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Castelo de Lindoso

Castelo de Lindoso, fortaleza medieval de fronteira em Ponte da Barca, na serra do Gerês, rodeada pelo maior conjunto de espigueiros do país.

Castelo de Lindoso
Krzysztof Golik, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons

O Castelo de Lindoso é uma fortaleza medieval de fronteira situada na aldeia de Lindoso, no concelho de Ponte da Barca, distrito de Viana do Castelo. Implantado sobre um outeiro rochoso a dominar o vale do rio Lima e a raia com a Galiza, integra-se hoje no Parque Nacional da Peneda-Gerês e é um dos mais expressivos exemplos da arquitetura militar do Alto Minho. Está classificado como Monumento Nacional desde 1910.

História

A construção do castelo remonta ao reinado de D. Afonso III, no século XIII, num período em que a coroa procurava consolidar a defesa da fronteira norte recém-estabelecida. Pouco depois, D. Dinis mandou reforçar e ampliar a fortaleza, atribuindo-se-lhe tradicionalmente a edificação da torre de menagem. O conjunto medieval primitivo compunha-se de uma cerca amuralhada com adarve ameado, duas portas e a referida torre, seguindo o modelo dos castelos roqueiros raianos a que pertencem também o Castelo de Melgaço e outras praças do vale do Minho.

A importância estratégica de Lindoso voltou a afirmar-se durante a Guerra da Restauração (1640-1668). Em 1662, as tropas castelhanas tomaram a praça e iniciaram obras de modernização das defesas, inspiradas no sistema abaluartado de tradição vaubaniana. O castelo foi reconquistado pelos portugueses em 1664, permanecendo definitivamente sob domínio nacional a partir desse momento. As campanhas seiscentistas dotaram o recinto de uma cintura de muralhas de planta estrelada, com baluartes, canhoeiras e guaritas cilíndricas nos vértices, transformando a fortaleza medieval numa praça-forte capaz de resistir ao fogo de artilharia.

O castelo e os espigueiros

A par do valor militar, Lindoso destaca-se pelo notável conjunto etnográfico que rodeia o castelo. Em torno da eira comunitária conserva-se um dos maiores e mais bem preservados núcleos de espigueiros de granito do país — dezenas de exemplares, na sua maioria dos séculos XVIII e XIX. Estas construções elevadas, de pedra e madeira, destinavam-se a secar e armazenar o milho, protegendo-o da humidade e dos roedores. O conjunto de espigueiros encontra-se igualmente protegido, classificado como Imóvel de Interesse Público, e constitui um testemunho ímpar da economia agrária da serra Amarela. Para aprofundar esta tipologia, ver espigueiros e canastros.

A leitura do monumento beneficia do diálogo entre as duas grandes fases construtivas: o austero núcleo românico-gótico e a engenharia abaluartada moderna. Esta sobreposição faz do Castelo de Lindoso um documento privilegiado da evolução das fortificações de fronteira em Portugal, integrável no roteiro mais vasto dos castelos que pontuam a raia minhota.

Visita

O conjunto histórico de Lindoso — castelo, espigueiros, eira e cruzeiro — é de acesso livre e encontra-se a curta distância da fronteira de Madalena/Lindoso. A envolvência paisagística, no coração da Peneda-Gerês, e a proximidade de núcleos como Ponte de Lima tornam-no um ponto de referência do património do norte de Portugal.

Perguntas frequentes

Onde fica o Castelo de Lindoso?
Ergue-se na aldeia de Lindoso, freguesia da serra Amarela, no concelho de Ponte da Barca, distrito de Viana do Castelo, junto à fronteira com a Galiza e dentro do Parque Nacional da Peneda-Gerês.
Quando foi construído o Castelo de Lindoso?
O núcleo medieval data do reinado de D. Afonso III, no século XIII, tendo sido ampliado por D. Dinis. No século XVII recebeu uma cintura abaluartada adaptada à artilharia durante a Guerra da Restauração.
Porque é famoso o Lindoso?
Além do castelo, classificado como Monumento Nacional, Lindoso possui o maior e mais bem conservado conjunto de espigueiros de granito de Portugal, com dezenas de unidades junto à eira comunitária.

Fontes

  1. Castelo de Lindoso — Wikipédia
  2. Castelo e espigueiros de Lindoso — AltoMinho