Monumentos
Castelo de Porto de Mós
Castelo de Porto de Mós: paço-castelo gótico-renascentista com torres de coruchéus verdes, residência de D. Afonso, conde de Ourém, no distrito de Leiria.
Recortado contra o céu da bacia que separa as serras dos Candeeiros e de Aire, o Castelo de Porto de Mós é um dos monumentos militares mais originais de Portugal. As suas torres rematadas por coruchéus piramidais de telha vidrada verde, visíveis a grande distância, sinalizam logo que não se está perante uma fortaleza qualquer, mas sim diante de um paço-castelo onde se cruzam memória militar medieval, gosto gótico e ensaios já renascentistas.
Da conquista cristã à casa de Ourém
O sítio foi ocupado desde a pré-história e conheceu presença romana, de que restaram moedas e inscrições latinas. O castelo medieval entra na história nacional em 1148, quando passa para mãos cristãs no contexto da expansão a sul iniciada por D. Afonso Henriques, ficando ligado à figura lendária do alcaide D. Fuas Roupinho. Sob D. Sancho I a povoação prosperou e, em 1305, D. Dinis concedeu-lhe foral. Depois da crise dinástica de 1383-1385, o domínio integrou-se no património de D. Nuno Álvares Pereira, o Condestável, vindo mais tarde a pertencer à poderosa Casa de Bragança.
D. Afonso e o paço gótico-renascentista
A fase de esplendor do conjunto deve-se a D. Afonso (1403-1460), 4.º conde de Ourém e neto do rei D. João I e do Condestável. Homem culto e viajado, o mesmo que reinventou o Castelo de Ourém à maneira das residências senhoriais do seu tempo, mandou converter o velho castelo de Porto de Mós em paço condal. Dessa intervenção resulta a planta pentagonal irregular, com cinco torres de ângulo, e a notável fachada meridional, onde se abre uma dupla galeria de arcos conopiais sobre abóbadas de cruzaria, separada ao centro por um contraforte saliente. É aqui que o vocabulário gótico convive com soluções de inspiração renascentista, num diálogo característico da arquitetura gótica em Portugal em transição para os modos do Renascimento.
No interior das muralhas conservam-se vestígios de um pátio que terá sido ladeado por pórtico de colunas e pilastras, com a cisterna facetada ao centro — testemunho da ambição residencial que presidiu à obra. Os coruchéus verdes, hoje a imagem de marca do monumento, traduzem esse mesmo desejo de magnificência, próprio de uma das mais ricas casas da nobreza portuguesa do final da Idade Média.
Ruína e recuperação
O terramoto de 1755 atingiu duramente a estrutura, agravada por novo sismo em 1909. Reconhecido o seu valor, o castelo foi classificado como Monumento Nacional em 1910, integrando o conjunto de fortificações que pontuam a paisagem do distrito de Leiria. As campanhas de restauro, iniciadas nos anos 1960 e retomadas a partir de 2001, permitiram consolidar as muralhas e devolver legibilidade ao paço, que hoje acolhe visitantes e atividades culturais. Mais do que uma ruína militar, o Castelo de Porto de Mós lê-se como um documento construído sobre a passagem do castelo medieval à residência aristocrática do Renascimento português.
Perguntas frequentes
- Porque é que o Castelo de Porto de Mós tem torres verdes?
- Duas das torres meridionais são rematadas por coruchéus piramidais revestidos a telha vidrada verde, solução decorativa singular que torna o monumento inconfundível à distância e o aproxima do gosto cortesão do século XV.
- Quem transformou o castelo num paço senhorial?
- A grande remodelação deve-se a D. Afonso, 4.º conde de Ourém, que em meados do século XV converteu a antiga fortaleza medieval numa residência condal de feição gótico-renascentista.
- Onde fica o Castelo de Porto de Mós?
- Ergue-se sobre a vila de Porto de Mós, na freguesia de São Pedro, distrito de Leiria, na região Centro de Portugal, junto à serra dos Candeeiros.