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Funchal
Funchal, capital da Madeira: a Sé quinhentista, a Alfândega Velha e os fortes costeiros que guardam o porto atlântico mais antigo do arquipélago.
O Funchal é a capital e a maior cidade da Região Autónoma da Madeira, estendendo-se em anfiteatro sobre uma baía voltada a sul, entre encostas íngremes que sobem dos cais até às terras altas. A cidade nasceu nos primeiros anos do povoamento, na década de 1420, e o seu nome guarda a memória do funcho selvagem que cobria o vale onde se fixaram os primeiros colonos. Da posição abrigada e do clima ameno fez-se a fortuna do lugar: o porto do Funchal tornou-se, ainda no século XV, escala obrigatória das rotas atlânticas e plataforma do comércio do açúcar que então enriqueceu o arquipélago.
Da capitania à cidade
O rápido crescimento do povoado refletiu-se no seu estatuto. A 21 de agosto de 1508, D. Manuel I concedeu ao Funchal foral de cidade — a primeira cidade portuguesa fora do território continental e uma das mais precoces da expansão europeia no Atlântico. Poucos anos depois, em 1514, a criação da Diocese do Funchal, com jurisdição que chegou a abranger imensos territórios ultramarinos, confirmou a centralidade da cidade na geografia religiosa do império nascente. O açúcar e, mais tarde, o vinho da Madeira foram os motores económicos que sustentaram esta ascensão e que ainda hoje figuram no brasão municipal.
O núcleo histórico
O coração monumental do Funchal organiza-se em torno da Sé Catedral de Nossa Senhora da Assunção, erguida entre o final do século XV e a segunda década do século XVI. É o testemunho mais íntegro da primeira fase de colonização da ilha e um dos exemplares maiores do gótico tardio e do manuelino insular, célebre pelo notável teto de tea executado em madeira da própria ilha — síntese feliz entre a arte da carpintaria e os materiais locais.
Poucas catedrais portuguesas sobreviveram tão inteiras desde a sua construção: a Sé do Funchal é, em pedra e madeira, o arquivo construído da fundação da Madeira.
À volta da Sé desdobra-se a malha de ruas estreitas e calcetadas da Zona Velha, com igrejas, solares e conventos quinhentistas — entre eles o Convento e Igreja de Santa Clara, fundado no final do século XV. Junto à frente ribeirinha ergue-se a antiga Alfândega, edifício de origem manuelina que controlava o movimento mercantil do porto, hoje afeto a funções institucionais. A arquitetura civil da cidade prolonga, em muitos pormenores, as soluções da construção tradicional madeirense, adaptada ao relevo e ao basalto da ilha.
Defesa e mar
A prosperidade do porto atraiu também a cobiça de corsários, o que justificou a edificação de um sistema defensivo costeiro entre os séculos XVI e XVIII. A Fortaleza-Palácio de São Lourenço, junto à orla, foi residência dos capitães-donatários e dos governadores; mais a nascente, o Forte de São Tiago guarda a entrada oriental da baía com as suas muralhas amareladas, enquanto outras estruturas menores pontuavam a linha de costa. Estes baluartes definem ainda a silhueta marítima da cidade.
Para lá do casco histórico, o Funchal é a porta de acesso ao interior da ilha e às áreas protegidas que a coroam, incluindo a floresta Laurissilva da Madeira, classificada como Património Mundial. A cidade combina, assim, a densidade patrimonial de um centro quinhentista com a função de capital de um arquipélago atlântico, onde história, comércio e paisagem se entrelaçam desde a fundação.
Perguntas frequentes
- Quando foi o Funchal elevado a cidade?
- O Funchal recebeu foral de cidade de D. Manuel I a 21 de agosto de 1508, sendo a primeira cidade portuguesa fora do continente europeu e da Europa atlântica.
- Qual é o principal monumento religioso do Funchal?
- A Sé Catedral de Nossa Senhora da Assunção, erguida entre cerca de 1493 e 1517, é o mais importante monumento manuelino da cidade, célebre pelo teto de tea de madeira da ilha.
- Porque se chama Funchal?
- O nome deriva do funcho (Foeniculum vulgare), erva aromática que crescia em abundância no vale onde se instalou o primeiro povoado, no início do século XV.