Monumentos
Castelo de Monsaraz
Castelo de Monsaraz, vila-fortaleza medieval do Alentejo sobre o Guadiana e o Alqueva, na raia com Castela, no concelho de Reguengos de Monsaraz.
No alto de uma crista de xisto que domina a margem direita do Guadiana, o Castelo de Monsaraz coroa uma das mais bem conservadas vilas-fortaleza do Alentejo. A sua silhueta de muralhas e torre de menagem ergue-se sobre um horizonte hoje marcado pelas águas da albufeira do Alqueva, num lugar que vigia, há séculos, a fronteira com Castela. Mais do que um monumento isolado, Monsaraz é um conjunto fortificado em que o castelo, as muralhas urbanas e o casario branco formam um único organismo defensivo.
Da fronteira muçulmana à Ordem do Templo
O esporão sobre o Guadiana foi povoado desde tempos remotos: presume-se uma ocupação proto-histórica, sucessivamente reaproveitada por romanos, visigodos e muçulmanos. A posição, elevada e de difícil acesso, fazia dela uma atalaia natural sobre o rio.
A conquista cristã foi disputada. Geraldo Sem Pavor tomou Monsaraz em 1167, mas a praça regressou ao domínio almóada poucos anos depois. Só em 1232 D. Sancho II, com o apoio da Ordem do Templo, a integrou definitivamente no reino, doando o território aos freires para que assegurassem a sua defesa e povoamento. Esta dependência militar moldou a vila, que viria a ser sede de uma comenda, mais tarde transferida para a Ordem de Cristo.
O castelo gótico de D. Dinis
A configuração que hoje reconhecemos deve-se sobretudo ao reinado de D. Dinis, que mandou reconstruir a torre de menagem em 1310 e ampliar o circuito amuralhado. O castelo, de planta sensivelmente quadrangular, conjuga panos de muralha em xisto reforçados com cal e torres de flanqueamento, segundo a gramática do gótico militar que então redesenhava a raia alentejana.
Monsaraz não se entende como um castelo, mas como uma vila inteira convertida em fortaleza — as casas encostam-se à muralha e a defesa confunde-se com o quotidiano dos seus habitantes.
Esta lógica de vila inteiramente fortificada aproxima Monsaraz de outros núcleos da fronteira, onde a muralha não cinge apenas um reduto militar, mas o próprio aglomerado urbano e a sua população.
A modernização abaluartada e o Alqueva
Com a Guerra da Restauração (1640-1668), a velha fortaleza medieval revelou-se insuficiente perante a artilharia moderna. O Conselho de Guerra de D. João IV determinou a modernização das defesas, e engenheiros militares ao serviço da Coroa — entre eles Nicolau de Langres e Jean Gillot — conceberam muralhas abaluartadas inspiradas na escola de Vauban, adaptadas ao recorte do terreno. Nasceu assim um conjunto que sobrepõe duas eras da arte de fortificar: o castelo gótico e o forte de traçado estrelado, num mesmo esporão.
O conjunto fortificado e a vila foram classificados como Monumento Nacional por decreto de 1946. Hoje, do adarve, o olhar percorre a planície alentejana e, em primeiro plano, o grande espelho de água do Alqueva — uma paisagem que dialoga com o profundo passado da região, legível também no notável complexo megalítico de Monsaraz, com os seus menires e antas dispersos pelos campos em redor.
Quem visita o castelo ganha em prolongar o percurso pelas ruas da própria vila histórica de Monsaraz e em comparar o seu sistema defensivo com o de outras praças do interior, como o castelo de Évoramonte. Em conjunto, estes monumentos do Alentejo desenham a memória de uma fronteira que, durante séculos, definiu o limite oriental de Portugal.
Perguntas frequentes
- Quem reconquistou Monsaraz aos muçulmanos?
- A vila foi conquistada de forma definitiva em 1232 por D. Sancho II, com o auxílio da Ordem do Templo, a quem o território foi doado para defesa e povoamento da fronteira.
- Quando foi construída a torre de menagem do castelo?
- A torre de menagem foi reconstruída em 1310, no reinado de D. Dinis, no âmbito do reforço das muralhas da vila e da consolidação da linha defensiva da raia.
- Porque tem o castelo de Monsaraz fortificações abaluartadas?
- Durante a Guerra da Restauração (1640-1668), a posição estratégica de Monsaraz junto a Castela levou à modernização das defesas com muralhas abaluartadas à maneira de Vauban.