Monumentos
Castelo de São Jorge
Castelo de São Jorge, a cidadela medieval que coroa a colina mais alta de Lisboa, de raízes muçulmanas e conquistada por D. Afonso Henriques em 1147.
O Castelo de São Jorge ergue-se no cimo da colina mais alta de Lisboa, dominando a cidade e o estuário do Tejo a partir do bairro que dele tomou o nome. Mais do que uma fortificação, o conjunto reúne séculos de ocupação sobreposta — do povoado pré-romano à alcáçova muçulmana, do paço régio medieval ao sítio arqueológico contemporâneo — sendo um dos lugares mais carregados de memória da capital portuguesa. Foi classificado como Monumento Nacional em 1910.
Das origens à conquista cristã
A colina do castelo foi habitada desde a Idade do Ferro, e os vestígios arqueológicos documentam presença fenícia, romana e visigótica antes da chegada dos muçulmanos no século VIII. Sob domínio islâmico, o cabeço foi fortificado e tornou-se a alcáçova — o reduto militar e residencial que protegia a medina de al-Ushbuna. As muralhas que hoje se percorrem conservam, na sua traça essencial, o perímetro defensivo erguido nesse período, com as suas torres albarrãs e o adarve corrido.
O momento decisivo chegou em 1147, quando D. Afonso Henriques, auxiliado por uma armada de cruzados do norte da Europa que demandava a Terra Santa, cercou Lisboa durante cerca de quatro meses. A cidade capitulou em outubro desse ano, e a tomada da alcáçova selou a integração de Lisboa no jovem reino de Portugal — um episódio narrado em primeira mão na célebre carta do cruzado Osberno.
Mais do que uma muralha, a colina do castelo é um palimpsesto: cada camada de pedra guarda uma cidade diferente, da fenícia à medieval, escrita sobre a anterior.
O Paço Real e o apogeu medieval
Com a transferência da capital do reino para Lisboa em 1255, o castelo conheceu o seu período de maior esplendor. O antigo reduto muçulmano foi adaptado a Paço Real da Alcáçova, residência dos monarcas portugueses e palco de acontecimentos centrais da história nacional. Foi aqui que terá sido recebido Vasco da Gama no regresso da Índia e que se reuniram cortes e embaixadas. A dedicação a São Jorge, padroeiro dos cavaleiros, fixou-se neste contexto, ligada à aliança com Inglaterra firmada pelo Tratado de Windsor (1386).
A vocação palaciana declinou no século XVI, com a mudança da corte para o Paço da Ribeira, junto ao rio. A partir de então, o conjunto perdeu protagonismo civil e foi sucessivamente reutilizado como quartel e estrutura militar. O terramoto de 1755 agravou a sua degradação.
Redescoberta e o castelo de hoje
A imagem cénica que hoje conhecemos resulta em larga medida da grande campanha de restauro conduzida entre 1938 e 1940 pela Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, que demoliu construções parasitas, consolidou as muralhas e devolveu ao recinto o seu carácter medieval. Escavações posteriores trouxeram à luz os alicerces do Paço da Alcáçova, integrados num núcleo museológico visitável.
Atualmente, o castelo é um dos monumentos mais visitados de Portugal, oferecendo dos seus miradouros uma das mais amplas panorâmicas sobre Lisboa — da Sé de Lisboa, erguida pouco após a conquista de 1147, ao casario que desce em direção ao Tejo. Inscreve-se no conjunto das grandes fortificações medievais portuguesas, a par de exemplares como o Castelo de Óbidos ou o Castelo de Guimarães, berço da nacionalidade. Mais do que uma relíquia, permanece um espaço vivo de fruição e de leitura da própria evolução urbana de Lisboa.
Perguntas frequentes
- Quando foi o Castelo de São Jorge conquistado aos muçulmanos?
- A cidadela foi tomada por D. Afonso Henriques em 25 de outubro de 1147, no final do cerco de Lisboa, com o apoio de cruzados que rumavam à Terra Santa.
- Porque se chama Castelo de São Jorge?
- A dedicação a São Jorge, santo guerreiro e padroeiro dos cruzados, terá sido estabelecida no reinado de D. João I, no final do século XIV, em contexto da aliança luso-inglesa.
- O que se pode ver hoje no castelo?
- Além das muralhas e torres da fortificação, o recinto inclui vestígios do antigo Paço Real da Alcáçova, um núcleo arqueológico, a Câmara Escura e amplos miradouros sobre Lisboa e o Tejo.