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Tomar
Tomar, no distrito de Santarém, é a histórica cidade dos Templários, com o Convento de Cristo classificado pela UNESCO e a Festa dos Tabuleiros.
À beira do rio Nabão, no distrito de Santarém e na antiga província do Ribatejo, Tomar é uma das mais singulares cidades históricas de Portugal. A sua origem confunde-se com a dos próprios alicerces do reino: nascida da Ordem do Templo, conserva um conjunto monumental sem paralelo e uma identidade indissociável da memória templária, que ainda hoje marca a paisagem urbana e o imaginário coletivo da cidade.
Da fundação templária à Ordem de Cristo
Em 1159, D. Afonso Henriques doou aos Templários o vasto Termo de Ceras, território estratégico a meia distância entre Coimbra e Santarém, na fronteira ainda instável com o domínio muçulmano. Coube a Gualdim Pais, mestre da Ordem em Portugal, lançar em 1160 a primeira pedra do castelo dos Templários, em torno do qual se foi formando a povoação. A escolha do sítio — um esporão sobranceiro ao Nabão — respondia a critérios militares, mas também simbólicos, fundando uma cidade de raiz cavaleiresca.
Com a extinção da Ordem do Templo, no início do século XIV, D. Dinis logrou preservar os cavaleiros e o seu património através de uma nova milícia. Em 1319 foi instituída a Ordem de Cristo, herdeira direta dos bens e da sede templária. Tomar tornou-se assim a capital de uma das mais poderosas instituições do reino, papel que se acentuaria nos Descobrimentos, quando o Infante D. Henrique e, mais tarde, D. Manuel I, enquanto governadores da Ordem, financiaram a empresa marítima portuguesa.
Poucas cidades europeias podem afirmar ter nascido literalmente dentro das muralhas de um convento-fortaleza: em Tomar, a história militar, religiosa e urbana confundem-se num único gesto fundador.
O Convento de Cristo e o legado monumental
O coração patrimonial da cidade é o Convento de Cristo, classificado como Monumento Nacional em 1910 e inscrito na lista do Património Mundial da UNESCO em 1983. O conjunto reúne quase todos os estilos da arte portuguesa, do românico ao maneirismo, e atravessa oito séculos de construção contínua. No seu núcleo ergue-se a charola templária, oratório de planta centrada inspirado nos modelos do Oriente, e a ele articulam-se claustros de várias épocas, entre os quais o sereno Claustro Principal, de traça clássica renascentista.
Para abastecer o convento de água, foi erguido nos séculos XVI e XVII o monumental Aqueduto dos Pegões, cujas arcarias se estendem por vários quilómetros e constituem uma das mais notáveis obras de engenharia hidráulica do país. No interior da cerca conventual, a Mata Nacional dos Sete Montes prolonga o domínio da Ordem num jardim histórico de tanques, ermidas e percursos arborizados.
Cidade viva e tradição festiva
Para além do património construído, Tomar é também uma cidade de memória imaterial. A Festa dos Tabuleiros, celebrada de quatro em quatro anos, é uma das tradições mais espetaculares de Portugal: centenas de mulheres percorrem a cidade equilibrando tabuleiros de pães empilhados, enfeitados de flores de papel e encimados por uma pomba, num ritual de raízes seculares ligado ao culto do Espírito Santo.
O centro histórico, organizado segundo um traçado regular invulgar para a época medieval, conserva igrejas, a antiga sinagoga — uma das mais bem preservadas de Portugal — e ruas que descem suavemente até ao rio. Integrada na região de Lisboa e Vale do Tejo, Tomar afirma-se hoje como destino de turismo cultural, onde a herança templária e a paisagem ribeirinha do Nabão se combinam num conjunto de rara coerência histórica.
Perguntas frequentes
- Porque é Tomar conhecida como a cidade dos Templários?
- Tomar nasceu da doação, em 1159, do Termo de Ceras à Ordem do Templo. Gualdim Pais, mestre templário em Portugal, mandou erguer aqui o castelo e o convento que se tornaram a sede da Ordem no reino, e a vila cresceu sob a sua proteção.
- O que se pode visitar em Tomar?
- O Convento de Cristo, classificado como Património Mundial, o Castelo dos Templários, o Aqueduto dos Pegões, a Mata Nacional dos Sete Montes e o centro histórico medieval junto ao rio Nabão.
- Quando se realiza a Festa dos Tabuleiros?
- A Festa dos Tabuleiros realiza-se de quatro em quatro anos, em julho, e é uma das mais antigas e singulares tradições festivas portuguesas.