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Madeira
O arquipélago da Madeira constitui um dos mais notáveis laboratórios do património atlântico português. Reúne, num espaço insular e vulcânico a cerca de 1000 quilómetros do continente, uma floresta-relíquia com milhões de anos, uma cidade quinhentista que foi placa giratória do comércio europeu e uma paisagem moldada por séculos de engenho agrícola. Compreender a Madeira é compreender o ensaio inaugural da expansão portuguesa: aqui se experimentou, pela primeira vez, o modelo de povoamento e exploração de terras antes desabitadas que viria a ser replicado nos Açores, em Cabo Verde e, mais tarde, no Brasil.
Da descoberta ao açúcar
Alcançada por João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira por volta de 1419, a Madeira foi sistematicamente povoada a partir de cerca de 1425, com famílias oriundas do Algarve e, depois, do Norte do reino. Em 1440 o território ficou dividido em três capitanias — Funchal, Machico e Porto Santo —, estrutura que organizou a ocupação do solo e a abertura das primeiras culturas. Ao trigo seguiu-se a cana sacarina, e foi o “ouro branco” do açúcar que projetou a ilha nas rotas comerciais do Atlântico durante os séculos XV e XVI.
O açúcar fez do Funchal um entreposto cosmopolita: mercadores flamengos, genoveses e portugueses cruzavam-se nas suas ruas, e os lucros financiaram igrejas, conventos e obras de arte importadas da Flandres.
A prosperidade quinhentista deixou marcas duradouras. A Sé do Funchal, concluída em 1514, é um dos raros edifícios sobreviventes do período inicial da colonização, combinando traços góticos e manuelinos num tecto de cedro embutido que é um dos mais belos da sua época. O Convento de Santa Clara, fundado no final do século XV pela família Câmara, completa este núcleo histórico que faz do Funchal a cidade-museu do arquipélago.
Uma floresta Património Mundial
O bem mais célebre da Madeira não é, porém, arquitetónico, mas natural. A Floresta Laurissilva da Madeira foi inscrita na Lista do Património Mundial da UNESCO em 1999, durante a 23.ª reunião do Comité do Património Mundial, em Marraquexe. Ocupando cerca de 15 000 hectares — quase um quinto da ilha —, é a maior superfície sobrevivente deste tipo de floresta de loureiros, outrora comum no Sul da Europa e no Mediterrâneo. Considerada uma relíquia da era Terciária, alberga espécies endémicas que ali persistem há cerca de vinte milhões de anos e desempenha um papel decisivo na captação e regulação da água da ilha.
A paisagem humanizada das levadas
Em torno desta floresta desenvolveu-se uma das mais originais obras de engenharia rural da Europa: a rede de levadas, canais de irrigação escavados ao longo de encostas íngremes para conduzir a água das vertentes húmidas do Norte às terras agrícolas do Sul. Com séculos de construção e milhares de quilómetros de extensão, as levadas integram a Lista Indicativa portuguesa ao Património Mundial e estruturam hoje a rede de percursos pedestres mais procurada do arquipélago. A leste, as remotas Ilhas Selvagens — reserva natural de elevado valor ornitológico — completam o mosaico patrimonial madeirense, confirmando a vocação atlântica e biodiversa desta Região Autónoma.
Entre a herança quinhentista do açúcar e do vinho, a singularidade ecológica da laurissilva e o engenho das levadas, a Madeira oferece um dos casos mais coesos do património português, onde história, arquitetura e natureza se leem como capítulos de uma mesma aventura insular.
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Perguntas frequentes
- Qual é o património da Madeira classificado pela UNESCO?
- A Floresta Laurissilva da Madeira foi inscrita na Lista do Património Mundial da UNESCO em 1999, como bem natural. É a maior mancha sobrevivente desta floresta de loureiros, uma relíquia do período Terciário.
- Quando foi descoberta e povoada a Madeira?
- O arquipélago foi alcançado por navegadores portugueses por volta de 1419 e o povoamento iniciou-se cerca de 1425. Em 1440 ficou organizado em três capitanias: Funchal, Machico e Porto Santo.
- Que monumentos visitar no Funchal?
- Destacam-se a Sé do Funchal, concluída em 1514 em estilo gótico-manuelino, e o Convento de Santa Clara, erguido no final do século XV. A cidade conserva ainda quintas e adegas ligadas ao vinho Madeira.