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Alenquer

Alenquer, vila histórica do distrito de Lisboa na bacia do Tejo: castelo medieval, convento franciscano e berço do humanista Damião de Góis.

Alenquer
Autor desconhecido, CC BY 2.0 — Wikimedia Commons

Encavalitada na encosta sobranceira à ribeira de Alenquer — afluente do Tejo —, a vila de Alenquer ergue-se a cerca de quarenta quilómetros a noroeste de Lisboa, no extremo sul da região do Oeste. A disposição escalonada do casario pela vertente granjeou-lhe o epíteto de “Presépio de Portugal”, imagem que o vale devolve a quem o contempla do fundo. Sede de concelho do distrito de Lisboa, a povoação condensa, num espaço relativamente exíguo, camadas de ocupação que recuam à pré-história e atravessam todas as grandes fases da história peninsular.

Das origens à Reconquista

A região foi sucessivamente percorrida e habitada desde tempos remotos, conservando vestígios arqueológicos de épocas pré-romana e romana. Coube, porém, ao período muçulmano fixar a feição militar do sítio, com a edificação da fortaleza que coroa o cabeço. Em 1148, no quadro da Reconquista, as forças de D. Afonso Henriques tomaram a vila e o seu castelo, determinando o rei a repovoação e a reconstrução das defesas.

A consolidação do estatuto urbano deu-se já no século XIII. Em 1212 a infanta D. Sancha, filha de D. Sancho I e então senhora de Alenquer, outorgou-lhe foral; D. Dinis concedeu carta nova em 1302, mais tarde reformada por D. Manuel I em 1510, no âmbito da grande reforma forais do reinado. Ao longo da Idade Média, Alenquer manteve-se ligada à Casa das Rainhas, integrando o conjunto de senhorios que asseguravam o sustento das soberanas.

Um património de pedra e devoção

O monumento mais emblemático é o Convento de São Francisco, fundado em 1222 por iniciativa de D. Sancha, que doou o seu paço aos frades menores. Trata-se de um dos primeiros conventos franciscanos estabelecidos em Portugal, contando-se entre os seus primeiros religiosos frei Zacarias, vindo de Itália. Ampliado a partir do final do século XIII e renovado em épocas posteriores, conserva um notável pórtico da casa do capítulo, lavrado em estilo manuelino e classificado como Monumento Nacional desde 1910.

A presença franciscana em Alenquer, quase contemporânea da do próprio fundador da ordem, faz da vila um dos pontos de implantação mais antigos da espiritualidade mendicante na Península Ibérica.

Do Castelo de Alenquer, classificado como imóvel de interesse público, subsistem panos de muralha e a Torre da Couraça, testemunhos da estrutura defensiva medieval. O tecido urbano completa-se com igrejas e capelas de várias épocas, entre as quais a Igreja de Santa Maria da Várzea, e com vestígios da industrialização oitocentista, como a Fábrica Nova da Romeira.

Berço de Damião de Góis

Alenquer reivindica com orgulho ser a “terra de Damião de Góis”. Nascido na vila em 1502 e aí falecido em 1574, Góis foi historiador, diplomata e epistológrafo, figura de primeiro plano do Renascimento em Portugal e correspondente de Erasmo. Cronista-mor do Reino, deixou obra de referência sobre o reinado de D. Manuel I. Encontra-se sepultado na vila, sendo o seu túmulo um dos pontos de memória mais visitados.

Pela sua escala e pelo equilíbrio entre fortificação, conventos e malha urbana medieval, Alenquer dialoga com outras vilas amuralhadas do território a norte de Lisboa, como Óbidos e Torres Vedras, partilhando com elas o estatuto de sentinela da margem direita do Tejo. Integra hoje o conjunto patrimonial da região de Lisboa e Vale do Tejo, onde a herança medieval e a memória humanista se cruzam num mesmo lugar.

Perguntas frequentes

Porque é que Alenquer é chamada o Presépio de Portugal?
O epíteto deve-se à disposição da vila, com as casas escalonadas pela encosta sobranceira à ribeira de Alenquer, formando um conjunto que evoca a composição de um presépio quando visto do vale.
Quem foi Damião de Góis e que ligação tem a Alenquer?
Damião de Góis (1502-1574) foi um dos maiores humanistas do Renascimento português, historiador e diplomata. Nasceu e morreu em Alenquer, encontrando-se aí sepultado.
Qual é a importância do Convento de São Francisco de Alenquer?
Foi um dos primeiros conventos franciscanos fundados em Portugal, por iniciativa da infanta D. Sancha em 1222. O pórtico da casa do capítulo, de traça manuelina, está classificado como Monumento Nacional.

Fontes

  1. Alenquer (vila) — Wikipédia
  2. Convento de São Francisco (Alenquer) — Wikipédia
  3. Município de Alenquer — Terra de Damião de Góis