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Tipologias
Bibliotecas e Edifícios Universitários
Tipologia dos edifícios universitários, colégios e bibliotecas históricas de Portugal: da Coimbra medieval à Joanina barroca e às livrarias do Iluminismo.
- Estilo
- Gótico, manuelino, maneirista, barroco e pombalino
O saber teve em Portugal arquitetura própria. Esta tipologia reúne os edifícios concebidos para ensinar, estudar e guardar livros — universidades, colégios e bibliotecas históricas —, um conjunto que se distingue do restante património civil pela vocação intelectual que lhe deu forma. Onde o claustro de um convento servia a oração, o pátio universitário servia a disputa académica; e onde a igreja conservava relíquias, a livraria conservava manuscritos e impressos. Da Idade Média ao Iluminismo, estes espaços foram laboratórios de pedra onde se ensaiou a ideia de que o conhecimento merecia ser abrigado, ordenado e transmitido.
A universidade como cidade do estudo
A história desta tipologia confunde-se, durante séculos, com a de uma única instituição. A Universidade de Coimbra nasceu como Estudo Geral por carta de D. Dinis em 1290 e andou itinerante entre Lisboa e Coimbra até D. João III a fixar definitivamente, em 1537, no antigo paço real da Alta coimbrã. Aí se instalou o Paço das Escolas, núcleo que ainda hoje reúne a Sala dos Capelos, a Via Latina e a Capela de São Miguel, sobrepondo o gótico, o manuelino, o maneirismo, o barroco e o pombalino num único organismo edificado. Em 2013, este conjunto — incluindo a Alta e a Rua da Sofia — foi inscrito na lista do Património Mundial da UNESCO.
A universidade nunca foi um só edifício, mas um bairro. Em torno dela cresceram dezenas de colégios, casas onde os escolares viviam e estudavam em comunidade. O Colégio de Jesus, fundado pela Companhia em 1542 e erguido a partir de 1547, foi o maior; com a expulsão dos jesuítas em 1759, a sua igreja viria a tornar-se, em 1772, a Sé Nova de Coimbra. A Rua da Sofia, por sua vez, alinhou uma série de colégios quinhentistas numa das primeiras avenidas universitárias planeadas da Europa.
Antes de existirem bibliotecas públicas, o livro vivia enclausurado: nos mosteiros, nas universidades e nos colégios. A passagem do acervo religioso ao acervo aberto à nação é uma das grandes viragens culturais do século XVIII português.
A livraria como cofre e como teatro
Antes da imprensa, a livraria monástica era o reservatório do saber escrito, e o Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, reuniu um dos mais notáveis scriptoria do reino. Mas a expressão máxima desta tipologia é barroca. A Biblioteca Joanina, mandada erguer por D. João V e concluída em 1728, foi pensada simultaneamente como cofre e como teatro do conhecimento: as paredes de mais de dois metros de espessura e as estantes de pau-santo, douradas e lacadas em preto, vermelho e verde, encerram cerca de sessenta mil volumes dos séculos XVI a XVIII. É um dos cumes da arquitetura barroca portuguesa, onde a marcenaria, a pintura e a engenharia de conservação se fundem numa só obra.
Do Iluminismo à biblioteca pública
A reforma pombalina de 1772 reorganizou os estudos e dotou a universidade de novos equipamentos científicos — gabinetes, laboratório químico, observatório astronómico —, transformando o edifício universitário num instrumento da ciência moderna. No mesmo movimento iluminista, a ideia de biblioteca abriu-se à sociedade. Em 1805, o arcebispo D. Frei Manuel do Cenáculo fundou a Biblioteca Pública de Évora, legando-lhe um acervo então estimado em cerca de cinquenta mil volumes e unindo, num só projeto, livraria e museu como instrumentos do progresso.
A extinção das ordens religiosas em 1834 acelerou esta transição: milhares de manuscritos e impressos conventuais passaram para o Estado e alimentaram bibliotecas públicas e académicas por todo o país. Assim se completa o arco desta tipologia — do livro guardado a sete chaves ao livro oferecido à leitura comum —, e com ele a longa convivência entre a tipologia dos edifícios eruditos e a história intelectual de Portugal.
Perguntas frequentes
- Qual é a universidade mais antiga de Portugal?
- A Universidade de Coimbra é a mais antiga, instituída como Estudo Geral por carta de D. Dinis em 1290 e confirmada nesse ano pela bula papal de Nicolau IV. Oscilou durante séculos entre Lisboa e Coimbra, até se fixar definitivamente em Coimbra em 1537, no antigo paço real da Alta.
- Porque é que a Biblioteca Joanina tem paredes tão espessas?
- A Biblioteca Joanina, concluída em 1728, foi concebida como um cofre de livros. As suas paredes exteriores, com mais de dois metros de espessura, e as portas de teca estabilizam a temperatura e a humidade, protegendo o acervo. Uma colónia de morcegos, que se alimenta de insetos à noite, ajuda ainda hoje a preservar o papel.
- O que distingue um colégio universitário de uma faculdade?
- Os colégios eram casas de residência e estudo onde os escolares viviam em comunidade, sob regra, sendo muitos fundados por ordens religiosas. A faculdade designa a estrutura académica que confere os graus. Em Coimbra, colégios como o de Jesus moldaram um bairro inteiro em torno da universidade.
Fontes
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