Períodos & Estilos
Escola do Porto
A Escola do Porto, corrente arquitetónica nascida do ensino de Belas-Artes e da FAUP, fundada por Fernando Távora e matriz de Siza e Souto de Moura.
A Escola do Porto designa uma corrente de pensamento e prática arquitetónica que emergiu na cidade do Porto a partir de meados do século XX e que se tornou uma das mais influentes na história da arquitetura portuguesa. Mais do que uma instituição, é uma genealogia de mestres e discípulos, indissociável do ensino ministrado primeiro na Escola Superior de Belas-Artes do Porto (ESBAP) e, desde 1979-1980, na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP). O seu traço distintivo é a recusa de fórmulas universais e a obstinada atenção ao lugar: cada obra responde ao contexto físico, histórico e social que a recebe.
Das Belas-Artes à FAUP
A semente institucional foi lançada quando o ensino da arquitetura ganhou autonomia dentro das Belas-Artes portuenses. O ponto de viragem ocorreu sob a direção de Carlos Ramos (1952-1967), que abriu a escola às correntes contemporâneas e substituiu a rigidez académica por um ensino baseado no estudo do projeto, no debate e na liberdade crítica. Foi neste ambiente que se formou Fernando Távora (1923-2005), figura tutelar do movimento, que cedo questionou tanto o academismo como a aplicação acrítica dos dogmas do Movimento Moderno internacional.
Távora participou nos debates dos CIAM e foi um dos protagonistas do Inquérito à Arquitetura Popular Portuguesa (publicado em 1961), levantamento que demonstrou a inexistência de um “estilo nacional” e revelou, em contrapartida, a inteligência construtiva das arquiteturas vernáculas regionais. Essa lição — conciliar a abstração e a economia da linguagem moderna com a memória do lugar — tornou-se a coluna vertebral da Escola.
Uma linhagem de mestres
A força do movimento reside na transmissão direta entre gerações. Távora foi professor e mentor de Álvaro Siza Vieira, que iniciou a carreira no seu atelier e viria a receber o Prémio Pritzker em 1992. Siza, por sua vez, orientou Eduardo Souto de Moura, distinguido com o mesmo galardão em 2011. A esta linha juntam-se nomes como Viana de Lima, Arménio Losa, Alcino Soutinho, Alexandre Alves Costa, Sérgio Fernandez ou Pedro Ramalho, que alargaram a influência da corrente ao ensino e à prática.
Não há um estilo da Escola do Porto, mas um método: olhar o lugar antes de desenhar, e deixar que o programa, o terreno e a luz ditem a forma.
Obras emblemáticas balizam esta trajetória: a Casa de Chá da Boa Nova e as Piscinas das Marés de Leça da Palmeira, de Siza, encastradas na rocha do litoral; o Mercado de Santa Maria da Feira, de Távora; o Bairro da Bouça, fruto do programa habitacional SAAL (1974-1976); e o próprio edifício da FAUP, projetado por Siza, manifesto construído da pedagogia que abriga. A relação da Escola com a arquitetura contemporânea em Portugal é, por isso, de continuidade e de magistério.
Significado e herança
A Escola do Porto prolongou e reinterpretou o modernismo em Portugal numa chave crítica e enraizada, distante quer da monumentalidade oficial do Estado Novo quer do internacionalismo abstrato. O seu rigor no desenho, a economia de meios e a sensibilidade ao território deram a Portugal projeção internacional duradoura, sobretudo através da obra de Álvaro Siza. Hoje, a expressão continua a ser usada — por vezes com cautela — para nomear não uma marca formal, mas uma atitude: a convicção de que a arquitetura nasce do diálogo paciente entre o moderno e o lugar.
Perguntas frequentes
- Quem fundou a Escola do Porto?
- A corrente formou-se em torno do ensino de Carlos Ramos na Escola de Belas-Artes do Porto e foi consolidada por Fernando Távora, considerado o seu mestre fundador, que orientou as gerações seguintes.
- Que arquitetos representam a Escola do Porto?
- Além de Fernando Távora, destacam-se Álvaro Siza Vieira (Prémio Pritzker em 1992) e Eduardo Souto de Moura (Pritzker em 2011), seus discípulos diretos.
- A Escola do Porto é uma instituição ou um movimento?
- É sobretudo um movimento ou corrente de pensamento arquitetónico, ainda que indissociável das instituições onde nasceu: a ESBAP e, desde 1979-1980, a Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP).