Património Mundial

Crista Médio-Atlântica (Lista Indicativa)

Candidatura natural transnacional da Crista Médio-Atlântica nos Açores, na Lista Indicativa de Portugal à UNESCO desde 2017.

A Crista Médio-Atlântica é uma candidatura natural inscrita na Lista Indicativa de Portugal junto da UNESCO desde 6 de junho de 2017. Embora a Dorsal Mesoatlântica se estenda por mais de 16 000 quilómetros, do Ártico à Antártida, e seja a mais longa cordilheira do planeta — com mais de 90% do seu comprimento submerso —, a candidatura portuguesa circunscreve-se ao troço que aflora e se ergue no arquipélago dos Açores. Trata-se, por isso, de uma proposta de natureza geológica e oceanográfica, distinta dos bens monumentais que dominam a lista nacional.

Um arquipélago sobre a fronteira das placas

Os Açores nasceram de um dos contextos tectónicos mais singulares do globo: a vizinhança de uma junção tripla onde se encontram as placas Euroasiática, Africana e Norte-Americana. A Dorsal Mesoatlântica atravessa o arquipélago, deixando as ilhas das Flores e do Corvo na placa Norte-Americana, a ocidente, e as restantes a oriente. É neste limite divergente que se forma continuamente nova crosta oceânica, alimentada ainda pelo ponto quente mantélico dos Açores, situado a leste da dorsal, na proximidade do grupo central.

A montanha do Pico, com 2 351 metros, é o ponto mais alto de Portugal e um dos cumes mais elevados de toda a Dorsal Mesoatlântica — uma cordilheira que, na quase totalidade, jaz invisível sob o oceano.

O bem proposto não se limita à terra emersa. Abrange as nove ilhas habitadas e os seus quase seiscentos ilhéus, as águas territoriais e a vasta Plataforma dos Açores, estrutura de contorno aproximadamente triangular, delimitada pela batimétrica dos 2 000 metros, que ocupa cerca de 400 000 km². Esta plataforma, associada ao espessamento crustal gerado pelo ponto quente, alberga não apenas as ilhas mas também numerosos montes submarinos.

Valores naturais de relevância universal

A candidatura sustenta-se em critérios naturais. Pelo critério da beleza cénica excecional, evoca a singularidade de paisagens como a montanha do Pico, que se ergue abruptamente do fundo oceânico e, no inverno, contrasta a neve do cume com o basalto negro e o verde da base insular. Pelo critério dos grandes processos geológicos em curso, valoriza os campos hidrotermais de profundidade, que se formam nas zonas de divergência onde nasce crosta nova. Estas estruturas desempenham um papel na regulação térmica e química dos oceanos, e o seu estudo contribuiu para novas teorias sobre a origem da vida na Terra.

A proposta veio substituir candidaturas anteriores mais restritas, centradas em fenómenos vulcânicos pontuais como o Algar do Carvão e a Furna do Enxofre, alargando o âmbito a todo o sistema insular e submarino açoriano. A relação com o vulcanismo e a vinha das ilhas reforça-se pela proximidade a um bem já classificado: a Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico, inscrita na Lista do Património Mundial em 2004.

Lista Indicativa e percurso da candidatura

Integrar a Lista Indicativa é uma etapa preliminar e obrigatória do processo de classificação: nela um Estado Parte regista os bens que pondera vir a propor para inscrição na Lista do Património Mundial. A presença da Crista Médio-Atlântica neste inventário sinaliza a intenção de Portugal, mas não constitui ainda classificação nem garante a sua concretização. A complexidade de um bem de tão grande extensão marinha — e a sua eventual articulação transnacional com outros Estados ribeirinhos da dorsal — coloca desafios específicos de delimitação e de gestão.

No conjunto das propostas naturais portuguesas, a Crista Médio-Atlântica dialoga com bens insulares já reconhecidos, como a Floresta Laurissilva da Madeira, afirmando o peso do património natural atlântico no contributo de Portugal para a Convenção do Património Mundial.

Perguntas frequentes

O que é a candidatura da Crista Médio-Atlântica?
É uma candidatura natural à Lista do Património Mundial que abrange o troço açoriano da Dorsal Mesoatlântica, inscrita na Lista Indicativa de Portugal desde 2017. Inclui as nove ilhas habitadas, os ilhéus, as águas territoriais e a plataforma submarina dos Açores.
Já é Património Mundial da UNESCO?
Não. Está apenas na Lista Indicativa, o inventário preliminar dos bens que um Estado tenciona propor a inscrição. A inclusão na Lista Indicativa é um passo prévio e obrigatório, mas não garante a futura classificação.
Porque é geologicamente importante a Crista Médio-Atlântica nos Açores?
Os Açores situam-se junto a uma junção tripla de placas tectónicas — Euroasiática, Africana e Norte-Americana — onde se forma nova crosta oceânica. A região reúne vulcanismo ativo, campos hidrotermais de profundidade e a vasta Plataforma dos Açores.

Fontes

  1. UNESCO World Heritage Centre — Mid-Atlantic Ridge (Tentative List 6231)
  2. Wikipédia — Plataforma dos Açores
  3. Wikipédia — Dorsal Mesoatlântica