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Castelo de Soure

Castelo de Soure, no distrito de Coimbra: antiga fortaleza da linha do Mondego e palco da primeira grande doação aos Templários em Portugal, em 1128.

Castelo de Soure
Hugo Ferreira, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons

O Castelo de Soure é uma fortificação medieval em ruínas implantada sobre a vila de Soure, no distrito de Coimbra, junto ao rio Anços, na bacia do Mondego. Apesar do seu estado fragmentário, ocupa um lugar singular na história militar e religiosa portuguesa: foi aqui que, no início do século XII, se consolidou a presença da Ordem do Templo no jovem reino, na sequência da primeira grande doação feita aos Templários em território português.

Origens na linha do Mondego

A fortificação primitiva de Soure remonta ao período compreendido entre 1064 e 1111, num momento em que a fronteira cristã se fixava nas margens do Mondego. Há quem atribua a sua fundação ao conde moçárabe Sesnando Davides, governador de Coimbra após a conquista da cidade em 1064; outros associam-na à carta de povoamento concedida pelo conde D. Henrique em 1111, destinada a atrair colonos para uma zona ainda exposta às investidas muçulmanas. Em qualquer dos casos, Soure nasce como peça avançada de uma rede defensiva que articulava posições como o castelo de Montemor-o-Velho e o próprio núcleo urbano de Coimbra.

A doação aos Templários

O acontecimento que marca para sempre a memória do castelo ocorre a 19 de março de 1128, quando a condessa D. Teresa doa à Ordem do Templo “o castelo de Soure e todas as terras entre Coimbra e Leiria”. A doação foi confirmada no ano seguinte pelo infante D. Afonso Henriques, que se declarava “irmão” da Ordem. Tratou-se de um ato de invulgar relevo, pois aconteceu poucos meses após a promulgação da Regra do Templo, e fez de Soure uma das primeiras sedes templárias em Portugal.

Soure foi a porta de entrada da Ordem do Templo no território português, antecedendo a fixação definitiva em Tomar e a construção do Convento de Cristo.

Os Templários empreenderam a reconstrução da fortaleza, dotando-a de novas torres de planta quadrada. A sua ação expansionista seria, porém, interrompida em 1144 por uma contraofensiva muçulmana que tomou Soure, matando ou levando cativos para Santarém muitos dos seus habitantes. Recuperada a praça, o castelo manteve a função de baluarte fronteiriço até a fronteira se deslocar definitivamente para sul.

Da Ordem de Cristo às ruínas

Extinta a Ordem do Templo, os domínios de Soure transitaram para a Ordem de Cristo por bula papal de 14 de março de 1319, constituindo-se de imediato como cabeça de comenda. Com o avanço da Reconquista e o consequente desafogo militar da região, a fortaleza perdeu importância estratégica e foi-se degradando ao longo dos séculos seguintes.

Hoje, o que resta integra-se no conjunto mais vasto das fortificações medievais portuguesas: subsistem troços de muralha e duas das quatro torres originais, em alvenaria de feição românica com vestígios de intervenções góticas e manuelinas. O Castelo de Soure está classificado como Monumento Nacional desde o decreto de 5 de abril de 1949, sendo um testemunho material dos primórdios da presença templária em Portugal e da estruturação da fronteira do Mondego.

Perguntas frequentes

Onde fica o Castelo de Soure?
Ergue-se sobre a vila de Soure, no distrito de Coimbra, na margem do rio Anços, um afluente do Mondego, a cerca de 25 km a sul da cidade de Coimbra.
Qual a ligação do castelo aos Templários?
Em 19 de março de 1128, a condessa D. Teresa doou à Ordem do Templo o castelo de Soure e todas as terras entre Coimbra e Leiria. Foi a primeira grande doação aos Templários em Portugal e o castelo tornou-se uma das suas primeiras sedes no reino.
O que resta hoje do castelo?
O conjunto encontra-se em ruínas. Subsistem panos de muralha e duas das quatro torres originais, de planta quadrada, que testemunham as campanhas templárias de reconstrução.

Fontes

  1. Castelo de Soure — Wikipédia
  2. SIPA — Castelo de Soure