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Castelo de Silves

Castelo de Silves, em Faro: a maior fortificação muçulmana do Algarve, em taipa e grés vermelho, antiga alcáçova da cidade islâmica de Xelb.

Castelo de Silves
Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL, CC BY-SA 2.0 — Wikimedia Commons

Erguido sobre a colina que domina o vale do rio Arade, o Castelo de Silves é a maior e mais impressionante fortificação de origem muçulmana do Algarve e um dos testemunhos mais completos da arquitetura militar islâmica em Portugal. As suas muralhas de grés vermelho recortam o céu da antiga Xelb, capital de um território que, entre os séculos VIII e XIII, rivalizou em prestígio com Lisboa, Sevilha e Córdova.

A alcáçova de Xelb

O que hoje subsiste corresponde sobretudo à alcáçova, a cidadela fortificada que coroava a cidade e abrigava a elite administrativa e militar. O conjunto integra uma muralha contínua, com um adarve que se desenvolve por cerca de 388 metros, e onze torres — nove adossadas e duas torres albarrãs avançadas, ligadas por arcos à cortina. O acesso fazia-se por uma porta dupla com átrio, flanqueada por torres, solução defensiva típica das fortificações andalusinas.

A técnica construtiva é o traço mais distintivo do monumento: o núcleo das muralhas é de taipa militar, terra compactada em moldes, posteriormente revestida com silhares de grés de Silves. É esta arenita avermelhada, extraída na própria região, que dá ao castelo a tonalidade quente que o torna inconfundível à distância.

A cor do Castelo de Silves não é um acrescento decorativo, mas a própria geologia do Algarve tornada arquitetura: o grés vermelho que define a paisagem ergueu-se aqui em muralha.

Da fundação islâmica à Reconquista

As primeiras referências à cidade fortificada remontam ao século X, quando o geógrafo al-Razi descreveu Silves como possuindo castelo e a melhor vila do Algarve. A maior parte das estruturas visíveis data, porém, do período almóada (séculos XII–XIII), fase de apogeu urbano em que Xelb foi descrita como sumptuosa e populosa.

No interior do recinto, com cerca de 12 000 m², conservam-se vestígios notáveis: a grande cisterna, escavada para garantir o abastecimento de água em caso de cerco, silos subterrâneos para armazenamento de cereais, e os alicerces de um paço almóada — raro exemplar de arquitetura palaciana islâmica conhecido em território nacional.

A conquista cristã foi disputada e demorada. A cidade caiu em 1189 às mãos de D. Sancho I, com auxílio de cruzados, voltou ao domínio almóada poucos anos depois e só foi definitivamente integrada no reino de Portugal em meados do século XIII, no reinado de D. Afonso III, quando o Algarve passou a fazer parte do território português.

Significado e visita

Classificado como Monumento Nacional desde 1910, o Castelo de Silves é peça central na leitura do passado andalusino do sul de Portugal e um dos pontos altos do conjunto dos castelos portugueses. A sua importância distingue-o de outras praças-fortes medievais de raiz cristã, como o Castelo de Marvão, e insere-o na longa história das fortificações que moldaram o território nacional.

Hoje, percorrer o adarve permite abraçar com o olhar a serra de Monchique, o casario histórico da vila e a antiga Sé, herdeira de uma cidade que foi durante séculos uma das mais brilhantes do extremo ocidental do Islão peninsular.

Perguntas frequentes

De que material são feitas as muralhas do Castelo de Silves?
As muralhas foram erguidas em taipa militar e revestidas com grés vermelho de Silves, a pedra arenosa local que confere ao monumento a sua característica tonalidade avermelhada.
Porque era o castelo conhecido como Xelb?
Xelb (ou Xilb) era o nome árabe da cidade durante o domínio muçulmano, entre os séculos VIII e XIII. Foi capital de um próspero território do Garb al-Andalus, comparada em grandeza a Lisboa, Sevilha e Córdova.
O Castelo de Silves pode ser visitado?
Sim. O recinto da alcáçova está aberto ao público, com adarve, cisterna e vestígios do paço almóada, sendo gerido pelo município de Silves.

Fontes

  1. Castelo de Silves — Wikipédia
  2. Castelo e Cerca Urbana de Silves — SIPA / Monumentos.gov.pt
  3. Castelo de Silves — Câmara Municipal de Silves