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Faro

Faro, capital do Algarve: a Vila-a-Dentro muralhada, a Sé Catedral, a Capela dos Ossos e um núcleo histórico com raízes romanas na antiga Ossonoba.

Faro
Didier Descouens, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons

Capital do Algarve e cabeça do seu distrito, Faro é uma cidade que conjuga porto, sapal e centro histórico numa franja de litoral protegida pela Ria Formosa. A sua identidade patrimonial assenta num núcleo muralhado de notável continuidade — a Vila-a-Dentro — onde camadas romanas, islâmicas e cristãs se sobrepõem em poucas centenas de metros.

De Ossonoba a Faro

A ocupação remonta à Antiguidade: aqui floresceu Ossonoba, um dos mais importantes centros urbanos do sul da Península Ibérica, ativo desde a colonização púnica e consolidado em época romana como porto comercial de produtos agrícolas, pescado e minérios. A sua importância prolongou-se pela Antiguidade Tardia, quando foi sede episcopal paleocristã.

Com a conquista muçulmana, a povoação passou a designar-se Santa Maria Ibn Harun — origem provável do topónimo Faro. Sob domínio islâmico ergueu-se a alcáçova e desenharam-se as ruas sinuosas que ainda hoje estruturam a cidade velha. A reconquista cristã chegou em 1249, com D. Afonso III, fazendo de Faro uma das últimas praças algarvias a integrar o reino de Portugal.

A planta da Vila-a-Dentro é, em si mesma, um documento: o traçado labiríntico denuncia a cidade muçulmana, ao passo que os grandes equipamentos religiosos marcam a apropriação cristã do mesmo espaço.

A Vila-a-Dentro e os seus monumentos

O coração patrimonial de Faro é a cidade muralhada, acedida por dois arcos emblemáticos. O Arco da Vila, de feição neoclássica, foi projetado em 1812 pelo arquiteto genovês Francisco Xavier Fabri sobre uma porta medieval; o Arco do Repouso, mais sóbrio, conserva memória da entrada de D. Afonso III. No interior ergue-se a Sé Catedral de Faro, edifício de origem medieval várias vezes reconstruído após o saque das tropas inglesas do Conde de Essex, em 1596, e o terramoto de 1755.

Em torno da Sé organizam-se o antigo Paço Episcopal e o largo lajeado que constitui um dos espaços urbanos mais bem preservados do Algarve. A elevação de Faro a cidade, em 1540, e a transferência da sede do bispado de Silves para aqui, no século XVI, explicam a densidade de instituições eclesiásticas concentradas neste perímetro.

Para lá das muralhas

Fora da Vila-a-Dentro, a cidade barroca afirma-se na Igreja do Carmo, cuja fachada de duas torres domina um dos largos mais cenográficos de Faro. Anexa ao templo encontra-se a célebre Capela dos Ossos, concluída em 1816 e revestida com ossadas de mais de mil frades carmelitas — um dos ossários mais impressionantes do país, comparável ao de Évora.

O território envolvente prolonga a profundidade histórica da cidade. A poucos quilómetros, em Estoi, sobrevivem as notáveis ruínas romanas de Milreu, com o seu templo-ninfeu, e o cenográfico Palácio de Estoi, exemplo tardio do gosto romântico algarvio. A oriente, a vizinha cidade de Tavira oferece um contraponto urbano de igual riqueza monumental, ajudando a compor o mosaico patrimonial do litoral sotavento.

Hoje, a importância de Faro vai além do seu papel administrativo: o aeroporto internacional, a universidade e a Ria Formosa fazem da cidade a principal porta de entrada da região, sem que o crescimento moderno tenha apagado a legibilidade do seu núcleo antigo — uma das mais coerentes leituras de cidade muralhada que o sul português conserva.

Perguntas frequentes

Porque é que Faro é a capital do Algarve?
Faro tornou-se a principal cidade administrativa do Algarve sobretudo após o terramoto de 1755, que arruinou Lagos, então cabeça da região. A transferência da sé episcopal de Silves para Faro, no século XVI, já reforçara o seu peso.
O que é a Vila-a-Dentro de Faro?
É o núcleo urbano mais antigo da cidade, cercado pelas muralhas medievais. Reúne a Sé, o antigo Paço Episcopal e ruas estreitas de origem muçulmana e medieval, acedidas pelo Arco da Vila e pelo Arco do Repouso.
A Capela dos Ossos de Faro pode visitar-se?
Sim. Integra o conjunto da Igreja do Carmo e está revestida com ossos e crânios de mais de mil frades carmelitas. Foi concluída em 1816 e é um dos ossários mais conhecidos de Portugal.

Fontes

  1. Faro — Wikipédia
  2. Faro, Portugal — Wikipedia
  3. Muralhas de Faro — Wikipédia