Património Mundial
Convento de Cristo em Tomar
O Convento de Cristo em Tomar, antiga sede templária e da Ordem de Cristo, Património Mundial da UNESCO desde 1983, com a Charola e a Janela do Capítulo.
No alto de uma colina sobre a cidade de Tomar, no distrito de Santarém, ergue-se um dos conjuntos monumentais mais densos e estratificados de Portugal. O Convento de Cristo nasceu como castelo e fortaleza dos Cavaleiros do Templo e transformou-se, ao longo de quase cinco séculos, na sede da Ordem de Cristo e num símbolo maior da expansão marítima portuguesa. Foi inscrito na lista do Património Mundial da UNESCO em 1983, pelos critérios (i) e (vi).
Dos Templários à Ordem de Cristo
A origem do sítio remonta a 1160, quando o mestre templário Gualdim Pais mandou edificar o castelo e a sua igreja, no contexto da Reconquista e da defesa da linha do Tejo. O elemento mais antigo e singular é a Charola, um oratório de planta centrada, de raiz românica e tardo-românica, inspirado nos modelos das rotundas do Oriente. No seu interior, um deambulatório envolve um corpo octogonal central, decorado com pintura e talha que lhe conferem um caráter cenográfico raro.
Extinta a Ordem do Templo no início do século XIV, os seus bens em Portugal passaram, por iniciativa do rei D. Dinis, para a recém-criada Ordem de Cristo, em 1319. A partir de 1420, sob o governo do Infante D. Henrique, e mais tarde de D. Manuel I, a casa templária converteu-se em verdadeiro convento, abrindo um dos capítulos mais fecundos da sua história.
Concebido como monumento da Reconquista, o Convento de Cristo acabaria por exprimir o contrário: a abertura de Portugal ao mundo no tempo dos Descobrimentos.
A Janela do Capítulo e o esplendor manuelino
Durante o reinado de D. Manuel I, a velha Charola foi prolongada para poente por uma nova nave, a chamada igreja manuelina, ligando o oratório templário ao convento. É nesta fase que surge o ex-líbris do monumento: a Janela do Capítulo, esculpida por volta de 1510, atribuída ao mestre Diogo de Arruda. Nela, cordas, búzios, algas, raízes e a cruz da Ordem de Cristo entrelaçam-se numa exuberância naturalista que faz dela um dos pontos mais altos do estilo manuelino, a par da escultura do Mosteiro da Batalha.
Em redor da igreja desenvolvem-se vários claustros de épocas distintas, entre os quais o sóbrio Claustro de D. João III, obra-prima do Renascimento e do Maneirismo, projetada no século XVI por Diogo de Torralva e concluída por Filippo Terzi. Foi nele, em 1581, que se realizaram as Cortes de Tomar, que aclamaram Filipe II de Espanha rei de Portugal.
Um conjunto fortificado e hidráulico
O Convento de Cristo não se limita à igreja e aos claustros. Integra um perímetro amuralhado de raiz medieval, próximo das tradições das fortificações portuguesas, e foi servido pelo notável Aqueduto dos Pegões, com cerca de seis quilómetros e mais de uma centena de arcos, que abastecia de água a comunidade conventual.
Esta acumulação de campanhas construtivas — do românico ao maneirismo — faz do monumento um manual vivo da arquitetura portuguesa. Inserido na rede dos grandes conventos do país, o Convento de Cristo continua a ser um dos monumentos mais visitados de Portugal e um destino incontornável para quem procura compreender a ligação entre arquitetura, ordens militares e a memória da época das navegações.
Perguntas frequentes
- Quem fundou o Convento de Cristo em Tomar?
- A fundação remonta a 1160, quando o mestre templário Gualdim Pais mandou erguer o castelo e a Charola, durante o reinado de D. Afonso Henriques. O conjunto foi depois ampliado pela Ordem de Cristo.
- Porque é que o Convento de Cristo é Património Mundial?
- Foi inscrito na lista da UNESCO em 1983 pelos critérios (i) e (vi), por reunir num só conjunto cerca de cinco séculos de arquitetura portuguesa e por ligar a história dos Templários à da Ordem de Cristo e aos Descobrimentos.
- O que é a Janela do Capítulo?
- É a célebre janela manuelina da Casa do Capítulo, esculpida em pedra com cordas, búzios, raízes e a cruz de Cristo. É considerada um dos cumes da escultura manuelina em Portugal.