sobriedade defensiva não é fortuita: numa cidade de fronteira recém-consolidada, a catedral era também um marco de poder e de segurança.
Mais do que um templo, a Sé Velha foi concebida como afirmação de uma monarquia jovem — pétrea, austera e duradoura como o reino que pretendia representar.
Escultura, retábulo e capela
O interior guarda um dos mais importantes conjuntos de escultura românica do país, com várias centenas de capitéis historiados e ornamentais onde convivem motivos vegetalistas, animais fantásticos e ecos de uma gramática decorativa de raiz islâmica e pré-românica. À austeridade românica vieram juntar-se, nos séculos seguintes, peças de exceção: o grande retábulo-mor em talha gótica flamenga, dourada e policromada, executado no início do século XVI por Olivier de Gand e Jean d’Ypres, e a Capela do Santíssimo Sacramento, de feição renascentista, atribuída ao círculo de João de Ruão. A chamada Porta Especiosa, no flanco norte, introduz igualmente um vocabulário renascentista que contrasta com a contenção do românico.
A oeste, abre-se o claustro gótico, mandado erguer a partir de cerca de 1218, no reinado de D. Afonso II — um dos mais antigos claustros góticos da Península Ibérica e contraponto sereno à massa fechada da igreja.
Da catedral à Sé Velha
Em 1772, no contexto das reformas pombalinas e após a saída dos Jesuítas, a sede episcopal foi transferida para a Sé Nova, instalada no antigo colégio jesuíta. A catedral medieval perdeu então a dignidade de sé efetiva e passou a ser designada Sé Velha, nome que conserva. A poucos passos situa-se o Mosteiro de Santa Cruz, panteão dos primeiros reis, com o qual a Sé partilha o protagonismo na história medieval da cidade.
Visitar a Sé Velha é percorrer o românico português na sua forma mais pura, num diálogo com outras grandes catedrais como a Sé de Lisboa, e compreender como a pedra serviu, em simultâneo, a fé, a defesa e a construção de um reino. Inclui-se assim no conjunto das grandes sés e catedrais que pontuam o território nacional.
Perguntas frequentes
- Porque se chama Sé Velha?
- Distingue-se da Sé Nova, para onde a sede episcopal de Coimbra foi transferida em 1772. A partir dessa data, a catedral medieval passou a ser conhecida como Sé Velha.
- Quando foi construída a Sé Velha de Coimbra?
- A construção iniciou-se por volta de 1146, no reinado de D. Afonso Henriques, e a igreja estava substancialmente concluída no final do século XII; foi sagrada em 1184.
- É a única catedral românica de Portugal?
- É a catedral românica portuguesa que melhor conservou a sua traça medieval, sendo por isso considerada a mais íntegra do país.