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Castelo de Óbidos

Castelo de Óbidos: fortaleza medieval e cerca urbana da vila das rainhas, Monumento Nacional no Oeste de Portugal, hoje pousada histórica em Óbidos.

Castelo de Óbidos
Alvesgaspar, CC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons

O Castelo de Óbidos coroa a colina sobre a qual se ergue uma das vilas medievais mais bem conservadas de Portugal. Mais do que uma fortaleza isolada, o conjunto integra o castelejo — o reduto militar propriamente dito — e a cerca urbana, um circuito de muralhas que envolve por inteiro o casario branco. Situado no Oeste, no concelho de Óbidos (distrito de Leiria), está classificado como Monumento Nacional desde 1910.

Da Reconquista ao dote das rainhas

O sítio terá sido sucessivamente ocupado desde a pré-história, com fortificação atribuída ao período muçulmano. No quadro da Reconquista, depois de tomadas Santarém e Lisboa em 1147, as forças de D. Afonso Henriques encontraram tenaz resistência em Óbidos, que só caiu por ardil em 10 de janeiro de 1148. O castelo surge documentado a partir de 1153.

O destino da vila ficou marcado em 1282, quando D. Dinis a doou à rainha Santa Isabel como presente de casamento. A partir desse gesto, Óbidos passou a integrar o dote de todas as rainhas de Portugal, condição que manteve até 1834 e que lhe valeu a designação de “vila das rainhas”. Foi sob D. Dinis que se consolidou boa parte da estrutura militar, incluindo a imponente torre de menagem.

A originalidade de Óbidos não está numa torre ou numa porta, mas no facto raro de a muralha continuar a abraçar a vila inteira, transformando a povoação num monumento contínuo que se percorre a pé.

Um palimpsesto de estilos

As sucessivas campanhas de obras deixaram no recinto uma sobreposição de linguagens arquitetónicas. À matriz românica e gótica da fortaleza medieval somaram-se o requinte manuelino — visível em janelas, portais e na heráldica quinhentista — e elementos barrocos introduzidos após os danos do terramoto de 1755. O resultado é um palimpsesto que se lê nas pedras, do paço senhorial às ameias.

A cerca urbana, com cerca de um quilómetro e meio de perímetro, é pontuada por torreões e portas, sendo a Porta da Vila, revestida a azulejo setecentista, a entrada mais célebre. Este uso da azulejaria como linguagem decorativa integra Óbidos numa tradição que percorre todo o património português.

Da ruína à pousada

Vítima de abandono e do sismo de 1755, o castelo foi alvo de importantes campanhas de restauro a partir de 1932. Em 1951, o castelejo foi adaptado a pousada histórica, tornando-se um dos primeiros exemplos nacionais de reabilitação de um monumento militar para fins turísticos. Hoje, o conjunto é um dos destinos patrimoniais mais visitados do país.

Pela escala e estado de conservação, o Castelo de Óbidos figura entre as referências da arquitetura militar medieval portuguesa, a par de fortalezas como o Castelo de Leiria, com quem partilha a fronteira histórica da Estremadura, ou o emblemático Castelo de São Jorge, em Lisboa.

Perguntas frequentes

Pode dormir-se no Castelo de Óbidos?
Sim. O castelejo foi adaptado a pousada histórica em 1951, sendo possível pernoitar dentro do recinto fortificado. A cerca urbana e as muralhas são de acesso livre.
Porque é Óbidos chamada a 'vila das rainhas'?
Em 1282, D. Dinis doou Óbidos a sua mulher, a rainha Santa Isabel. A partir daí, a vila e o seu castelo integraram o dote das rainhas de Portugal até 1834.
Quando foi conquistado aos mouros?
Óbidos foi tomada por D. Afonso Henriques em 10 de janeiro de 1148, através de um estratagema, no contexto da Reconquista que se seguiu à conquista de Lisboa.

Fontes

  1. Castelo de Óbidos — Wikipédia
  2. Câmara Municipal de Óbidos — História