Arqueologia
Complexo megalítico de Monsaraz
O complexo megalítico de Monsaraz, em Reguengos de Monsaraz, reúne o cromeleque do Xerez, menires e antas do Neolítico alentejano.
Em torno do monte de Monsaraz e da vasta planície que desce para o Guadiana concentra-se um dos mais densos conjuntos megalíticos de Portugal. O concelho de Reguengos de Monsaraz reúne mais de uma centena e meia de ocorrências arqueológicas pré-históricas — cromeleques, menires isolados, antas e estações de arte rupestre — testemunho de comunidades de pastores e agricultores que, ao longo do V, IV e III milénios a.C., marcaram este território com a pedra.
O cromeleque do Xerez
A peça mais emblemática do conjunto é o cromeleque do Xerez, identificado em 1969. Trata-se de um recinto megalítico de planta quadrangular, caso raro entre os cromeleques peninsulares, habitualmente circulares ou ovais. Cerca de meia centena de menires graníticos, com alturas entre 1,20 e 1,50 metros, delimitam o recinto, ordenando-se em torno de um grande menir central de forma fálica que ronda os 4,5 metros de altura e cerca de sete toneladas. Vários dos esteios apresentam decoração gravada, com covinhas e motivos esquemáticos.
A datação aponta para o intervalo entre cerca de 4000 e 3000 a.C., embora a função do recinto continue em debate. A leitura mais corrente atribui-lhe um papel cerimonial e simbólico, possivelmente articulado com observações do céu e ciclos agrários — a mesma lógica que percorre os grandes recintos do Alentejo, como o cromeleque dos Almendres, perto de Évora.
A planta quadrangular do Xerez e a sua cronologia recuada fazem dele um dos raros termos de comparação portugueses para os grandes recintos megalíticos atlânticos.
Um monumento que mudou de lugar
O Xerez é também singular pela sua história recente. A construção da barragem de Alqueva, que a partir de 2002 alagou parte do vale do Guadiana, condenava o sítio original à submersão. Para o salvar, o cromeleque foi desmontado em novembro de 2001, pedra a pedra, e voltou a ser erguido em junho de 2004 junto ao convento da Orada, na proximidade de Monsaraz. Foi o único monumento megalítico da área a ser transladado, num exercício de arqueologia de salvamento que suscitou ainda hoje discussão sobre a fidelidade da reconstituição face à implantação primitiva.
Menires e antas no território
O complexo não se esgota no Xerez. Disperso pelo concelho encontra-se um notável conjunto de monumentos. O menir do Outeiro, com perto de seis metros, é dos maiores menires isolados da Península Ibérica. A Rocha dos Namorados, granito erguido com mais de dois metros decorado por covinhas, mantém ainda hoje associado um ritual popular de arremesso de pedras para o topo. As antas do Olival da Pega, sepulturas coletivas de câmara e corredor edificadas entre cerca de 3500 e 3000 a.C., guardaram restos de mais de uma centena de indivíduos, revelando a dimensão funerária e comunitária destas populações.
No seu conjunto, estes monumentos pertencem ao universo mais amplo do megalitismo e da arte megalítica portuguesa, de que os menires gravados são expressão maior — um tema que se desenvolve no estudo das estátuas-menir e estelas. Visitá-los a partir da vila fortificada de Monsaraz é percorrer, num mesmo dia, vários milénios de ocupação humana do Alentejo central.
Perguntas frequentes
- O que integra o complexo megalítico de Monsaraz?
- Reúne o cromeleque do Xerez, menires isolados como o do Outeiro e a Rocha dos Namorados, e antas como as do Olival da Pega, todos no concelho de Reguengos de Monsaraz.
- Porque foi deslocado o cromeleque do Xerez?
- O sítio original ficou submerso pela albufeira de Alqueva. O monumento foi desmontado em novembro de 2001 e reconstruído em junho de 2004 junto ao convento da Orada, perto de Monsaraz.
- De que época é o cromeleque do Xerez?
- Os investigadores situam-no entre o V e o III milénio a.C., no quadro do Neolítico e Calcolítico do Alentejo central.