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Património Mundial

Santuário do Bom Jesus do Monte (Braga)

O Santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga: sacro monte barroco com o escadório dos Cinco Sentidos, basílica neoclássica e Património Mundial da UNESCO desde 2019.

Perguntas frequentes Fontes
Santuário do Bom Jesus do Monte (Braga)
GualdimG, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Braga, Braga
Construção
1722–1811
Estilo
Barroco e Neoclássico
UNESCO
Património Mundial · desde 2019

No alto do monte Espinho, a leste de Braga, na freguesia de Tenões, ergue-se o Santuário do Bom Jesus do Monte, um dos mais célebres conjuntos devocionais da Europa e expoente português dos Sacri Monti. Mais do que um templo isolado, é um vasto conjunto sacro-paisagístico — igreja, escadórios, capelas, fontes, estatuária e um parque envolvente — que conduz o peregrino, ao longo de uma íngreme via dolorosa, até à basílica que coroa a colina. Construído e ampliado ao longo de mais de seiscentos anos, está inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO desde 2019.

Um sacro monte encenado

A devoção no local remonta ao século XIV: a primeira capela conhecida no monte data de 1373, e sucederam-se ermidas dedicadas à Paixão de Cristo. Mas o santuário tal como o conhecemos nasceu da vontade do arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, que em 1722 lançou o programa do grande escadório barroco, das capelas da Via Sacra e do pórtico de acesso. A obra prolongou-se sob arcebispos sucessivos, transformando a encosta numa encenação devocional cuidadosamente concebida.

O elemento mais célebre é o escadório monumental, um ziguezague de lanços de granito e cal branca. O peregrino sobe por patamares sucessivos, encontrando ao longo do caminho capelas com cenas da Via Sacra. O coração cenográfico é o Escadório dos Cinco Sentidos, onde fontes alegóricas representam a Visão, a Audição, o Olfato, o Gosto e o Tato, pontuadas por estátuas de figuras bíblicas. Segue-se o Escadório das Três Virtudes, dedicado à Fé, à Esperança e à Caridade. Ao todo, cerca de 580 degraus vencem mais de cem metros de desnível, num jogo geométrico de patamares, balaustradas e estatuária que constitui um dos cumes do barroco europeu.

O génio do Bom Jesus não está apenas nos seus edifícios, mas na coreografia da subida: cada patamar, fonte e estátua converte o esforço físico da ascensão numa catequese encenada sobre a Paixão, que purifica os sentidos antes de o fiel alcançar o templo no topo.

Da igreja barroca à basílica neoclássica

No alto, a igreja atual substituiu um templo anterior erguido no tempo de Moura Teles. Em 1784, perante o crescente afluxo de peregrinos, o arcebispo D. Gaspar de Bragança encarregou o arquiteto Carlos Amarante de um novo templo, construído entre 1784 e 1811 e consagrado em 1834. De planta em cruz latina e fachada sóbria flanqueada por torres, é uma das primeiras igrejas de linhas neoclássicas em Portugal e contrasta deliberadamente com a exuberância do escadório que a antecede — um contraste que resume a longa cronologia construtiva do conjunto. No interior, o transepto acolhe um notável conjunto escultórico do Calvário. Em 2015, a igreja foi elevada à dignidade de basílica menor.

Em 1882 inaugurou-se o Elevador do Bom Jesus, funicular movido pelo engenhoso princípio do contrapeso de água, o primeiro da Península Ibérica e ainda hoje em serviço, que liga a base do monte à plataforma superior sem que os visitantes tenham de percorrer o escadório. Em redor da basílica desenvolveram-se terreiros, fontes — como a do Pelicano —, jardins formais e hotéis oitocentistas, completando um cenário onde a religiosidade se cruza com o lazer romântico.

Valor universal e contexto

A UNESCO inscreveu o santuário a 7 de julho de 2019, na 43.ª sessão do Comité do Património Mundial, em Baku, ao abrigo do critério (iv). Reconheceu nele um exemplo extraordinário de sacro monte europeu plenamente realizado, dotado de uma monumentalidade ao serviço de uma narrativa completa da Paixão de Cristo, em que a arquitetura organiza a paisagem ao serviço de uma experiência devocional. O conjunto materializa traços profundos do catolicismo da Contra-Reforma: a teatralidade, o sentido comunitário e a ideia da vida como peregrinação. A área classificada abrange cerca de 26 hectares, com uma zona-tampão de 232 hectares que protege o enquadramento florestal e os percursos.

A inscrição fez parte da mesma sessão de 2019 que distinguiu o Real Edifício de Mafra, reforçando o reconhecimento internacional do barroco português. O Bom Jesus do Monte integra o roteiro do mais importante património religioso do Norte e dialoga, a poucos quilómetros, com a Sé de Braga, cuja tradição arquidiocesana enquadra historicamente o santuário. Em conjunto, formam um itinerário maior da história da arte sacra e da peregrinação no Minho.

Perguntas frequentes

Quando foi o Bom Jesus do Monte classificado como Património Mundial?
Foi inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO a 7 de julho de 2019, durante a 43.ª sessão do Comité do Património Mundial, em Baku, com a referência n.º 1590 e ao abrigo do critério (iv).
Quantos degraus tem o escadório do Bom Jesus do Monte?
O escadório monumental soma cerca de 580 degraus, distribuídos por lanços sucessivos, entre os quais se destacam o Escadório dos Cinco Sentidos e o das Três Virtudes, vencendo um desnível superior a 100 metros.
Como subir ao santuário sem percorrer o escadório?
Pelo Elevador do Bom Jesus, um funicular movido por contrapeso de água inaugurado em 1882, o primeiro da Península Ibérica. Continua em funcionamento e liga a base do monte à plataforma do santuário.
Porque se chama basílica à igreja do Bom Jesus?
A igreja neoclássica de Carlos Amarante, construída entre 1784 e 1811, foi elevada à dignidade de basílica menor em 2015.

Fontes

  1. UNESCO World Heritage Centre — Sanctuary of Bom Jesus do Monte in Braga
  2. Comissão Nacional da UNESCO — Santuário do Bom Jesus do Monte em Braga
  3. Santuário do Bom Jesus do Monte — Wikipédia

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