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Períodos & Estilos
Arquitetura Contemporânea em Portugal
A arquitetura contemporânea em Portugal e o seu reconhecimento internacional, da Escola do Porto aos dois Prémios Pritzker de Siza e Souto de Moura.
- Construção
- de meados do século XX à atualidade
- Estilo
- Arquitetura contemporânea
A arquitetura contemporânea em Portugal não tem uma data de nascimento consensual. Os seus primeiros sinais reconhecíveis surgem em torno de 1950, quando uma nova geração começa a questionar tanto o monumentalismo do Estado Novo como a aplicação dogmática dos cânones do Movimento Moderno internacional. A Revolução de 25 de Abril de 1974 é, contudo, o marco mais citado: a transição democrática multiplicou as encomendas públicas, o planeamento urbano e os programas de habitação social, dando aos arquitetos um campo de ação alargado. Deste contexto emergiu uma produção que, nas décadas seguintes, conquistaria um prestígio internacional improvável para um país periférico e de pequena dimensão.
A Escola do Porto e a continuidade do lugar
O eixo desta afirmação foi a chamada Escola do Porto, corrente formada em torno da Escola Superior de Belas-Artes da cidade e, mais tarde, da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto. A sua figura tutelar é Fernando Távora, que recusou tanto o pastiche historicista como a tabula rasa modernista. Em seu lugar propôs uma síntese: conciliar a funcionalidade e a economia de meios do modernismo com o contexto histórico, o clima e as raízes da arquitetura popular portuguesa, cujo levantamento sistemático ficaria registado no célebre Inquérito à Arquitetura Popular em Portugal dos anos 1950 e 1960.
Esta atenção ao lugar — à topografia, à preexistência, à matéria local — distingue a tradição portuguesa de muitas vanguardas internacionais mais autorreferenciais. Em vez de um estilo fechado, trata-se de um método: cada obra responde ao seu sítio específico, prolongando antes uma postura herdada do modernismo em Portugal e da reação à pesada arquitetura do Estado Novo.
O traço mais original da arquitetura portuguesa contemporânea não é um repertório formal, mas uma disciplina: a ideia de que a forma se descobre no lugar, e não se impõe sobre ele.
Dois Prémios Pritzker
O reconhecimento internacional cristalizou em dois Prémios Pritzker, a mais alta distinção da disciplina. Em 1992, Álvaro Siza Vieira tornou-se o primeiro arquiteto português a recebê-lo; em 2011, Eduardo Souto de Moura, que colaborara com Siza no final dos anos 1970, foi o segundo. Ambos se formaram no Porto, e o facto de uma só cidade reunir dois laureados é, em si, uma medida da densidade desta cultura arquitetónica.
A obra de Siza ilustra bem essa coerência: do Pavilhão de Portugal da Expo 98, com a sua célebre pala de betão suspensa como um pano sobre a praça, ao Museu de Serralves, inaugurado em 1999, a depuração das formas brancas dialoga sempre com o percurso e a luz. Souto de Moura levaria a mesma exigência a obras como o Estádio Municipal de Braga, escavado numa antiga pedreira, demonstrando que o rigor da Escola do Porto podia confrontar-se com programas de grande escala.
Pluralidade contemporânea
Reduzir a arquitetura portuguesa atual à Escola do Porto seria, porém, empobrecê-la. A geração seguinte e os arquitetos de Lisboa — entre eles Gonçalo Byrne e João Luís Carrilho da Graça — alargaram o vocabulário a registos mais variados, do minimalismo a inflexões do desconstrutivismo. A própria abertura do país atraiu obras de autores estrangeiros, como a Casa da Música no Porto, projetada pelo neerlandês Rem Koolhaas e inaugurada em 2005.
No século XXI, a disciplina cruza-se de forma crescente com a responsabilidade ambiental e com a reabilitação do existente, em diálogo permanente com o restante património abordado em períodos e estilos. Mais do que um estilo encerrado, a arquitetura contemporânea em Portugal define-se por essa pluralidade de gerações em atividade simultânea, unidas por uma atenção comum ao desenho e ao território.
Perguntas frequentes
- Quantos arquitetos portugueses ganharam o Prémio Pritzker?
- Dois, ambos ligados à cidade do Porto: Álvaro Siza Vieira recebeu o galardão em 1992 e Eduardo Souto de Moura em 2011. O Pritzker é a mais alta distinção internacional da arquitetura, frequentemente descrita como o Nobel da disciplina.
- O que é a Escola do Porto?
- É uma corrente da arquitetura portuguesa formada em torno da Escola Superior de Belas-Artes do Porto e, mais tarde, da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto. Valoriza o desenho rigoroso, a relação com o lugar e a continuidade com a arquitetura popular, tendo Fernando Távora como referência fundadora.
- Quando começa a arquitetura contemporânea em Portugal?
- Não tem uma data fixa, mas os primeiros sinais surgem em torno de 1950. A Revolução de 25 de Abril de 1974 é frequentemente apontada como o momento que impulsionou o movimento, abrindo novos campos de intervenção social e urbana.
Fontes
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