Tipologias

Conventos

Os conventos das ordens mendicantes e religiosas em Portugal: arquitetura, claustro, igreja conventual, história e o impacto da extinção de 1834.

Conventos
Berthold Werner, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons

O convento é uma das tipologias mais difundidas do património edificado português. Casa de uma comunidade religiosa votada à oração, ao trabalho e, frequentemente, ao apostolado urbano, distingue-se do mosteiro sobretudo pela implantação: enquanto este se erguia tradicionalmente no campo e se associava às ordens monásticas, o convento nascia no interior ou junto das muralhas das cidades, ao serviço das ordens mendicantes. O alargamento das urbes esbateu esta fronteira, mas a leitura do edifício deve sempre considerar o contexto da sua fundação.

Chegada das ordens mendicantes

As ordens mendicantes — franciscanos, dominicanos, agostinianos, carmelitas e, mais tarde, capuchos e clarissas — implantaram-se em Portugal já no início do século XIII. Os franciscanos chegaram por volta de 1217 e os dominicanos pouco depois, encontrando no reinado de D. Dinis (1279–1325) um período de expansão decisivo. Ao contrário dos monges, que se isolavam para uma vida contemplativa autossuficiente, os mendicantes faziam voto de pobreza e instalavam-se junto das populações, pregando, ensinando e assistindo os doentes e os pobres. Por isso os seus conventos surgem nos arrabaldes e praças das cidades, em diálogo permanente com a vida cívica.

A casa franciscana não se isolava da cidade: desenhava-a. Em torno do convento organizavam-se feiras, ruas e devoções, e a sua igreja tornava-se palco da pregação e dos sepultamentos das elites urbanas.

A forma arquitetónica

A planta conventual organizava-se em torno de um ou mais claustros, espaços porticados que articulavam as principais dependências da comunidade: a igreja conventual, com coro alto para os religiosos; a sala do capítulo, onde se reunia a comunidade; o refeitório; a livraria; e, no piso superior, os dormitórios ou as celas individuais. Todo o conjunto era delimitado por uma cerca de clausura, recinto murado que incluía hortas, pomares e espaços de recolhimento, garantindo a separação entre o mundo religioso e o exterior.

A arquitetura dos primeiros conventos mendicantes traduziu o ideal de pobreza num gótico depurado, de volumes claros e ornamentação contida, muito distinto da exuberância das catedrais do norte da Europa. Esta austeridade marcou igrejas de nave única e grandes capelas-mores rasgadas por janelas estreitas. Ao longo dos séculos, porém, os conventos foram enriquecidos com programas decorativos sucessivos — talha dourada, azulejo e retábulos barrocos —, sobrepondo camadas que fazem de cada edifício um arquivo das sucessivas sensibilidades artísticas.

Grandeza, extinção e destino

Alguns conventos atingiram escala monumental e estatuto excecional. O Convento de Cristo, em Tomar, sede da Ordem de Cristo e hoje Património Mundial, e o vastíssimo Convento de Mafra, erguido por D. João V, contam-se entre as obras maiores da arquitetura portuguesa. A par destes, centenas de casas mais modestas espalharam-se pelo território, moldando a malha de muitas cidades.

O ponto de viragem foi 1834. A vitória liberal na guerra civil conduziu à extinção das ordens religiosas masculinas e à incorporação dos seus bens na Fazenda Nacional. Os conventos foram inventariados, encerrados e dispersos: muitos venderam-se a particulares, outros converteram-se em quartéis, hospitais, tribunais ou repartições públicas, e numerosas igrejas passaram a igrejas paroquiais. Este processo provocou perdas patrimoniais irreparáveis, mas também salvou da ruína conjuntos hoje classificados como monumentos nacionais. Compreender o convento é, assim, ler simultaneamente a história das ordens religiosas e a do património religioso que estruturou durante séculos a paisagem urbana portuguesa.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre um convento e um mosteiro?
Tradicionalmente, o convento implantava-se em meio urbano, dentro ou junto às muralhas das cidades, e estava associado às ordens mendicantes; o mosteiro situava-se no campo e ligava-se às ordens monásticas, como a beneditina ou a cisterciense. O crescimento das cidades esbateu esta distinção, pelo que a classificação deve atender ao contexto original de fundação.
Por que motivo muitos conventos portugueses estão hoje devolutos ou têm outros usos?
A extinção das ordens religiosas masculinas, decretada em 1834 após a guerra civil liberal, transferiu os edifícios e bens conventuais para o Estado. Muitos foram vendidos, adaptados a quartéis, hospitais, escolas ou paços do concelho, e as suas igrejas convertidas em paroquiais.

Fontes

  1. Convento — Wikipédia
  2. Mosteiros e Conventos — Património Cultural (DGPC)
  3. Gótico mendicante — Wikipédia