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Sé Nova de Coimbra

A Sé Nova de Coimbra, antiga igreja jesuíta maneirista que se tornou catedral em 1772, no coração da cidade universitária.

Sé Nova de Coimbra
Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL, CC BY-SA 2.0 — Wikimedia Commons

A Sé Nova de Coimbra é a catedral em funções da diocese de Coimbra, instalada na antiga igreja do Colégio de Jesus, o grande estabelecimento da Companhia de Jesus na cidade. Erguida entre os finais do século XVI e o final do século XVII, é um dos exemplos mais expressivos da arquitetura maneirista e da sua transição para o barroco em Portugal. O nome distingue-a da Sé Velha de Coimbra, a catedral românica que serviu a diocese durante mais de seis séculos antes de o título episcopal mudar de templo.

Uma igreja jesuíta segundo o modelo de Il Gesù

A construção da igreja iniciou-se em 1598, integrada no vasto Colégio de Jesus que os jesuítas vinham edificando em Coimbra desde meados do século. O templo adotou um esquema de cruz latina de uma só nave abobadada, ladeada por capelas comunicantes — uma solução diretamente inspirada na igreja de Il Gesù, em Roma, casa-mãe da arquitetura da Companhia. Este plano, pensado para a pregação e para concentrar a atenção dos fiéis no altar-mor, difundiu-se por toda a Europa católica na sequência do Concílio de Trento.

As obras avançaram com lentidão. O culto só começou a celebrar-se em 1640 e a igreja foi formalmente inaugurada em 1698, praticamente um século depois do lançamento da primeira pedra. Esta longa cronologia explica o contraste estilístico que marca o edifício: a fachada combina a sobriedade e o rigor geométrico maneiristas na parte inferior com elementos decorativos barrocos e torres sineiras concluídas já no século XVIII.

A Sé Nova nasceu como igreja de um colégio, não como catedral — e foi a expulsão dos jesuítas, e não um projeto diocesano, que a elevou a primeira igreja da cidade.

De colégio jesuíta a catedral

O destino do edifício mudou com a política pombalina. Em 1759, a Companhia de Jesus foi expulsa de Portugal por ordem do Marquês de Pombal, e o vasto complexo do Colégio de Jesus ficou disponível para novos usos. Em 1772, o cabido transferiu a sede episcopal da Sé Velha para a antiga igreja jesuíta, mais ampla e mais central na zona alta da cidade. A partir dessa data, o templo passou a ser conhecido como Sé Nova e assumiu funções de catedral, que mantém até hoje.

A escolha não foi neutra. A velha catedral românica, fortaleza compacta do século XII, contrastava com a espacialidade clara e a monumentalidade do interior jesuíta, mais adequado à liturgia e à pompa episcopal do período barroco. A mudança consagrou também a transferência de mobiliário litúrgico entre os dois edifícios.

O interior e a envolvente universitária

O interior da Sé Nova conserva um notável conjunto de retábulos de talha dourada dos séculos XVII e XVIII, distribuídos pela capela-mor e pelas capelas laterais, testemunhos das diferentes campanhas decorativas que acompanharam a longa construção. Destaca-se a pia batismal proveniente da antiga catedral, peça de feição manuelina que recorda a continuidade entre os dois templos. O coro alto e os órgãos completam um espaço pensado para a solenidade do ofício divino.

A Sé Nova ergue-se na zona alta de Coimbra, em estreita relação com a Universidade e com o conjunto monumental que se estende até ao Museu Nacional Machado de Castro, instalado no antigo Paço Episcopal contíguo. A sua linguagem arquitetónica integra-se plenamente no maneirismo em Portugal, corrente que marcou a arquitetura religiosa nacional entre o classicismo de finais de Quinhentos e a exuberância barroca. Classificada como Monumento Nacional desde 1910, a Sé Nova é, com o vizinho Mosteiro de Santa Cruz, um dos pólos de referência da história religiosa e artística de Coimbra.

Perguntas frequentes

Porque se chama Sé Nova de Coimbra?
Chama-se Sé Nova por contraste com a Sé Velha, a antiga catedral românica. O título de catedral passou para esta igreja jesuíta em 1772, que assim se tornou a nova sede episcopal da diocese de Coimbra.
Quem construiu a Sé Nova de Coimbra?
Foi erguida pela Companhia de Jesus como igreja do Colégio de Jesus, com obras iniciadas em 1598 segundo um plano de cruz latina abobadada inspirado na igreja de Il Gesù, em Roma. A construção prolongou-se até à inauguração, em 1698.
A Sé Nova de Coimbra pode visitar-se?
Sim. Continua a ser a catedral em funções da diocese de Coimbra e está aberta ao culto e à visita, situada junto ao Largo da Feira, na zona alta da cidade universitária.

Fontes

  1. Sé Nova de Coimbra — Wikipédia
  2. Sé de Coimbra (Sé Nova) — Cultura Portugal / DRC Centro
  3. Sé Nova | Colégio de Jesus — Câmara Municipal de Coimbra