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Lugares
Abrantes
Abrantes, vila do Médio Tejo no distrito de Santarém: castelo medieval sobre o rio, Igreja de Santa Maria do Castelo e centro histórico fronteiriço.
- Localização
- Abrantes, Santarém
- Construção
- séc. XII (castelo)
Erguida numa colina que domina o vale do Tejo, Abrantes é uma das vilas históricas mais estratégicas do Médio Tejo. A sua posição — guardando uma das poucas passagens seguras do rio entre Lisboa e a fronteira da Beira — fez dela, ao longo de séculos, uma chave militar do território português. Sede de concelho no distrito de Santarém, conserva no seu casario branco escalonado pela encosta a memória de fronteira, de praça-forte e de porto fluvial.
Do castelo à fronteira do Tejo
A ocupação da colina remonta à pré-história e à Antiguidade, mas é com a formação do reino que Abrantes ganha o seu papel decisivo. A tradição atribui a conquista da povoação a D. Afonso Henriques em meados do século XII; em 1173 o monarca doou o castelo e o seu vasto termo à Ordem de Santiago, e em 1179 foi outorgado o primeiro foral, modelo de povoamento e defesa da linha do Tejo. O castelo, com a sua cerca, a torre de menagem e a Igreja de Santa Maria no interior, tornou-se o centro nevrálgico de um sistema defensivo que controlava o curso médio do rio, em articulação com posições como o emblemático Castelo de Almourol, erguido numa ilhota a montante.
Quem controlasse Abrantes controlava o atravessamento do Tejo: por aqui passavam exércitos, mercadorias e a própria ideia de fronteira entre o Norte cristão e o Sul a reconquistar.
Ao longo da Idade Média a vila prosperou como entreposto de comércio fluvial, ponto de carga e descarga das mercadorias que desciam o rio até Lisboa. Em 1471, D. Lopo de Almeida foi nomeado primeiro Conde de Abrantes, e a família Almeida, alcaides-mores da vila, deixaria marca profunda no seu património.
A Igreja de Santa Maria do Castelo
Dentro das muralhas conserva-se a Igreja de Santa Maria do Castelo, presumivelmente erguida no início do século XIII e reconstruída entre 1433 e 1451 por ordem de D. Diogo Fernandes de Almeida, depois de um sismo a ter danificado. Classificada como Monumento Nacional em 1910, guarda um notável conjunto de túmulos góticos dos séculos XV e XVI pertencentes à linhagem dos Almeida — entre eles os dos condes e do primeiro marquês de Abrantes — bem como azulejaria e talha de grande qualidade.
O templo albergou, de 1921 a 2021, o Museu Regional D. Lopo de Almeida, um dos museus mais antigos do país. Após a transferência do acervo para o Museu Ibérico de Arqueologia e Arte de Abrantes, o espaço foi remusealizado como Panteão dos Almeida, devolvendo protagonismo ao conjunto tumular que o distingue.
Praça-forte na Guerra Peninsular
A vocação militar de Abrantes prolongou-se até à era napoleónica. Em novembro de 1807, o general francês Jean-Andoche Junot ocupou a vila e fez dela base das suas operações na primeira invasão; Napoleão recompensá-lo-ia, no ano seguinte, com o título de Duque de Abrantes. Com a Convenção de Sintra, em 1808, a praça regressou ao controlo português. A importância estratégica da posição manteve-se relevante no quadro das linhas defensivas do Tejo, e o castelo foi posteriormente objeto de obras que adaptaram parte das suas estruturas a usos militares modernos.
Hoje, a coroa amuralhada oferece um dos mais amplos miradouros sobre o Médio Tejo. A partir daqui o visitante pode prolongar o roteiro pelo rio, descendo até Constância, na confluência com o Zêzere, ou subindo às terras templárias de Tomar. Como cabeça do antigo termo, Abrantes integra-se plenamente no património da região de Lisboa e Vale do Tejo, de que constitui uma das portas históricas para o interior.
Perguntas frequentes
- Onde fica Abrantes?
- Abrantes situa-se no distrito de Santarém, na sub-região do Médio Tejo, sobre a margem direita do rio Tejo, numa colina que domina o vale a cerca de 150 metros de altitude.
- Quem conquistou Abrantes aos mouros?
- A tradição atribui a conquista de Abrantes a D. Afonso Henriques, em meados do século XII, no contexto da expansão cristã ao longo da linha do Tejo. Em 1173 o rei doou o castelo e o termo à Ordem de Santiago.
- Porque existe um Duque de Abrantes francês?
- Durante a Guerra Peninsular, o general Jean-Andoche Junot ocupou a vila em 1807. Napoleão recompensou-o com o título de Duque de Abrantes em 1808, título que passou à sua descendência.
Fontes
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