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Igreja de São Francisco (Porto)

Igreja de São Francisco do Porto: o melhor exemplar gótico da cidade, com interior integralmente revestido de talha dourada barroca e catacumbas.

Igreja de São Francisco (Porto)
António Amen, CC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons

A Igreja de São Francisco ergue-se na zona ribeirinha do Porto, junto à Praça do Infante D. Henrique e a poucos passos do Palácio da Bolsa. É o mais completo testemunho da arquitetura gótica na cidade e, ao mesmo tempo, um dos mais deslumbrantes conjuntos de talha dourada de Portugal — um contraste que faz dela um monumento singular no panorama nacional.

Do convento gótico ao templo de ouro

Os franciscanos instalaram-se no Porto no início do século XIII, recebendo terreno para edificar a sua casa em 1233. A igreja que hoje se conserva foi construída entre o final do século XIV e o início do século XV, durante o reinado de D. Fernando I, segundo um programa gótico de três naves, transepto saliente e cabeceira tripartida. Da fase medieval subsistem a planta, os arcos quebrados e a notável rosácea da fachada principal, raro vestígio da decoração gótica original.

O grande convento que rodeava o templo desapareceu em 1833, consumido por um incêndio durante as lutas liberais. Com a extinção das ordens religiosas no ano seguinte, o espaço chegou a servir de armazém alfandegário, perdendo definitivamente a sua função monástica.

A explosão da talha barroca

O que torna a igreja universalmente célebre é o seu interior. Ao longo do século XVIII, sobretudo a partir de 1718, toda a estrutura gótica foi revestida por talha dourada de gosto barroco e rococó, cobrindo paredes, pilares, arcos e abóbadas numa profusão de folhagens, aves e figuras douradas que praticamente não deixam ver a pedra.

A pureza austera do gótico trecentista e o resplendor faustoso do ouro setecentista coabitam no mesmo espaço — duas ideias opostas de sagrado fundidas numa só nave.

A peça-prima deste conjunto é o retábulo da Árvore de Jessé, esculpido entre 1718 e 1721 por Filipe da Silva e António Gomes. Representa a genealogia de Cristo num tronco que se ramifica desde Jessé até à Virgem, com as figuras dos reis de Judá distribuídas pelos ramos — considerado o mais exuberante tratamento deste tema em Portugal. A intensidade decorativa rivaliza com a de outros grandes interiores dourados, como o da Igreja de São Roque, em Lisboa.

Catacumbas e memória da cidade

Sob o pavimento da igreja estendem-se catacumbas e um vasto ossário, onde foram sepultados frades franciscanos e membros de famílias nobres portuenses. Parte das ossadas é hoje visível através de um vão envidraçado, oferecendo uma leitura crua das práticas funerárias e da hierarquia social da cidade ao longo de séculos. O conjunto integra um percurso museológico gerido pela Venerável Ordem Terceira de São Francisco.

Classificada como Monumento Nacional desde 1910, a igreja insere-se no Centro Histórico do Porto, inscrito na lista do Património Mundial da UNESCO. A par da vizinha Sé do Porto e da Torre dos Clérigos, forma o núcleo de monumentos religiosos que define a silhueta da cidade sobre o Douro.

Perguntas frequentes

Porque é que a Igreja de São Francisco tem tanto ouro?
O interior gótico foi integralmente revestido de talha dourada barroca ao longo do século XVIII. Estima-se que tenham sido aplicados várias centenas de quilos de pó de ouro, transformando o templo num dos mais ricos conjuntos de talha do país.
Pode visitar-se as catacumbas?
Sim. Sob a igreja existem catacumbas e um ossário onde foram sepultados frades franciscanos e membros de famílias nobres do Porto. Fazem parte do percurso de visita, juntamente com o museu da Venerável Ordem Terceira.
A igreja ainda tem culto?
Não. Após o incêndio do convento em 1833 e a extinção das ordens religiosas, a Igreja de São Francisco deixou de ter função paroquial e funciona hoje como monumento e espaço museológico.

Fontes

  1. Igreja de São Francisco (Porto) — Wikipédia
  2. Igreja de S. Francisco (Porto) — Infopédia
  3. Igreja de São Francisco — VisitPortugal