Património Mundial
Sede e Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian (Lista Indicativa)
Edifício-sede e jardim da Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa, ícone do movimento moderno português e candidato na Lista Indicativa da UNESCO.
Erguido entre 1963 e 1969 nas Avenidas Novas de Lisboa, o edifício-sede e jardim da Fundação Calouste Gulbenkian é uma das obras mais admiradas da arquitetura portuguesa do século XX. Integra desde 31 de janeiro de 2017 a Lista Indicativa do Património Mundial de Portugal, distinguindo-se por ser a primeira obra do movimento moderno proposta pelo país a esse reconhecimento internacional.
Génese de um projeto modelar
A Fundação foi instituída em 1956 ao abrigo do testamento de Calouste Sarkis Gulbenkian (1869–1955), magnata arménio do petróleo e colecionador de arte que fez de Lisboa a sua residência nos últimos anos de vida. Para acolher a sede, o museu e a respetiva coleção, foi lançado em 1959 um concurso por convite que reuniu três equipas de arquitetos. Saiu vencedora a parceria entre Alberto Pessoa, Pedro Cid e Ruy Jervis d’Athouguia, a quem coube traduzir em pedra, betão e luz um programa cultural sem precedentes em Portugal.
A obra ergueu-se num antigo terreno do Parque de Santa Gertrudes, com cerca de 7,5 hectares. O conjunto edificado, de planta horizontal e linhas depuradas, recorre ao betão armado e pré-esforçado aparente, articulando volumes baixos com amplas superfícies envidraçadas que dissolvem a fronteira entre interior e jardim. O grande auditório, o museu e as galerias de exposição organizam-se em torno de pátios e percursos que privilegiam a relação contínua com a paisagem.
O jardim como obra de arte total
Indissociável da arquitetura, o parque foi desenhado pelos arquitetos paisagistas Gonçalo Ribeiro Telles e António Viana Barreto. Concebido como uma paisagem naturalista no coração da cidade, conjuga lagos, anfiteatro ao ar livre, espécies autóctones e zonas de água que regulam o microclima do conjunto. É hoje considerado uma referência maior da arquitetura paisagista portuguesa e um espaço público de fruição livre.
Raros são os exemplos, à escala mundial, em que edifício e jardim foram pensados como um só organismo — uma síntese entre arquitetura, paisagem e cultura que confere ao conjunto valor universal excecional.
Em 1983, o parque acolheu ainda o Centro de Arte Moderna, projetado por Leslie Martin, alargando a vocação do espaço enquanto polo de criação contemporânea.
Reconhecimento e valor patrimonial
O conjunto recebeu o Prémio Valmor em 1975 e, em 4 de novembro de 2010, foi classificado como Monumento Nacional — a primeira obra do movimento moderno a alcançar essa distinção em Portugal, sinal de uma maturação do conceito de património que passou a abranger o legado arquitetónico do século XX.
A sua inclusão na Lista Indicativa insere-se no esforço português de reconhecer a arquitetura moderna recente, a par de outras candidaturas como as obras de Álvaro Siza. Caso venha a concretizar-se a candidatura formal, a sede e jardim Gulbenkian poderão juntar-se ao conjunto de bens nacionais já consagrados na Lista do Património Mundial. Por enquanto, mantém-se na fase preliminar, partilhando a Lista Indicativa com sítios como a Lisboa Pombalina e o Aqueduto das Águas Livres.
Perguntas frequentes
- A sede da Fundação Calouste Gulbenkian é Património Mundial da UNESCO?
- Ainda não. Desde 2017 integra a Lista Indicativa de Portugal, etapa preliminar e obrigatória antes de qualquer candidatura formal a Património Mundial. Não está, portanto, inscrita na Lista do Património Mundial.
- Quem projetou o edifício-sede e o jardim?
- O edifício foi concebido pelos arquitetos Alberto Pessoa, Pedro Cid e Ruy Jervis d'Athouguia, vencedores de um concurso por convite em 1959. O parque é da autoria dos arquitetos paisagistas Gonçalo Ribeiro Telles e António Viana Barreto.
- Pode visitar-se o jardim?
- Sim. O parque da Fundação é de acesso livre e gratuito, funcionando como um dos principais jardins públicos de Lisboa, complementado pelo Museu Calouste Gulbenkian e pelo Centro de Arte Moderna.