Monumentos
Sé do Porto
A Sé do Porto, catedral-fortaleza românica na colina da Pena Ventosa, com galilé barroca de Nicolau Nasoni e claustro gótico, no Porto.
A Sé do Porto ergue-se no ponto mais elevado da cidade, a colina da Pena Ventosa, dominando o casario que desce em direção ao rio Douro. Catedral da diocese portuense e um dos mais antigos monumentos do país, conjuga numa única estrutura quase nove séculos de história: um núcleo românico de aparência militar, ampliações góticas e uma profusão de obra barroca que transformou o seu interior e a sua envolvência.
Uma catedral-fortaleza românica
A construção da Sé iniciou-se na primeira metade do século XII e prolongou-se pelo século XIII. A fachada principal, ladeada por duas robustas torres rematadas por cúpulas, e a estreita rosácea românica que a perfura revelam a sua dupla vocação: casa de oração e baluarte defensivo. As paredes espessas, os vãos reduzidos e o adarve ameado conferem-lhe o caráter de igreja-fortaleza tão típico do românico do Norte de Portugal, partilhado com a vizinha Sé de Braga, sede da antiga arquidiocese de que a diocese portuense dependia.
No interior, a nave central de abóbada de berço e os robustos pilares mantêm a austeridade primitiva, ainda que sucessivas intervenções tenham suavizado a penumbra original.
Poucos monumentos exprimem com tanta clareza a fusão de épocas portuense: à severidade da pedra românica responde o brilho do barroco, sem que uma anule a outra.
Do claustro gótico ao esplendor barroco
Ao longo do século XIV foi acrescentado o claustro gótico, posteriormente revestido de azulejos setecentistas que narram cenas das Metamorfoses de Ovídio e do Cântico dos Cânticos. A partir do século XVII e, sobretudo, do XVIII, a catedral foi profundamente renovada segundo o gosto barroco. O altar de prata da capela do Santíssimo Sacramento, executado em talha de prata lavrada, é um dos seus tesouros mais celebrados.
A presença italiana de Nicolau Nasoni, o mesmo arquiteto da Igreja e Torre dos Clérigos, foi decisiva: chegado ao Porto em 1725, pintou frescos e, por volta de 1736, desenhou a elegante galilé barroca que anima a fachada lateral, abrindo a igreja sobre o terreiro fronteiro.
Memória e significado
A Sé foi palco de acontecimentos marcantes da história nacional. Em 1387 celebrou-se aqui o casamento de D. João I com D. Filipa de Lencastre, aliança que selou a histórica amizade luso-britânica. O monumento foi classificado como Monumento Nacional em 1910 e integra hoje a área inscrita pela UNESCO como Centro Histórico do Porto, Ponte Luiz I e Mosteiro da Serra do Pilar.
A poucos passos, a Igreja de São Francisco e o conjunto monumental ribeirinho completam um dos núcleos urbanos mais densos em património de Portugal. Visitar a Sé é, assim, percorrer simultaneamente o ponto de origem da cidade e um compêndio vivo da evolução da arquitetura religiosa portuguesa. Veja também outras sés e catedrais do país.
Perguntas frequentes
- Quanto custa visitar a Sé do Porto?
- A entrada na catedral é gratuita; o acesso ao claustro gótico, à Casa do Cabido e ao tesouro implica a aquisição de bilhete. Os valores e horários podem variar, pelo que se recomenda confirmar junto da instituição.
- Quem construiu a galilé barroca da Sé do Porto?
- A galilé barroca da fachada lateral foi projetada pelo arquiteto e pintor italiano Nicolau Nasoni por volta de 1736, durante a sua longa carreira ao serviço da cidade do Porto.
- A Sé do Porto faz parte do Património Mundial?
- Sim. A catedral integra a área classificada do Centro Histórico do Porto, Ponte Luiz I e Mosteiro da Serra do Pilar, inscrito pela UNESCO na lista do Património Mundial em 1996.