Monumentos
Castelo de Silves
Castelo de Silves, em Faro: a maior fortificação muçulmana do Algarve, em taipa e grés vermelho, antiga alcáçova da cidade islâmica de Xelb.
Erguido sobre a colina que domina o vale do rio Arade, o Castelo de Silves é a maior e mais impressionante fortificação de origem muçulmana do Algarve e um dos testemunhos mais completos da arquitetura militar islâmica em Portugal. As suas muralhas de grés vermelho recortam o céu da antiga Xelb, capital de um território que, entre os séculos VIII e XIII, rivalizou em prestígio com Lisboa, Sevilha e Córdova.
A alcáçova de Xelb
O que hoje subsiste corresponde sobretudo à alcáçova, a cidadela fortificada que coroava a cidade e abrigava a elite administrativa e militar. O conjunto integra uma muralha contínua, com um adarve que se desenvolve por cerca de 388 metros, e onze torres — nove adossadas e duas torres albarrãs avançadas, ligadas por arcos à cortina. O acesso fazia-se por uma porta dupla com átrio, flanqueada por torres, solução defensiva típica das fortificações andalusinas.
A técnica construtiva é o traço mais distintivo do monumento: o núcleo das muralhas é de taipa militar, terra compactada em moldes, posteriormente revestida com silhares de grés de Silves. É esta arenita avermelhada, extraída na própria região, que dá ao castelo a tonalidade quente que o torna inconfundível à distância.
A cor do Castelo de Silves não é um acrescento decorativo, mas a própria geologia do Algarve tornada arquitetura: o grés vermelho que define a paisagem ergueu-se aqui em muralha.
Da fundação islâmica à Reconquista
As primeiras referências à cidade fortificada remontam ao século X, quando o geógrafo al-Razi descreveu Silves como possuindo castelo e a melhor vila do Algarve. A maior parte das estruturas visíveis data, porém, do período almóada (séculos XII–XIII), fase de apogeu urbano em que Xelb foi descrita como sumptuosa e populosa.
No interior do recinto, com cerca de 12 000 m², conservam-se vestígios notáveis: a grande cisterna, escavada para garantir o abastecimento de água em caso de cerco, silos subterrâneos para armazenamento de cereais, e os alicerces de um paço almóada — raro exemplar de arquitetura palaciana islâmica conhecido em território nacional.
A conquista cristã foi disputada e demorada. A cidade caiu em 1189 às mãos de D. Sancho I, com auxílio de cruzados, voltou ao domínio almóada poucos anos depois e só foi definitivamente integrada no reino de Portugal em meados do século XIII, no reinado de D. Afonso III, quando o Algarve passou a fazer parte do território português.
Significado e visita
Classificado como Monumento Nacional desde 1910, o Castelo de Silves é peça central na leitura do passado andalusino do sul de Portugal e um dos pontos altos do conjunto dos castelos portugueses. A sua importância distingue-o de outras praças-fortes medievais de raiz cristã, como o Castelo de Marvão, e insere-o na longa história das fortificações que moldaram o território nacional.
Hoje, percorrer o adarve permite abraçar com o olhar a serra de Monchique, o casario histórico da vila e a antiga Sé, herdeira de uma cidade que foi durante séculos uma das mais brilhantes do extremo ocidental do Islão peninsular.
Perguntas frequentes
- De que material são feitas as muralhas do Castelo de Silves?
- As muralhas foram erguidas em taipa militar e revestidas com grés vermelho de Silves, a pedra arenosa local que confere ao monumento a sua característica tonalidade avermelhada.
- Porque era o castelo conhecido como Xelb?
- Xelb (ou Xilb) era o nome árabe da cidade durante o domínio muçulmano, entre os séculos VIII e XIII. Foi capital de um próspero território do Garb al-Andalus, comparada em grandeza a Lisboa, Sevilha e Córdova.
- O Castelo de Silves pode ser visitado?
- Sim. O recinto da alcáçova está aberto ao público, com adarve, cisterna e vestígios do paço almóada, sendo gerido pelo município de Silves.