Monumentos
Mosteiro de Santa Cruz (Coimbra)
O Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, casa-mãe dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho e panteão dos dois primeiros reis de Portugal.
No coração de Coimbra, sobre o local onde existiam os antigos banhos régios, ergue-se o Mosteiro de Santa Cruz, uma das mais antigas e influentes casas religiosas de Portugal. Fundado em 1131, foi a casa-mãe dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho no reino e tornou-se, desde cedo, um centro de cultura, escrita e poder ligado ao nascimento da nação.
Fundação e os primeiros tempos
A fundação concretizou-se a partir de um pequeno grupo de cónegos que adotou a regra de Santo Agostinho, tendo São Teotónio — considerado o primeiro santo português — como primeiro prior. A construção do primitivo edifício românico desenrolou-se ao longo do século XII e início do XIII, sob a direção do mestre Roberto. O mosteiro beneficiou do apoio direto de D. Afonso Henriques, então ainda numa Coimbra próxima da fronteira com o domínio islâmico, junto ao Rio Mondego.
Mais do que um espaço de oração, Santa Cruz foi um foco intelectual: aqui funcionou um scriptorium e uma escola que formaram parte da elite letrada do jovem reino, num diálogo permanente com a vizinha catedral, a Sé Velha de Coimbra.
Poucos lugares condensam tanto a memória das origens de Portugal: é aqui que repousam os reis fundadores, no mesmo espaço onde se escreveu boa parte da cultura medieval do reino.
A reforma manuelina
O aspeto que hoje marca o conjunto deve-se em grande parte à profunda campanha de obras ordenada por D. Manuel I a partir de 1507. O rei mandou reconstruir e redecorar a igreja e as dependências monásticas, dotando-as da exuberância do estilo manuelino, com abóbadas nervuradas e um portal renovado.
Foi também neste contexto que os restos de D. Afonso Henriques e de D. Sancho I foram transladados para novos e monumentais túmulos, colocados na capela-mor, consagrando definitivamente Santa Cruz como panteão dos primeiros reis. A intervenção reuniu alguns dos melhores artistas do tempo, entre eles o escultor Nicolau Chanterene, autor do púlpito renascentista e de parte da decoração escultórica.
Um conjunto artístico de exceção
Para além dos túmulos régios, o mosteiro guarda um notável cadeiral de talha, uma sacristia maneirista com pintura quinhentista e o célebre Claustro do Silêncio. No exterior próximo subsiste ainda o Claustro da Manga, com a sua fonte renascentista, testemunho da ambição decorativa da época. O órgão barroco e a sumptuosa fachada completam um percurso que atravessa séculos de história artística portuguesa.
Pela sua importância, o Mosteiro de Santa Cruz está classificado como Monumento Nacional desde 1910 e integra o roteiro essencial dos grandes mosteiros do país, ao lado de instituições como o Mosteiro de Alcobaça. Visitar o conjunto é, em larga medida, percorrer o próprio nascimento de Portugal, no contexto mais amplo do património histórico de Coimbra.
Perguntas frequentes
- Que reis estão sepultados no Mosteiro de Santa Cruz?
- Estão aqui sepultados os dois primeiros reis de Portugal: D. Afonso Henriques e seu filho D. Sancho I, em túmulos manuelinos colocados na capela-mor durante as obras promovidas por D. Manuel I.
- Quem fundou o Mosteiro de Santa Cruz?
- Foi fundado em 1131 por um grupo de cónegos que adotou a regra de Santo Agostinho, entre eles São Teotónio, primeiro prior da casa, com o apoio de D. Afonso Henriques.
- O Mosteiro de Santa Cruz é Panteão Nacional?
- Sim. Por albergar os túmulos dos dois primeiros reis de Portugal, o mosteiro tem estatuto de Panteão Nacional, reconhecido em 2003.