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Igreja e Torre dos Clérigos

A Igreja e Torre dos Clérigos, no Porto, obra-prima barroca de Nicolau Nasoni, com a torre-campanário de 75 metros que é ex-líbris da cidade.

Igreja e Torre dos Clérigos
Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL, CC BY-SA 2.0 — Wikimedia Commons

A Igreja e Torre dos Clérigos ergue-se no coração do centro histórico do Porto, num esporão rochoso entre a baixa e a zona da Vitória. Concebida por Nicolau Nasoni para a Irmandade dos Clérigos, é a obra mais emblemática do barroco portuense e o ex-líbris incontestado da cidade, com a sua torre-campanário a recortar-se contra o céu como uma agulha de granito.

Um conjunto barroco em três tempos

O conjunto resulta de uma construção faseada ao longo de várias décadas. A igreja foi edificada entre 1732 e 1749, sobre uma invulgar planta elíptica que confere ao espaço interior uma notável fluidez e teatralidade — uma solução rara em Portugal e tipicamente romana, que Nasoni trouxe da sua formação italiana. Seguiu-se a Casa da Irmandade, que articula a igreja com o restante edifício, e, por fim, a célebre torre, levantada entre 1754 e 1763 na cabeceira do templo.

Mais do que um campanário, a torre dos Clérigos foi pensada como marco urbano: alta o suficiente para servir de referência aos navegantes que subiam o Douro e aos viajantes que se aproximavam do Porto por terra.

A fachada principal da igreja, ricamente ornamentada com volutas, festões e elementos escultóricos em granito, é um dos exemplos mais expressivos da gramática decorativa de Nasoni, que soube conjugar o classicismo romano seiscentista com o gosto e os materiais locais.

A torre que define o Porto

Com cerca de 75 metros de altura e seis andares, a torre dos Clérigos foi, durante muito tempo, a estrutura mais alta da cidade. Sobe-se por uma estreita escadaria de caracol de aproximadamente 225 degraus até aos terraços superiores, de onde se abre um panorama de 360 graus sobre os telhados do Porto, o rio Douro e Vila Nova de Gaia. No interior alberga ainda um carrilhão de várias dezenas de sinos, que continua a marcar momentos da vida da cidade.

A própria figura de Nasoni está indissociavelmente ligada ao monumento: tendo ingressado na Irmandade, o arquiteto pediu para ser sepultado na cripta da igreja, onde repousa em local hoje desconhecido — um epílogo discreto para quem moldou a paisagem barroca do norte de Portugal.

Significado e proteção

Classificada como Monumento Nacional desde 1910, a Igreja e Torre dos Clérigos integra a zona protegida do centro histórico do Porto, inscrito na lista do Património Mundial da UNESCO. O monumento dialoga, à distância de poucos passos, com outros marcos maiores da cidade, como a vizinha Igreja de São Francisco, profusamente revestida a talha dourada, e a austera Sé do Porto, de origem românica.

Hoje plenamente musealizado e restaurado, o conjunto recebe anualmente centenas de milhares de visitantes e mantém o seu papel duplo: o de espaço de culto e o de miradouro privilegiado sobre a cidade. Subir a torre dos Clérigos continua a ser, para portuenses e forasteiros, um dos gestos que melhor traduzem a identidade do Porto.

Perguntas frequentes

Quantos degraus tem a Torre dos Clérigos?
A escadaria interior em caracol tem cerca de 225 degraus, que conduzem aos terraços panorâmicos no topo, a partir dos quais se descortina o Porto e o vale do Douro.
Quem foi o arquiteto da Igreja e Torre dos Clérigos?
O conjunto foi projetado por Nicolau Nasoni, arquiteto e pintor de origem toscana, que viveu grande parte da vida no Porto e aqui escolheu ser sepultado, na cripta da própria igreja.
Qual a altura da Torre dos Clérigos?
A torre-campanário tem cerca de 75 metros de altura, o que a tornou, durante muito tempo, o ponto mais elevado e visível da cidade do Porto.

Fontes

  1. Igreja e Torre dos Clérigos — Wikipédia
  2. Torre dos Clérigos — Visit Portugal
  3. Clérigos Church — Wikidata (Q18642)