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Forte de Sacavém
O Forte de Sacavém, reduto oitocentista do Campo Entrincheirado de Lisboa, alberga o arquivo do SIPA e o centro de documentação do património arquitetónico.
O Forte de Sacavém, também designado Reduto do Monte Cintra, é uma construção militar oitocentista situada em Sacavém, no concelho de Loures, distrito de Lisboa. Erguido sobre uma elevação na margem direita do rio Trancão, a poucas centenas de metros da sua foz no Tejo, o forte perdeu há muito a função defensiva para que foi concebido e ganhou uma segunda vida como um dos mais importantes centros de documentação do património cultural português. É hoje, antes de mais, a casa física do arquivo do património arquitetónico nacional.
Um reduto do Campo Entrincheirado de Lisboa
A origem do forte inscreve-se no esforço de fortificação da capital empreendido na segunda metade do século XIX. Após estudos iniciados em 1872, a sua construção arrancou em 1873 e prolongou-se até cerca de 1892, integrando o vasto sistema defensivo que ficaria conhecido como Campo Entrincheirado de Lisboa. Coube ao reduto uma posição estratégica de retaguarda: vigiava a linha do rio até Sacavém, o vale de Odivelas e a serra de Monsanto, articulando-se com outras posições da margem sul e da barra do Tejo.
Em termos arquitetónicos, apresenta uma planta pentagonal irregular de inspiração abaluartada, no espírito das fortificações de tipo Vauban, rodeada por fosso, contraescarpa e esplanada. Boa parte da construção encontra-se semienterrada, encoberta por massas de terra que reforçavam a proteção contra o fogo de artilharia. Ao longo do século XX, o forte teve usos sucessivos — incluindo a detenção de grevistas em 1912 e a instalação de unidades de artilharia — antes de ser considerado sem valor militar e reconvertido a paiol de munições.
Da função militar ao arquivo do património
Desaffectada a vocação castrense, o forte foi alvo, no final da década de 1990, de uma campanha de restauro, conservação e readaptação que o preparou para uma nova missão. Passou então a acolher o arquivo e o inventário da então Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, o organismo que durante décadas dirigira as obras do Estado em monumentos e edifícios públicos. Foi aqui que se concentrou o vasto espólio documental herdado dessa longa tradição de inventariação.
O acervo instalado no forte tem dimensão notável: mais de sete quilómetros de prateleiras de processos administrativos, centenas de milhares de peças desenhadas e cerca de trezentos mil registos fotográficos relativos a edifícios e monumentos de todo o país. É este conjunto que sustenta o SIPA — Sistema de Informação para o Património Arquitetónico, a base de dados e arquivo de referência da arquitetura portuguesa, cuja sede física coincide com o forte.
Tutela atual e acesso
Com as reorganizações da administração do património ocorridas a partir de 2007, a guarda do espólio transitou por diferentes organismos até integrar, em meados da década de 2010, a Direção-Geral do Património Cultural, que hoje assegura a sua conservação e disponibilização pública. A documentação digitalizada pode ser consultada em linha, enquanto a consulta presencial de originais se faz mediante marcação prévia junto dos serviços do arquivo.
Para além da sua função documental, o Forte de Sacavém é ele próprio um bem patrimonial, exemplar da arquitetura militar oitocentista da região de Lisboa e testemunho do sistema de defesa da capital. A coexistência, no mesmo espaço, de um monumento e do arquivo que documenta milhares de outros faz dele um caso singular entre as instituições do património português, próximo na sua lógica de outros equipamentos de salvaguarda e distinto das tipologias mais conhecidas dos fortes costeiros.
Perguntas frequentes
- O que é o Forte de Sacavém?
- É um reduto militar oitocentista, também conhecido como Reduto do Monte Cintra, construído no âmbito do Campo Entrincheirado de Lisboa. Desde o final da década de 1990 alberga o arquivo do património arquitetónico português.
- Onde fica o Forte de Sacavém?
- Situa-se em Sacavém, na margem direita do rio Trancão, junto à sua foz no Tejo, no concelho de Loures, distrito de Lisboa.
- O que se guarda hoje no Forte de Sacavém?
- O forte acolhe o arquivo do SIPA, um dos maiores acervos de documentação arquitetónica do país, com vários quilómetros de prateleiras de processos, centenas de milhares de peças desenhadas e cerca de trezentos mil registos fotográficos.
- Pode visitar-se o Forte de Sacavém?
- O arquivo está aberto a investigadores mediante marcação prévia, e o forte acolhe ainda iniciativas culturais e a cedência de espaços. A documentação digitalizada pode ser consultada em linha.