Tipologias

Moinhos de Vento

Os moinhos de vento em Portugal: tipologia, partes, história da moagem de cereais e as torres caiadas que marcam a paisagem do Oeste, do Alentejo e dos Açores.

Moinhos de Vento
Jefferson Bernardes/PMPA, Attribution — Wikimedia Commons

O moinho de vento é uma das mais expressivas máquinas do mundo rural português: uma torre que transforma a força do ar em farinha. Convertendo o movimento das velas no rodar das mós, foi durante séculos um equipamento essencial da economia de subsistência, garantindo o pão de aldeias inteiras. As suas torres caiadas, recortadas contra o céu em alturas ventosas, tornaram-se um marco da paisagem do Oeste, do litoral centro, do Alentejo e das ilhas, e constituem hoje um capítulo notável das tipologias do património edificado.

Origem e difusão

A existência de moinhos de vento em Portugal está documentada num registo de 1303, embora seja de admitir uma introdução anterior. Crê-se que os primeiros exemplares teriam um eixo vertical, com velas dispostas em redor; essa solução acabou substituída pela tipologia de eixo horizontal que hoje conhecemos. A partir do século XVI, os moinhos de vento multiplicaram-se, sobretudo nas regiões expostas aos ventos atlânticos, onde o relevo ondulado oferecia cabeços desafogados.

A sua importância foi tudo menos residual. Na década de 1960 calculava-se que laborassem em Portugal cerca de dez mil moinhos, dos quais perto de três mil eram movidos a vento e os restantes a água — número que dá a medida da densa rede de moagem que cobria o território, complementando os moinhos de água e azenhas instalados ao longo das ribeiras.

Tipologias e construção

Distinguem-se, em traços largos, dois grandes modelos. O tipo mediterrânico — o mais comum em Portugal — assenta numa torre cilíndrica de pedra, fixa, encimada por um capelo cónico de madeira que roda para orientar as velas ao vento; era a solução corrente no Oeste e no Sul. O tipo do norte da Europa, de corpo piramidal de madeira que girava por inteiro, surge entre nós de forma mais rara. À família dos moinhos junta-se ainda o moinho metálico de tipo americano, introduzido no século XIX e difundido sobretudo nos Açores e no Alentejo.

O moleiro lia o vento pelo ouvido: nos búzios de barro presos às pontas das varas, o assobio agudo indicava a velocidade das velas e avisava quando era tempo de recolher pano antes que a fúria do temporal partisse o mastro.

O coração da máquina é simples e engenhoso. O mastro de madeira, normalmente de secção octogonal, recebe quatro varas em cruz, às quais se fixam as velas triangulares de pano; estas enrolam-se quando o moinho repousa e estendem-se para captar o vento. O movimento do mastro transmite-se, através da grande roda dentada — a entrosa —, ao veio que faz girar a mó superior, o corredor, sobre a mó fixa, o poiso. Entre as duas pedras o grão é triturado e sai já transformado em farinha. Pela moagem, o moleiro cobrava uma percentagem do cereal, a chamada maquia, que oscilava em regra entre 5 e 10 por cento.

Saber-fazer e património

Moer ao vento exigia uma arte próxima da do marinheiro: orientar o capelo, dosear o pano consoante a intensidade do ar, travar a tempo. Esse saber dos moleiros, e o ofício dos pedreiros e carpinteiros que erguiam as torres, integram o universo da arquitetura vernacular, feito de técnicas transmitidas de geração em geração. A farinha que daí saía era a matéria-prima do pão tradicional português, elo direto entre a engenharia da torre e a mesa.

Com a generalização da moagem industrial e elétrica, ao longo do século XX, a esmagadora maioria dos moinhos calou-se. Muitos arruinaram-se, reduzidos a cilindros de pedra sem capelo nem velas; outros foram recuperados como elementos de património industrial e de memória rural, alguns devolvidos à moagem em dias de festa, outros reconvertidos em alojamento ou em pequenos núcleos museológicos. Conservados ou em ruína, os moinhos de vento permanecem assinaturas inconfundíveis da paisagem portuguesa e testemunhos de um tempo em que o pão dependia do ar que soprava.

Perguntas frequentes

Desde quando há moinhos de vento em Portugal?
A sua existência está documentada em Portugal pelo menos desde 1303, embora se admita uma introdução anterior. A partir do século XVI multiplicaram-se, sobretudo nas regiões expostas aos ventos atlânticos do Oeste, do litoral e das ilhas.
Qual a diferença entre o moinho de vento e a azenha?
O moinho de vento move as mós com a força do vento captada por velas; a azenha e o moinho de água usam a força de um curso de água sobre uma roda. Ambos moíam cereal, mas dependiam de fontes de energia diferentes e implantavam-se em sítios distintos — alturas ventosas contra margens de ribeiras.
Quais são as partes principais de um moinho de vento?
A torre cilíndrica de pedra, encimada pelo capelo de madeira giratório; o mastro com a entrosa que transmite o movimento; as velas triangulares de pano fixadas às varas; e, no interior, as duas mós — o poiso fixo e o corredor que gira sobre ele.

Fontes

  1. Moinho de vento — Wikipédia
  2. List of windmills in Portugal — Wikipedia
  3. História das Azenhas e Moinhos — Memoriamedia