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Mosteiro de Santa Cruz (Coimbra)

O Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, casa-mãe dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho e panteão dos dois primeiros reis de Portugal.

Mosteiro de Santa Cruz (Coimbra)
Manuelvbotelho, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons

No coração de Coimbra, sobre o local onde existiam os antigos banhos régios, ergue-se o Mosteiro de Santa Cruz, uma das mais antigas e influentes casas religiosas de Portugal. Fundado em 1131, foi a casa-mãe dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho no reino e tornou-se, desde cedo, um centro de cultura, escrita e poder ligado ao nascimento da nação.

Fundação e os primeiros tempos

A fundação concretizou-se a partir de um pequeno grupo de cónegos que adotou a regra de Santo Agostinho, tendo São Teotónio — considerado o primeiro santo português — como primeiro prior. A construção do primitivo edifício românico desenrolou-se ao longo do século XII e início do XIII, sob a direção do mestre Roberto. O mosteiro beneficiou do apoio direto de D. Afonso Henriques, então ainda numa Coimbra próxima da fronteira com o domínio islâmico, junto ao Rio Mondego.

Mais do que um espaço de oração, Santa Cruz foi um foco intelectual: aqui funcionou um scriptorium e uma escola que formaram parte da elite letrada do jovem reino, num diálogo permanente com a vizinha catedral, a Sé Velha de Coimbra.

Poucos lugares condensam tanto a memória das origens de Portugal: é aqui que repousam os reis fundadores, no mesmo espaço onde se escreveu boa parte da cultura medieval do reino.

A reforma manuelina

O aspeto que hoje marca o conjunto deve-se em grande parte à profunda campanha de obras ordenada por D. Manuel I a partir de 1507. O rei mandou reconstruir e redecorar a igreja e as dependências monásticas, dotando-as da exuberância do estilo manuelino, com abóbadas nervuradas e um portal renovado.

Foi também neste contexto que os restos de D. Afonso Henriques e de D. Sancho I foram transladados para novos e monumentais túmulos, colocados na capela-mor, consagrando definitivamente Santa Cruz como panteão dos primeiros reis. A intervenção reuniu alguns dos melhores artistas do tempo, entre eles o escultor Nicolau Chanterene, autor do púlpito renascentista e de parte da decoração escultórica.

Um conjunto artístico de exceção

Para além dos túmulos régios, o mosteiro guarda um notável cadeiral de talha, uma sacristia maneirista com pintura quinhentista e o célebre Claustro do Silêncio. No exterior próximo subsiste ainda o Claustro da Manga, com a sua fonte renascentista, testemunho da ambição decorativa da época. O órgão barroco e a sumptuosa fachada completam um percurso que atravessa séculos de história artística portuguesa.

Pela sua importância, o Mosteiro de Santa Cruz está classificado como Monumento Nacional desde 1910 e integra o roteiro essencial dos grandes mosteiros do país, ao lado de instituições como o Mosteiro de Alcobaça. Visitar o conjunto é, em larga medida, percorrer o próprio nascimento de Portugal, no contexto mais amplo do património histórico de Coimbra.

Perguntas frequentes

Que reis estão sepultados no Mosteiro de Santa Cruz?
Estão aqui sepultados os dois primeiros reis de Portugal: D. Afonso Henriques e seu filho D. Sancho I, em túmulos manuelinos colocados na capela-mor durante as obras promovidas por D. Manuel I.
Quem fundou o Mosteiro de Santa Cruz?
Foi fundado em 1131 por um grupo de cónegos que adotou a regra de Santo Agostinho, entre eles São Teotónio, primeiro prior da casa, com o apoio de D. Afonso Henriques.
O Mosteiro de Santa Cruz é Panteão Nacional?
Sim. Por albergar os túmulos dos dois primeiros reis de Portugal, o mosteiro tem estatuto de Panteão Nacional, reconhecido em 2003.

Fontes

  1. Mosteiro de Santa Cruz — Wikipédia
  2. Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra — Presidência da República